[Resenha] Divinos Rivais - Rebecca Ross

4 de janeiro de 2024

Olá pessoal!
Hoje eu quero falar sobre a melhor história que li ano passado. Antes de tudo preciso admitir que comprei este livro primeiramente pela estética e segundamente pelo hype gigantesco que ele está tendo, e posso falar? Nunca fui tão feliz com uma aquisição. Já faz alguns anos que busco "romantasias" que consigam equilibrar de forma satisfatória os elementos românticos e fantásticos que dão vida a trama, mas poucas vezes alcancei este feito. Felizmente, posso dizer que Divinos Rivais atendeu muito bem as minhas expectativas e me proporcionou uma experiência de leitura incrível. O primeiro título da duologia Letters of Enchantment se tornou um fenômeno mundial entre os leitores do gênero, em parte por desenvolver um romance arrebatador e em parte porque a autora soube como tornar sua história extremamente atrativa, revelando informações de forma muito bem pensada e retendo-as de maneira estratégica. Além disso, não posso deixar de mencionar o trabalho primoroso que a editora Alt dedicou a diagramação deste livro tornando a edição nacional uma verdadeira obra de arte.

Divinos Rivais (Divine Rivals) 
Coleção: Letters of Enchantment #01
Autor (a): Rebecca Ross @_RebeccaRoss
Publicação: Alt 
ISBN: 9786585348164 | Skoob
Gênero: Fantasia
Ano: 2023
Páginas: 464
Minha avaliação: 5/5★
Após séculos adormecidos, os deuses estão em guerra novamente. No entanto, a única preocupação de Iris Winnow, uma jovem jornalista de dezoito anos, é manter sua família unida e em segurança. Enquanto a mãe de Iris sofre para superar um vício e o irmão está desaparecido em meio às trincheiras da guerra, a melhor forma de a garota atingir seu objetivo é conquistando a vaga de colunista no jornal onde trabalha, a Gazeta de Oath. Enquanto isso, para lidar com suas preocupações, Iris escreve cartas para o irmão. Porém, misteriosamente, elas vão parar nas mãos de Roman Kitt, seu insensível e fascinante rival na redação do jornal. Quando ele passa a responder anonimamente as cartas, os dois criam uma conexão mágica que seguirá Iris até a linha de frente da batalha, em uma busca por seu irmão, pela salvação da humanidade e pelo amor.

Já nem me lembro a última vez que fiquei tão satisfeita ao acompanhar a construção de um casal, Roman e Íris são maravilhosos separados, mas juntos são esplêndidos. Sempre que faço uma leitura como esta costumo esperar alguns dias para escrever a respeito pois tenho plena consciência de que durante meus surtos apaixonados perco completamente minha objetividade, então deixo a empolgação diminuir. Mas sinto informar-lhes que desta vez não foi possível, este livro não sai da minha cabeça e cada vez que penso nele (o tempo todo) eu consigo amá-lo ainda mais. A Rebecca Ross foi certeira aqui, e se existe algum defeito nesta obra eu simplesmente não consegui encontrar. Os personagens são carismáticos e possuem histórias de vida bem desenvolvidas, o cenário é interessante, o enredo é viciante e a narrativa é espetacular. Divinos Rivais, despertou em mim uma fome desmedida que me fez devorá-lo em pouco tempo, e ao finalizá-lo desejei voltar ao início e passar por todo o processo de novo, e de novo. Os elementos fantásticos que compõem a trama também são de tirar o fôlego, a guerra travada entre dois deuses é misteriosa e desoladora, e a cada novo fragmento revelado se faz mais intrigante

Íris não conseguiu cumprir a promessa que fez ao irmão no dia em que ele partiu para guerra, ela deveria estudar e cuidar da mãe deles, mas a partida repentina de Forest abalou completamente o frágil equilíbrio familiar que eles mantinham. Sozinha, ela acompanhou o processo de deterioração da mãe que, com o intuito de anestesiar a dor causada pela partida do filho, se jogou na bebida e deixou a existência da garota ainda mais difícil. Se encolher em um canto e sofrer nunca foi um opção para Íris, então ela encontrou um emprego na Gazeta de Oath, um dos jornais de maior prestígio da cidade, e iniciou uma disputa pela vaga de colunista com Roman, um jovem bem apessoado que detém todos os privilégios com os quais Íris jamais ousou sonhar. Em paralelo a isso, ela começa a escrever cartas para o irmão mas suas mensagens chegam magicamente as mãos de Roman que decide tornar-se seu correspondente anônimo. E é assim, meio sem querer e sem saber, que eles dão início a uma caminhada árdua em direção a uma história de amor épico.

