29 de julho de 2019

Papo de blogueira: Considerações de uma leitora resenhista

Olá amores!
Eu estava escrevendo uma resenha nesse exato momento e me deparei com uma questão que ganhou vida e pediu um texto próprio. Quero deixar claro que não estou aqui tentando ensinar "o vigário a rezar a missa" e nem nada do tipo, então tomem essa postagem como um momento de reflexão pessoal que decidi compartilhar com vocês. E em se tratando de uma convicção própria, não baseada em qualquer estudo ou pesquisa científica, não deve ser considerado nada além do que é, uma opinião. Eu sou leitora à mais de uma década, e blogueira a pelo menos seis anos, e nesse meio tempo aprendi muita coisa. Gosto de acreditar que amadureci minha forma de ver o mundo, mas mesmo assim, sei que ainda estou longe de saber tudo que preciso. Minha busca constante pelo crescimento, tem deixado meus olhos abertos e talvez me feito mais tolerante e menos impulsiva. Não sou exemplo de nada e nem quero, mas tenho um ponto de vista bem definido e não vejo porque não dividi-lo. Dito isto, vamos ao que interessa!


Há a alguns anos repensei minha forma de resenhar aqui no blog. Quando iniciei esse projeto fazia tudo no calor da emoção e não me privava de despejar tudo sobre quem se propusesse a ler meus textos. Olhando para o meu eu do passado vejo como era passional. Mas a partir de um dado momento, passei a sentir uma forte necessidade de expandir minha forma de ver as coisas, sentia minhas análises muito preto no branco, não conseguia mais aceitar a forma limitada que eu expunha minhas opiniões. Entendi que, o fato de uma personagem não me agradar, não a torna uma personagem ruim, que uma história que não atende as minhas expectativas, pode ser uma experiência excelente, desde que eu me proponha a enxergá-la tal qual ela é. Quero deixar claro que não estou generalizando e nem defendendo a inexistência de histórias ruins, diferente disto, estou dizendo que aprendi a sair desse ciclo ame ou odeie. Hoje quando me apaixono completamente por uma história, procuro críticas extremamente negativas a seu respeito e vice versa, com o intuído de olhar além e talvez, quem sabe, encontrar algo que eu tenha deixado passar. 


É uma tática meio esquisita, admito. Mas que tem funcionado comigo, as vezes realmente deixo passar algo negativo em um livro que amei, e as vezes não consigo perceber algo bom em uma leitura que me desagradou. Buscar visões diferentes da minha me permite trazer para vocês uma impressão mais completa, objetiva e ainda assim, sincera. Obviamente as discordâncias de opiniões entre um leitor e outro sempre existirão, isso tem muito a ver com as experiência pessoais de cada um, bem como com a forma de enxergar o mundo, as crenças e outros incontáveis fatores, então eu entendo que existem situações que simplesmente são boas ou ruins, de forma incontestável, outras no entanto, serão boas ou ruins a depender de quem está vendo e de como está sendo vista. E foi nesta segunda conjuntura que procurei abrir mais os olhos.

PROJEÇÃO DE EXPECTATIVAS
Decidi estruturar melhor as minhas resenhas, quem me acompanha desde o início deve ter percebido a diferença. Desde que esta mudança ocorreu eu procuro ser o mais objetiva possível na minha forma de expôr minha opinião, e tento evitar passar pra vocês minhas expectativas não alcançadas. Até porque qual seria o sentido disso, não é mesmo? Vocês estão aqui para saber o que eu penso a respeito da história deste ou daquele livro, e não para descobrir como eu queria que ela fosse contada. E olhando por esse lado, eu nem sou dada a fazer esse tipo de análise, pelo menos não frequentemente. Eu prefiro me ater ao que de fato está na história. Falo isso, porque também acompanho blogs e procuro resenhas para conhecer melhor histórias que pretendo ler, ou que já li. E pessoalmente, me incomodo em ler um texto onde pouco se fala sobre o enredo, e cujo foco está em como a pessoa poderia ter escrito um livro melhor, com personagens melhores e um final infinitamente mais épico que o próprio autor.


Outro ponto que quero deixar registrado é: As histórias não precisam e não devem se desenvolver todas da mesma forma, o mocinho não tem que tomar aquela decisão, naquele momento, e coisas do tipo. Exitem tramas clichês e previsíveis que seguem aquela receitinha infalível, existem tramas realistas que passam veracidade e despertam uma vasta gama de sentimentos, mas também existem enredos polêmicos com abordagens incômodas e difíceis de digerir. Como leitores, precisamos saber aceitá-las como são, sem querer impor o que gostaríamos que tivesse sido, ou julgar uma abordagem claramente mais agressiva por desejar que ela fosse mais fofa. Lembrando que aceitar não é o mesmo que concordar e achar bonito, me refiro ao fato de analisar o contexto, a época, a situação e entender se os fatos são coerentes com o que o enredo está apresentado, isso não anula seu direito de se indignar e discordar do que quer que seja, se este for o caso. Se permitam absorver a história como ela é contada, sem se prenderem a comparações desnecessárias.

