Resenha #208 Como ela sabe o que eu penso? - J.C.Virgínio

19 de julho de 2016

Oi pessoal!
Estão lembrados desse carinha aqui? Como ela sabe o que eu penso?, foi apresentado a vocês na coluna Dia de nacional e hoje trago uma impressão mais completa para que vocês finalmente saibam tudo o essa história singular lhes reserva. Ao ler a sinopse desse livro pela primeira vez fui assolada por uma curiosidade extrema, como assim ler os pensamentos através do toque das mãos? Acredito que assim como eu, muitos ficaram interessados em descobrir como um romance que conta com um "toque" extra tão peculiar se desenrolou no final das contas. Curiosos? Então confiram a resenha.



Titulo: Como ela Sabe o Que eu Penso?
Autor(a): J.C.Virgínio
Editora: Talentos da Literatura Brasileira
Ano: 2016
N° de páginas: 173
O que você faria se descobrisse que a pessoa que você ama e com a qual pretende se casar pode ouvir seus pensamentos toda vez que segura sua mão, mas nunca disse uma palavra sobre isso? Anne é uma jovem arquiteta, bonita e bem-sucedida, que tem o que muitas mulheres gostariam de ter: a capacidade de ouvir os pensamentos de seu amor. Apaixonou-se à primeira vista por Eduardo, sabendo de antemão tudo o que se passava em sua cabeça. Eduardo não acredita que alguém tão especial possa se apaixonar por um homem comum sem ser ciumenta e possessiva. Anne não revela ao parceiro sua curiosa habilidade, mas não consegue se controlar ao ouvir os pensamentos estereotipados dele. Acompanhe esta história e ria, emocione-se e divirta-se!

Desde a primeira vez que Anne viu Eduardo, algo se transformou dentro dela, apesar disso sua timidez a impediu de se aproximar e descobrir onde essa sensação a levaria de fato. No entanto, cinco anos depois ela se vê novamente cara a cara com aquele que tem povoado seus pensamentos, e após um primeiro contato meio desastrado Anne descobre que pode ouvir os pensamentos do rapaz, mas não sem antes lhe dar um pequeno choque. Isso mesmo que vocês leram, ao tocar a mão de Eduardo a jovem lhe transmite uma pequena corrente elétrica que lhe permite ouvir os pensamentos dele. Situação duplamente incomum, não é mesmo? Apesar disso nenhum dos envolvidos se importa com essa situação inusitada, ambos estão encantados e não pretendem deixar passar a oportunidade de se conhecerem e quiçá se relacionarem.

A escrita informal do Jean confere a trama uma desenvoltura ainda maior, o que facilita o entrosamento e aumenta a credibilidade dessa história tão surreal. O fato de não termos uma explicação definida para esse "dom?" de Anne não chega a incomodar, pois mesmo a narrativa ocorrendo na terceira pessoa, expressa apenas os fatos que os envolvidos tem conhecimento, e Anne nuca teve certeza do porque dela ter essa capacidade, mesmo que ela já tenha dado choque em seu pai durante a infância, Eduardo é o primeiro que ela consegue ouvir os pensamentos. Confesso que quando iniciei a leitura, achei invasivo e desonesto o fato dela continuar ouvindo tudo o que ele pensava sem lhe informar o que estava acontecendo, mas conforme os pensamentos de Eduardo iam se revelando dei completa razão a garota.

Não que tamanha invasão de privacidade se justifique, mas Anne amava e desejava verdadeiramente ter um relacionamento com Eduardo, que por diversas vezes se mostrou no mínimo um escroto de marca maior, com sua mente extremamente afiada por pensamentos que iam do machismo ao possível adultério. Não sou ingênua ao ponto de acreditar que os pensamentos sexistas do personagem sejam mera ficção, muito pelo contrário, tenho certeza que muitos homens, se não todos (pelo menos em um ou outro momento da vida) pensam: "nossa que mulher gostosa" ou "preciso pegar ela", o fato de essas e outras expressões terem surgido com certa frequência nos pensamentos de Eduardo me incomodaram um pouco. Mas o mais difícil de digerir, foi o fato de Anne "ouvir" tudo isso e achar tudo muito normal, afinal os homens pensam essas coisa mesmo, né? Eu sinceramente acho que não. Não achei normal Eduardo estar com Anne e pensar tão descaradamente em "se aliviar" com outra, e se esse tipo de pensamento é comum na mente de todos os homens como o autor quis passar, eu jamais saberia lidar com um "poder" como esse, no mínimo eu morreria solteira (e feliz), porque sou extremamente drástica com minhas opiniões de valores. 

