Através da Minha Janela, um romance atraente, evolvente e superficial

8 de fevereiro de 2022

Olá meu povo!
Eu nunca neguei que tenho uma certa atração por clichês românticos que exalam uma certa toxidade. Óbvio que não chego ao ponto de "passar pano" para todas as problemáticas que essas obras costumam trazer, e mesmo tendo ciência de que não são, sob hipótese alguma, narrativas perfeitas e agregadoras em sua totalidade, estou sempre em busca de histórias do tipo. Se eu sou a pessoa que, em algum momento da vida, li e gostei de Cinquenta Tons de Cinzas, After e Belo desastre, como poderia resistir a Através da Minha Janela? Falou que tem romance jovem, um bad boy marrento e quebrado, e uma mocinha virginal disposta a concertá-lo, e lá estarei eu acompanhando tudo de camarote. Admito que não estou orgulhosa por confessar isso no auge dos meus trinta anos, mas o que eu posso fazer, né? Não gosto desse tipo de história de forma proposital, é algo que me acompanha há muitos anos e mesmo eu tendo consciência dos defeitos de tais tramas, ainda não estou disposta a abrir mão do entretenimento raso e descompromissado que elas elas me proporcionam.

Através da Minha Janela (+16) | Gênero: Romance, Drama | Duração: 1h 52min | 4/5 🎬

Nos últimos anos a Netflix, bem como outros serviços de streaming, tem apostado em adaptações de romances que atendem desde o público jovem até o adulto propriamente dito. E sendo eu leitora assídua deste tipo de narrativa, não poderia estar mais satisfeita com a atenção que tais obras vêm recebendo. Este mês estreou Através da Minha Janela, longa inspirado na obra homônima da escritora venezuelana Ariana Godoy. A história que surgiu como uma fanfic, disponibilizada gratuitamente no wattpad, se tornou sucesso de público e garantiu seu lugar nas telinhas, e graças a isto será publicada pela editora Intrínseca e chegará as livrarias brasileiras dentro de poucos dias. O longa conta com a direção de Marçal Forés, diretor cinematográfico conhecido por seu trabalho nas produções Paradise, Animals e Amor Eterno, e trás Clara Galle (Sky Rojo) em seu elenco principal, a jovem dá vida a Raquel par romântico de Ares, interpretado do Julio Peña (Acacias 38). 

Raquel e Ares

Raquel (Clara Galle) é uma jovem com pretensões de se tornar escritora, completamente obcecada por seu vizinho lindo, sexy e incrivelmente rico. Ela não só acompanha tudo o que é disponibilizado em suas redes sociais, como o segue de perto por diversos lugares. A garota é uma stalker declarada e não possui qualquer pudor quanto a isso. A relação platônica e distante que ela mantém com Ares (Julio Peña) ganha novos contornos quando ele passa a usar sua rede de wi-fi de forma clandestina. Ao ser confrontada pelo rapaz, Raquel não perde a oportunidade e deixa claro suas intenções, e sendo ele um bad boy típico, não foge do desfio que lhe é proposto, a partir disso ambos são envolvidos por um empolgante jogo de sedução. Inicialmente Ares tenta alimentar uma postura indiferente, que pouco resiste a persistência e ousadia de Raquel, por isso não precisamos esperar muito para acompanhar a rendição óbvia dele. Mas este é apenas o princípio de tudo, é só depois da relação engatar que os dramas reais começam a aparecer, a enorme diferença social, a família problemática e as inseguranças dele, as fragilidades dela... Embora nada seja trabalhado de forma densa, temos ai alguns clichês que podem agradar ao público apaixonado por tais narrativas.