REDENÇÃO ÉPICA E FINAIS DE CONTOS DE FADAS EXIGIDOS SEM PUDOR
E por fim, romances de época ou qualquer outro, não são contos de fadas, não os leia esperando o felizes para sempre perfeito, a redenção épica, os protagonistas que nunca cometem erros ou os enredos que seguem o roteiro "politicamente correto", sem curvas e nem desvios. Os livros contam os mais variados tipos de histórias, umas aceitáveis, outras nem tanto. Algumas tramas são inspiradoras, inclusivas, bem elaboradas e extremamente ricas, e outras trazem assuntos incômodos que vocês têm total liberdade de considerar desnecessários, talvez? Também existem narrativas profundas que contrastam com as mais rasas. E as polêmicas? Essas então jamais agradarão a gregos e troianos, sempre haverá alguém pra considerar que não foram trabalhadas como deviam, ou foram banalizadas demais, ou exploradas demais, e sem deixar de fora as medianas, né? A questão é, não existe uma fórmula secreta que tornará aquela história perfeita aos olhos de todos, livros quase sempre falam de pessoas imperfeitas que comentem erros, uns menores e outros imperdoáveis. Alguns evoluem a contento e outros, mesmo personagens fictícios seguem com suas falhas. Aceitar isso é o primeiro passo para se frustar menos. E não demonizar aqueles que possuem uma opinião/visão diferente da sua é essencial. Respeito é tudo! #Paz

14 comentários

  1. Cadê o gif para te aplaudir?
    Cadê? PRECISO DELE AGORA.
    Eu sou muito simples nas minhas resenhas, gosto de falar brevemente da parte gráfica, fazer um breve resumo da obra e minha opinião.
    Aprendi assim e me acostumei com isso, nunca gostei de escrever resenhas longas, me cansa! Essa sou eu, a graça da diferença entre as pessoas.
    Mas o que sempre me incomodou veras, é o tal ame ou odeie. Me deparo com pessoas que não sabem fazer crítica construtiva.
    Outro dia uma moça foi em meu blog e disse que se não gosta de um livro vai falar horrores dele e ponto. "Calma jovem". Temos que entender que cada um tem um gosto e uma opinião e cuidar disso é importante.
    Seu texto chegou uma hora ótima para minha leitura. Excelente

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  2. Olá, tudo bem? Que demais essa postagem!!! Sem dúvidas a gente aprende muito ao longo do tempo como resenhistas, eu também tenho notado bastante diferença das minhas primeiras resenhas para as mais atuais, e é muito gratificante isso. Adorei!

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  3. Que post!!!
    Acompanho seu blog desde 2016 e suas resenhas se,pre foram maravilhosas e é legal poder acompanhar seu trabalho porque muitas das suas leituras se parecem com as minhas e gosto do jeito honesto que você fala e indica livros. Acho que você amadureceu como leitora e crítica e eu só posso te aplaudir por isso.
    Beijos

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  4. Ola, tudo bem? Caramba, como você tem razão! Cada história é diferente, com pontos e reviravoltas diferentes. Já li o mesmo livro mais de uma vez e em cada vez senti algo diferente ao ler. Amei o seu texto, vou guardar uma dicas, já que estou voltando ao mundo das resenhas. bjus,
    https://ninho-de-gato.blogspot.com

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  5. Oi Delmara!

    Tudo bem? Eu consigo entender seu ponto de vista, faz algum tempo que tenho tentado escrever de uma maneira diferente também, mas por outro lado não consigo remover esse lado passional das minhas resenhas porque eu acredito que quem está lendo também precisa saber o que eu achei, o que me agradou e o que desgostei. Acredito que durante todo o texto é necessário trazer ao leitor o que nós realmente achamos, afinal se ele quisesse um texto impessoal não estaria atrás de resenhas, mas mesmo uma obra ruim (para mim) pode sim agradar outros e sempre deixo isso claro, não sou dona da verdade e porque eu não gostei não quer dizer que ninguém mais pode.