Muito se falou sobre o fato de Íris e Roman não serem realmente rivais, e eu acredito que existe uma enorme diferença entre rivalidade e inimizade. A disputa profissional dos dois alimenta uma rivalidade permeada por provocações mas isso não os impede de, mesmo que de maneira furtiva, admirar mutuamente um o trabalho do outro. E se existe uma verdade incontestável nesta história, é que Íris e  Roman nunca foram inimigos, isso fica evidente já nas primeiras páginas uma vez que antes mesmo de ter a chance de pensar a respeito ambos dão sinais claros de que estão emocionalmente envolvidos. A determinação de Íris somada a sua força e inteligência, faz dela uma personagem admirável. Sua lucidez exacerbada divide espaço com a impulsividade louca que a domina sem aviso prévio e faz dela uma mulher impossível de ser controlada. E em contraponto a isso temos Roman, aprisionado em sua armadura impecável exalando equilíbrio e disciplina, uma fachada lustrosa que esconde um homem desesperado para se livrar da culpa e da solidão. Eles possuem perspectivas e trajetórias totalmente distintas mas a aproximação inesperada dos dois revela feridas, medos e dores sustentados de formas absolutamente iguais.

Mesmo sendo completamente apaixona pelo casal protagonista, eu preciso admitir que esta história não pertence exclusivamente a eles. A guerra entre os deuses Enva e Dacre rege grande parte dos conflitos presentes na trama, mas a origem de tudo se esconde por trás de uma cortina nebulosa de mitos e especulações. Ao que parece tudo se resume ao fato de que Dacre, um dos deuses inferiores, entediado com a monotonia de sua imortalidade decidiu que capturaria um de seus inimigos, bem assim do nada. Mas ele não queria qualquer inimigo, o deus da da vitalidade e da cura desejava ter para si a divindade celeste mais querida, e esta era obviamente nossa doce Enva, responsável por transportar as almas dos mortais no pós vida com sua música encantadora. Para alcançar Enva, Dacre não só se recusou a curar como também atacou e matou inúmeros seres inocentes e após capturá-la e levá-la para as profundezas ele finalmente se acalmou e permitiu que a paz reinasse. Contudo, infeliz,  Enva fugiu e retornou para o reino celeste onde com a ajuda de seus pares travou a batalha que derrotou Dacre. Séculos se passaram e eis que Dacre despertou de um longo sono mágico e sedento por vingança ele está novamente em busca de Enva e os artifícios para atraí-la ainda são os mesmos, matar e aterrorizar vidas inocentes. Já Enva, ao invés de confrontar Dacre tem se empenhado em convocar humanos, com sua música mágica, para lutarem uma guerra impossível contra um deus implacável. Juro que a esta altura do campeonato desprezo Enva e Dacre na mesma medida.

Divinos Rivais possui qualidade inenarrável, e conta uma história dentro da história. A escrita da Rebecca é atraente e nos cativa já nas primeiras páginas, eu me vi virando página após página completamente presa e desejosa por mais. O ponto alto da trama é a construção gradual do romance entre Roman e Íris, somos tomados por uma expectativa deliciosa que nos acompanha por muitos capítulos. Eu fiquei completamente fascinada pela devoção de Roman, ele percebe e admite antes de Íris que está apaixonado e mesmo não encontrando as palavras de imediato, ele demonstra com diversas ações o quanto ela é importante para ele. Já Íris me conquistou por completo no instante em que, mesmo de forma involuntária, deixou transparecer sua vulnerabilidade, é impossível não se solidarizar com os medos e as dores que ela carrega, ainda mais quando a acompanhamos de pertinho tentando desesperadamente esconder suas feridas e transparecer uma força que ela quase já não sustenta mais. Indo além deste casal magnífico, eu ainda estou curiosíssima para descobrir mais detalhes sobre o mito dos deuses, imagino que existem informações importantíssimas que se revelarão em breve e podem ou não mudar a forma que enxergamos Enva e Dacre. No mais, reitero que esta foi a melhor leitura que fiz ano passado e por isso indico sem reservas.

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