Em contrapartida a evolução de Eduardo é nítida, conforme seu envolvimento com Anne vai amadurecendo é possível vê-lo abandonando, pelo menos em parte, certas ideologias furadas. Outro ponto no qual o personagem apresentou crescimento considerável foi em sua insegurança diante do fato de Anne ser uma arquiteta bem sucedida e com um poder aquisitivo confortável, diferente dele que mesmo cheio de projetos promissores, não estava tão estável financeiramente. Essa situação incômoda para Eduardo foi uma das poucas coisas que ele não conseguiu externar, mas que felizmente com o desenrolar da trama foi perdendo força. Já Anne sempre se mostrou uma personagem mais tranquila e sem muitas neuras, apesar de mimada e inflexível em determinadas situações, suas inseguranças se resumiam basicamente a se Eduardo a amaria e a aceitaria de verdade, bem mais compreensíveis, pelo menos pra mim. 

Como ela sabe o que eu penso?, foi uma leitura cheia de altos e baixos, com um desfecho extremista porém surpreendente e necessário. Em um conjunto geral posso dizer que a carga dramática é bem maior que a humorística, poucos foram os momentos em que eu ri com a leitura, mas por outro lado senti raiva, me solidarizei e torci, mas torci loucamente para que Eduardo abandonasse seus pensamentos engessados e jurássicos, e por fim, quero acreditar que isso de fato ocorreu. Além disso, a trama nitidamente nos faz refletir sobre os limites que devem existir para que uma relação seja saudável para ambas as partes e que ultrapassar esses limites poderá acarretar sérias consequências aos envolvidos, bem como nos mostra que o respeito é essencial para se desenvolver a confiança necessária para que um envolvimento se torne real e duradouro. Recomendo a leitura para quem está a procura de uma premissa singular, permeada de clichês e que se desenvolve de forma naturalmente leve, com um toque de humor.  

Cortesia: J.C.Virgínio
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[Resenha] Talvez um dia - Colleen Hoover

14 de julho de 2016

Oieee!
Sabe quando você está nadando contra a maré, mas nenhum esforço é suficiente pra te levar onde você quer ir? Então, esta sou eu tentando não ler esse livro. Genteee, daqui a pouquinho o ano acaba e eu quase não li nenhum livro da minha minha meta anual, são tantos lançamentos... E esse eu quis ler de imediato, se não bastasse ser uma obra da diva Colleen Hoover, ainda tive que lidar com o bombardeio de críticas positivas e os milhares de elogios, por isso e somente por isso eu sucumbi. Não aguentei mais e li mesmo, agora estou aqui para contar pra vocês o resultado disso. Vamos lá!

Talvez um dia (Maybe Someday)
Coleção: Maybe #01
Autor (a): Colleen Hoover @colleenhoover
Publicação: Galera recod
ISBN: 9788501050311 | Skoob
Gênero: Romance +16
Ano: 2016
Páginas: 368
Minha avaliação: 5/5★
Sydney acabou de completar 22 anos e já fez algo inédito em sua vida: socou a cara da ex- melhor amiga. Até hoje, ela não podia reclamar da vida. Um namorado atencioso, uma melhor amiga com quem dividia o apartamento... Tudo bem, até Sydney descobrir que as duas pessoas em quem mais confiava se pegavam quando ela não estava por perto. Até que foi um soco merecido. Sydney encontra abrigo na casa de Ridge. Um músico cujo talento ela vinha admirando há um tempo. Juntos, os dois descobrem um entrosamento fora do comum para compor e uma atração que só cresce com o tempo. O problema é que Ridge tem uma namorada, e a última coisa que Sydney precisa agora é se transformar numa traidora.
Desde o meu primeiro contato com a escrita da Colleen Hoover soube que leria tudo que essa mulher publicasse, dois anos depois ainda estou bem longe de cumprir com esse desejo, mas estou na luta, quando soube do lançamento de Talvez um dia, admito que me juntei aos fãs da escritora e fui a loucura, estava desesperada para descobrir o que ela havia nos reservado dessa vez. E quando finalmente li o livro me vi dividida, entre o que a autora quis passar e o que eu realmente achei da história, no final das contas decidi ficar com o que eu senti, e é isso que irei contar pra vocês agora.

Resenha #206 O príncipe das sombras - Sylvain Reynard

12 de julho de 2016

Oi pessoal!
Já faz um tempinho que li a trilogia Inferno de Gabriel, e quem leu as resenhas sabe o quanto eu curti a história que foi inspirada em A divina comédia, de Dante Alighieri. Agora tive a oportunidade de conhecer mais uma obra publicada por Sylvain Reinard e me deparei com a feliz descoberta de que mesmo O príncipe das sombras possuindo uma pegada sobrenatural o que difere completamente dos livros da trilogia, possui uma ligação direta com Júlia e Gabriel, isso mesmo que vocês leram, temos mais do casal Emerson nessa nova série do autor canadense. Querem saber onde os pontos se ligam? Come on!


