4 de agosto de 2018

[Resenha] O segredo do conde - Lorraine Heath

Olá personas!
Quem leu minha resenha de Codinome Lady V, sabe o quanto me apaixonei pelo romance descrito em suas páginas, e obviamente depois de uma experiência tão positiva eu não poderia ter ficado mais interessada na sequência, e por isso cai na velha armadilha que soma ansiedade e expectativa, ainda mais em se tratando de um livro protagonizado por um personagem tão querido como o Edward, mas como a vida é feita de aprendizados (leia rasteiras), eu me vi obrigada a guardar toda a empolgação e desfrutar do que estava reservado para essa trama, que embora não tenha atendido aos meus anseios, me trouxe grandes lições. O segredo do conde, é o primeiro livro da série Os Sedutores de Havisham de Lorraine Heath, que já possui os três primeiros volumes e um conto, publicados no exterior. A série trás a história de quatro amigos que tiveram suas vidas ligadas ainda na infância, e de suas respectivas ladys. Vamos a resenha!

O segredo do conde (The Earl Takes All)
Coleção: Os Sedutores de Havisham #02
Autor (a): Lorraine Heath @LorraineHeath
Publicação: Gutenberg *Cortesia
ISBN: 9788582355107 | Skoob
Gênero: Romance +16
Ano: 2018
Páginas: 284
Minha avaliação: 3/5★
Numa noite de verão, Edward Alcott cede à tentação e beija Lady Julia Kenney em um jardim escuro. No entanto, a paixão que ela agita dentro dele, deve ser deixada nas sombras, isto porque ela ama seu irmão gêmeo, o Conde de Greyling. Mas quando a tragédia ataca, para honrar o voto que ele faz ao seu irmão moribundo, Edward deve fingir ser Greyling até a condessa entregar seu bebê. Depois que seu marido retorna de uma estada de dois meses, Julia o encontra mudado. Mais ousado, mais atrevido e mais perverso, mesmo que ele limite seus encontros para beijos. A cada dia que passa, ela se apaixona mais profundamente. Para Edward, as brumas do desejo provocadas naquela noite há muito tempo são rapidamente reavivadas. Ele anseia ser o marido dela de verdade. Mas se ela descobrir sua artimanha, ela o desprezará - e a lei inglesa o impede de se casar com a viúva de seu irmão. No entanto, ele deve se atrever a arriscar tudo e revelar seus segredos se ele realmente deve levar tudo.
Me apaixonei pelo Edward em Codinome Lady V, dentre os quatro sedutores ele se mostrou o mais livre e apaixonado, então eu esperei ansiosamente para conhecê-lo melhor. Imaginei que sua história seria ainda mais divertida que a do Duque de Ashebury, que o contador de histórias me presentearia com sua irreverência e seu bom humor, mas não tardei a perceber que a Lorraine havia traçado um destino completamente diferente do que eu de fato gostaria. Já na sinopse é possível perceber que esta trama carrega uma carga dramática diferente da que tivemos no primeiro livro, eu não notei de cara porque torcia por algo e sonhava com minhas expectativas sendo atingidas. O fato é que não foram, pelo menos não da forma que eu esperava, o que nesse caso não pode nem ser considerado uma coisa ruim. Eu acreditei que a autora seguiria uma linha, porém ela optou por outro caminho bem mais dramático e angustiante mas de qualidade inquestionável. Me peguei então aprendendo a gostar dessa história como ela é e não como eu gostaria que ela tivesse sido.

Após um beijo roubado, Edward se apaixonou perdidamente por Júlia, e talvez ele tivesse conseguido conquistar o coração da dama caso ela já não fosse apaixonada por seu irmão gêmeo Albert, Conde de Greyling. Diante da impossibilidade de romance, Edward se calou e decidiu jogar-se de vez na vida boêmia, sem grandes feitos ou responsabilidades ele se concentrou em divertir-se como se não houvesse amanhã, o que lhe conferiu a antipatia da cunhada. Tudo muda durante uma viagem quando Albert em seu leito de morte pede a Edward que assuma sua identidade e proteja Júlia e o filho que ela carrega, o jovem libertino então se vê obrigado a abandonar seu estilo de vida desmazelado e tornar-se o melhor marido possível. Os riscos dessa empreitada vão além das altas chances de ser descoberto. Estaria ele preparado para viver sob o mesmo teto, portando-se como marido de uma mulher proibida? E Júlia, seria ela capaz de perdoá-lo pela farsa a que está sendo submetida? Um amor estrangulado que sobreviveu, a culpa por sentir, o medo da condenação, esses são alguns dos principais dramas que encenam essa história de amor sublime.