    Enfim, o texto ficou muito legal.
    Beijinhos
    www.equipenerd.com.br

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    1. Olá Jessie,
      o que eu quis dizer em meu texto é, que para sermos sinceros não precisamos ser nacionais, que podemos ser sinceros e racionais. Veja bem, somos leitores e por isso acredito que a maioria de nós consegue desenvolver um raciocínio crítico e lógico, sem deixar nossa opinião de lado. Acredito que ao falar de uma obra temos sim, que deixar claro o que pensamos dela, mas sem deixar de lado o que ela realmente é. Por exemplo, quando um leitor pega um romance pra ler, vê a capa fofinha e uma sinopse que não revela muito, daí imagina um rumo para aquela história, cria expectativas, e se durante a leitura a história toma rumos diferentes, simplesmente desgosto da história. Poderiam haver "n" fatores pra isso, mas em sua resenha deixa claro que, o livro "não é bom" porque não foi como ele imaginava, que certamente se o mocinho não tivesse agido daquela forma, ou se a mocinha tivesse dito aquela frase, teria sido muito melhor. É só um exemplo de algumas situações que vi e que me levaram a escrever esse texto. Não disse que as pessoas não devem ser sinceras e nem que tenham que remover nada. Eu disse, que como leitora, me incomoda esse tipo de texto, que eu não busco resenhas para saber o que a pessoa esperava do livro, mas sim saber do que o livro se trata, dar ênfase as suas expectativas não alcançadas ao invés de descrever o que posso encontrar na história, é meio injusto com a obra e pouco relevante para quem está lendo A RESENHA. Mas eu é que penso assim, ninguém precisa concordar ou mudar por minha opinião. Não expert no assunto e nem estou aqui pra ditar regras desse tipo, que se existem, eu certamente desconheço.

      Obrigada por compartilhar sua opinião.
      Volte sempre!

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  6. Ah já tem bastante tempo que eu tento analisar mais a escrita e contar menos com a minha expectativa dos livros, mas sendo sincera ainda uso muito dela nas minha resenha e nos meus texto, tento também colocar que aquele livro não funcionou para mim, mas que pode funcionar para você, tudo é o momento que estamos vivendo, achei bem legal seu texto e como você disse que evoluiu nos seus anos de blogueira, consigo me ver muito nele e no quanto eu fui aprendendo com o passar do tempo, mesmo ainda estando tão longe.

    Coisas de Mineira.

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  7. Oi, Delmara! Tudo bem?
    Muito legal seu texto. Às vezes eu paro e releio as minhas primeiras resenhas e comparo com as de agora, e vejo o quanto eu amadureci. Acredito que quando iniciamos é normal sermos passionais, querer passar tudo o que sentimos ao leitor. Com a prática percebemos que podemos passar a nossa opinião sem ser necessário despejar umas tonelada de sentimentos estilo "ame ou odeie", conseguimos nos tornar mais racionais. Pelo menos comigo foi assim.

    Beijos,

    Books and Movies
    www.booksandmovies.com.br/

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  8. Eu entendo perfeitamente seu ponto de vista e concordo com alguns pontos. E sou defensora do respeito pelas opiniões diferentes das nossas, pois o mínimo que devemos fazer como seres humanos é respeitar a outra pessoa.

    Recentemente eu dei minha opinião sincera num blog, em que falava que era contra aquilo de se tentar "censurar" as pessoas, como se o fato de sermos leitores e resenhistas nos obrigasse a nunca dizer que uma história é ruim. Pelo contrário! Como leitora, aprecio demais aqueles que têm a coragem de dizer com todas as letras o que pensam de determinada história e seus motivos para não gostar. Amo quando alguém diz sem medo: amei, odiei, o livro é uma porcaria, é muito ruim... e por aí vai. Gosto mais do subjetivo do que do objetivo numa resenha. Resenhas muito técnicas não costumam me agradar muito. Quero a paixão, quero ver o sentimento da pessoa naquela resenha, pois se eu quisesse só o técnico leria críticas literárias profissionais. Foi isso que eu expus num post que fiz no meu blog, intitulado "Como EU avalio minhas leituras". Defendi o fato de que nós, blogueiros, na maior parte das vezes criamos nossos blogs por amor aos livros e sem nenhuma intenção de sermos críticos literários profissionais. Queremos compartilhar o nosso amor pelos livros e por que não o nosso ódio por determinada história também? Às vezes me cansa quando só leio opiniões positivas sobre uma história, pois parece que não há sinceridade, que segue-se a correnteza. Aí quando vejo alguém trazendo um outro lado daquela história, dizendo que odiou e me mostrando seus motivos, eu me sinto mais confiante de ler e formar minha própria opinião. E é assim que eu funciono: sou extremamente sincera nas minhas resenhas. Se eu tiver que dizer que um livro é ruim eu digo sem medo, sem ficar me preocupando se o autor/editora/leitor vai ficar ofendido porque, exercendo meu direito como leitora, eu não gostei da obra. Não que não haja objetividade em minhas resenhas, só nunca, em hipótese alguma, deixo de lado o subjetivo, o passional. Não preciso abrir mão disso para ser racional, posso ser as duas coisas e são resenhas assim que mais amo, que mais aprecio. E defenderei sempre o direito que temos de dizer sim que uma história é ruim, que odiamos, que não encontramos nada de bom nela. Porque se o outro que está lendo é um ser pensante, tem um cérebro em funcionamento, sabe que o fato do resenhista dizer que o livro é ruim é opinião dele, e não uma lei. Não significa que quem está lendo a resenha é obrigado a não ler o livro e pensar como o resenhista. Somos responsáveis pelo que escrevemos e não pelo que a outra pessoa entendeu ou a decisão que vai tomar a partir daquilo.