Raquel e Yochi/Yochi, Daniela e Raquel, respectivamente

Como toda mocinha em idade escolar, Raquel possui seus amigos e fiéis escudeiros. Daniela (Natalia Azahara). uma jovem vivaz e hiper sexualizada e Yoshi (Guillermo Lasheras), um rapaz despojado e completamente apaixonado pela protagonista. E embora os três estejam sempre juntos, não é possível sentir de fato o porque dessa ligação existir. O grande X da questão é que não há profundidade em nenhuma relação desenvolvida ao longo da trama, e mesmo sabendo que está tudo ali jogado através de fragmentos, não consegui anular a sensação de que faltou algo. Eu já esperava uma abordagem focada na tensão sexual partilhada pelo casal, sabia que a sexualidade de ambos seria explorada de forma ampla, e não vi problema algum nisso. Mesmo assim, senti que algumas narrativas mereciam ter tido um melhor aproveitamento. A construção do romance principal ocorre de forma superficial, uma frase aqui, uma pergunta ali e pronto, a enorme atração sexual deixa de ser "apenas coisa de pele" e se torna amor. Os conflitos familiares são importantes ao ponto de influenciar completamente na forma de agir e pensar de Ares e Raquel, mas não dignos o bastante para merecer uma conversa franca, pelo menos não uma que possa ser assistida pelo público. O resultado disso, é um desfecho tão raso quanto todo o resto, fui surpreendida com a resolução rápida e simples de um a questão que parecia não ter saída. Posso ter gostado dos rumos que as coisas tomaram, mas o caminho para se chegar até lá não me convenceu de forma alguma.  

Ares e Raquel

De modo geral, este é mais um daqueles filmes que cumprem muito bem o papel de entreter, mas não é realmente capaz de despertar paixão no telespectador. Apesar das quase duas horas de tela, tudo acontece rápido demais e com tão pouco embasamento, que dificilmente conseguiríamos perceber todas as nuances que poderiam estar presentes nos conflitos e relacionamentos. No que diz respeito a estrutura, não tenho do que me queixar, mesmo não sendo expert no assunto, me atrevo a dizer que os cenários e a fotografia estão impecáveis, pelo menos no meu ponto de vista. Clara e Júlio possuem uma sintonia invejável, e isso trás qualidade para a atuação dos dois. Comecei a assistir acreditando que não iria gostar da experiência, isso porque a obsessão da Raquel, bem como sua enorme propensão a se submeter a situações degradantes pura e simplesmente para alcançar o amor de Ares, me incomodou muito, mas conforme a relação dos dois evoluiu eu me peguei curtindo e torcendo pelo casal. Espero que os livros dos outros irmãos sejam adaptados e lançados por aqui também, porque mesmo que eu não seja muito fã do Artemis (Eric Masip), sou completamente apaixonada pelo Apolo (Hugo Arbues) e adoraria acompanha-lo mais um pouquinho.

4 comentários

  1. Oi Delmara.

    Concordo com você os streaming estão apostado em adaptações literárias com muita força. É muito bom porque assim quem sabe possa incentivar a leitura também. Eu ainda não dei a prioridade para assistir e nem ler Através da minha Janela, mas pela sua opinião parece ser uma história boa de acompanhar. Vou assistir primeiro, se eu gostar do filme vou atrás da versão literária. Valeu pela dica.

    Bjos
    https://consumidoradehistorias.blogspot.com/

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  2. Olá, tudo bom?
    Estou adorando ver os streamings apostando nas adaptações literárias! Muitas pessoas que conferiram a adaptação acabam indo atrás da série de livros depois e isso é muito bacana ♥
    Eu adoro filmes bem clichês que são feitos só para entreter mesmo e por isso acabei anotando sua sugestão aqui. Tinha ouvido falar bem mal do filme, mas pelos seus comentários tenho certeza que vou acabar curtindo também.
    Beijos!

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  3. Oie, tudo bem? Ah, quem não gosta de ver nossos personagens favoritos ganhando vida não é mesmo? Ainda mais quando são aqueles que nos marcaram tanto. Quando li A mulher na janela, por exemplo, achei a escrita do autor simplesmente incrível. Li em dois dias se não me engano. Os plots, os personagens, eu tomava cada susto haha Quando foi anunciada a adaptação minha expectativa foi enorme. Meu primeiro pensamento era... quem será a Anna? Aí foi revelado que seria a Amy Adams. Ela é uma atriz incrível, mas a adaptação deixou muito a desejar. Uma pena. Agora teve a estreia de uma verão meio "cômica" da história mas também não gostei. Vamos aguardar as próximas adaptações haha Um abraço, Érika =^.^=

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  4. Ouvi comentários sobre esse filme, mas a sua resenha é a primeira que não deu preguiça de ler, ggostei! Gosto de filmes assim pra passar o tempo, quando não quero me envolver muito em uma trama. E sabe, não te culpo por gostar de clichês, porque até hoje leio infantojuvenil, e tá tudo bem. O importante é a gente gostar do que lê:)

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