Preciso admitir que considero esse livro dramático em excesso. Acredito que o ponto mais plausível durante toda a história é a culpa que Edward alimenta por estar apaixonado pela esposa do irmão. Tudo que vem além disso foi supervalorizado. O que explica porque eu não consegui gostar da Júlia (a rainha do drama), diferente da Minerva - e digo isso tendo ciência de que ela não precisaria de forma alguma ser igual a outra -, ela é chata, uma dondoca que não tem coragem de admitir que não está satisfeita em representar o papel da mulher ideal que beira a perfeição. Não vou me prolongar nessa questão, mas fica muito claro que embora a Júlia tenha criticado Edward por seu estilo desprendido, ela no fundo tinhas certas inclinações as aventuras do rapaz, além disso ela passou a maior parte da trama se fazendo de confusa e desamparada, para num piscar de olhos se mostrar certa de seus sentimentos e intensões, de uma hora para outra não existia mais dúvidas nem pudores. Posso até estar sendo implicante mas achei algumas atitudes, decisões e declarações da personagens deveras convenientes para não dizer forçadas.

Já Edward, foi desconstruído e reconstruído com maestria. Em parte entendo que ele evoluiu diante das adversidades, mas em parte acredito que além da evolução, ele libertou algo que prendia dentro de si. Não há dúvidas de que a morte do irmão lhe forçou a colocar os pés no chão e a tornar-se responsável, mas o Edward que ampara os necessitados, que defende os seus, que se permite ferir para poupar os que ama, este já existia cativo sob a casca de um libertino. Apesar de ter gostado da jornada que se apresentou esperava um pouco mais dessa história, isso porque o drama principal se baseia em uma questão solucionada logo no inicio, e foi meio frustrante ter sacado a jogada tão prematuramente porque acabei me irritando com os personagens bancando a Dora aventureira, incapazes de enxergar o que estava bem na frente deles. Passei um pouquinho de raiva, admito.

O segredo do conde é um romance sofrido, o amor não chega fácil e quando se apresenta trás consigo obstáculos quase insuperáveis. Os dramas parecem ser dispostos em um looping infinito que angustia na mesma medida que fadiga. A narrativa me pareceu arrastada e dificultou meu ritmo de leitura. Me apaixonei ainda mais pelo Edward e passei a admirá-lo por suas conquistas e evolução, e mesmo que involuntariamente aprendi a aceitar as limitações de Júlia, personagem que conquistou e manteve minha antipatia desde o primeiro livro. Ter descoberto o "X" da questão logo nas primeiras páginas, tornou o enredo moroso pra mim. No mais é uma boa história, com uma trama capaz de emocionar em alguns momentos, personagens bem construídos e um desfecho digno depois de tantas adversidades. Particularmente gostei bem mais do primeiro, mas há quem discorde. Agora mais do que nunca quero conhecer a fundo a história de Locksley, desejo descobrir os medos que o mantém tão a margem de tudo (embora já desconfie do que se trata) e os mistérios que ele esconde embaixo de uma grossa camada de polidez e discrição, então que venha o próximo livro.

Um comentário

  1. Oi!
    Menina, você pensou o mesmo que eu. Fiquei com aquela coisa de que o Edward era farrista e que isso iria ser o ponto de início da história, para a mudança que iria ocorrer, mas na verdade encontramos algo mais debaixo de toda a máscara. Ele é atencioso, gentil e se preocupa com as pessoas, coisas que eu imaginei que fosse ser desenvolvido na trama e não que ele já tivesse a característica. Senti falta de mais momentos divertidos na história, Codinome Lady V foi repleto deles, mas ainda assim eu gostei bastante da obra.
    Beijos
    http://www.suddenlythings.com/

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