    Sabe o que eu acho fascinante? Quando eu amo muito uma história, é uma das minhas favoritas, aí esbarro numa resenha de alguém dizendo: Fuja deste livro! É uma porcaria! Não perca seu tempo lendo essa coisa! Sim, já li gente começando as resenhas com essas palavras e nem me ofendi. Na verdade, coisas assim me divertem, mesmo que seja de um livro que amo. Porque me fazem refletir em como é bonita a diversidade, como os gostos são tão diferentes e como uma mesma história pode provocar diversas opiniões diferentes. Isso é fascinante para mim.

    Escrevi muito, né?kkkkkkk Sou sempre assim, não é à toa que minhas resenhas são longas e desagradam alguns que ficam com preguiça de ler.kkkkkkkkkk...

    Mas eu amei sim o seu post e a forma como você expôs sua maneira de enxergar as coisas, a forma como com o passar do tempo refletiu mais sobre a maneira que deseja resenhar e que é seu direito fazê-lo. Só não deixe de lado o passional, Delmara. Eu já li algumas resenhas suas, que são muito bem escritas e que geralmente tem passional e racional misturado, algo que amo. Geralmente suas resenhas me fazem desejar muito ler o livro por conta disso.

    Bjs!

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    1. Olá,
      Lendo seu texto pude constatar que a mensagem que eu quis passar nao foi recebida. Ao que parece, o que eu escrevi foi interpretado de várias formas que divergem do que eu de fato quis dizer. Então eu li e reli meu texto na esperança de encontrar uma forma de reescrevê-lo e me fazer compreender por completo, infelizmente ainda não sei que palavras eu deveria usar para isso, então vou deixar por isso mesmo.

      Obrigada por sua opinião!

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  9. Oi, Delmara!
    A leitura e a escrita de resenha faz com que a gente amadureça mesmo. Ao meu ver, resenhar é uma coisa bastante subjetiva e pessoal - assim como a leitura, já que cada um tem um repertório/experiência e isso reflete nas opiniões e gostos. É interessante que você conseguiu perceber a mudança na sua forma de escrever - e que essa mudança tenha sido lúcida e pensada - porque mostra o seu amadurecimento realmente. Boa reflexão!
    Beijos!

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  10. Olá! Acho que entendi seu ponto de vista. Entendo que cada livro, cada história, cada leitor é diferente e recebe a leitura de um modo diferente, mas acho que também dá pra perceber o que a história tem pra mostrar, mesmo eu não gostando ou não querendo, e sabendo passar isso nas resenhas.. Bom, acho válida sua opinião, e acredito que vou passar a tentar fazer isso com mais frequencia.

    Bjoxx ~ Aline ~ www.stalker-literaria.com ♥

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  11. Olá Dálmata!!!
    Eu acho que a medida que o tempo vai passando a gente vai amadurecendo e até nosso modo de ver o mundo também, então muita leitura que nos agradava vai ou continuar nos sendo boa ou vai agora nao nos agradando mais como tanto.
    Mas acho que saber que amadurecendo e que não continuamos seguindo o mesmo padrão quer dizer que nossa visão se ampliou e que podemos mostrar nossa visão de outras formas.

    lereliterario.blogspot.com

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  12. Olá, tudo bem? Eu achei o seu post MUITO necessário e acho que você conseguiu expressar bem tudo o que desejava, sabe? Eu sou blogueira a mais ou menos esse período de tempo e consigo perceber bem as minhas mudanças que foram bastante significativas, estamos em constante mudança e acho que isso mais do que qualquer coisa, é o que importa.

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