Titulo: O Príncipe das Sombras (Noites em Florença #0.5)
Autor(a): Sylvain Reynard
Editora: Arqueiro
Ano: 2015
N° de páginas: 128
Um conjunto muito valioso de ilustrações de Botticelli sobre A divina comédia, de Dante Alighieri, é exposto na Galleria degli Uffizi, em Florença. O dono das peças é o famoso professor de literatura Gabriel Emerson. Quando se deixou persuadir por sua amada esposa, Julianne, concordando em dividir com o mundo a beleza daquelas obras de arte, Gabriel jamais poderia imaginar que estaria atraindo para si um poderoso inimigo. Mais de um século antes, aquelas mesmas ilustrações foram roubadas de seu verdadeiro dono, o Príncipe de Florença, uma criatura sobrenatural e misteriosa que governa o submundo da cidade e há muito não sabe o que é o amor. Agora um dos seres mais perigosos da Itália está disposto a recuperar o que lhe pertence e se vingar de Gabriel e Julianne. Mas logo seus planos são frustrados. Um atentado o obriga a deixar os Emersons de lado, afinal ele precisa resolver assuntos muito mais importantes. Tanto seu principado quanto sua própria vida parecem estar em risco. Passado na cidade mais artística da Itália, O príncipe das sombras é uma incrível introdução à nova série de Sylvain Reynard, Noites em Florença, e vai deixar os leitores com gostinho de quero mais. 
Recentemente eu ganhei o livro A transformação de Raven, primeiro livro da série Noites em Florença, mas ao tomar conhecimento de que havia uma obra introdutória quis conhecer de imediato, mal sabia eu que iria reencontrar Gabriel e Júlia, meu casal querido da trilogia Inferno de Gabriel. Mas assim que tomei conhecimento do fato fiquei ainda mais empolgada pela leitura, admito que pelos motivos errados, já que o enfoque do livro é no tal príncipe das sombras, e por essa expectativa mal direcionada posso não ter desfrutado do livro de forma plena.

Júlia e Gabriel estão mais uma vez em Florença, desta vez eles vem como anfitriões de uma grandiosa exposição, o professor Emerson resolveu finalmente ceder aos pedidos da esposa e compartilhou com o mundo as ilustrações de Botticelli sobre A divina comédia, de Dante Alighieri, que lhe pertencem e que jamais foram expostas ao público. Apaixonados pela arte, eles decidem expor a beleza das ilustrações na Galleria degli Uffizi, que eles conhecem tão bem. Embora seja um exímio conhecedor de tais obras, Gabriel não faz ideia de toda a história sombria que se esconde por trás das ilustrações e apesar de ter entrado em alerta imediato após cruzar com um observador sombrio durante a exposição, não imagina o perigo que ele e sua amada Juliane estão correndo. 

Considerado uma criatura sombria e sem qualquer sentimento, residente do submundo florentino, o Príncipe de Florença, mantém o foco em seu objetivo maior, reaver as ilustrações de Botticelli, que foram roubadas de seu acervo pessoal a séculos e destruir o casal que se auto intitulam donos daquilo que lhe pertence. Tomado pelo ódio e uma sede de justiça deturpada o Príncipe sombrio não poupará esforços e não terá misericórdia, Gabriel Emerson e sua esposa devem morrer da forma mais lenta e dolorosa possível. No entanto, uma ameaça externa a seu principado o obriga a desviar o foco, o que pode ser a chance de salvação do casal Emerson, mas até quando o ser sobrenatural e perverso deixará impune a afronta inconsciente que lhe foi feita? 

Tenho que admitir que esse contanto inesperado com Júlia e Gabriel, me afetou bastante. Eu já estava conformada com o final da trilogia e não pensava de forma alguma em seus protagonistas, mas o fato do autor tê-los trazido de volta nesse momento e nem de longe como meros coadjuvantes, me fez desejar mais espaço para eles nos próximos livros da série, pelo menos até que ocorra o desfecho do novo dilema dos dois. Exatamente isso, o autor abriu uma porta gigantesca que torna o futuro do casal Emerson incerto e provavelmente muito doloroso e deixo claro que não me refiro a provável vingança do Príncipe sombrio. Isso está me tirando o sono, não consigo prever o que está por vir para esses dois e não entendo o porque de tal dramaticidade nesse momento, isso sem sombra de dúvidas acabou desviando boa parte da minha atenção.

Voltando ao protagonista, tenho que admitir que ainda não estou muito convencida. Durante toda a leitura, percebi que o autor desejava desesperadamente impor um ser maligno, inflexível e impiedoso, mas as vezes era possível vislumbrar certos conflitos de personalidade, acredito que conforme os demais livros da série forem sendo lançados compreenderemos melhor o que se passa com o Príncipe, que aparentemente, perdeu sua humanidade no decorrer dos séculos e acabou por se tornar um ser assombroso, além disso a ameaça iminente ao seu principado e o risco contínuo de traições, não lhe permitem demonstrar fraqueza diante dos seus inimigos e muito menos de seu "aliados". Mas seria o príncipe um ser completamente desprovido de emoções? Estou apostando todas as fichas no 'não'.

O príncipe das sombras, é uma obra introdutória, que serve para nos preparar para o que está por vir e instigar nossa curiosidade a cerca desse ser sobrenatural que transborda poder e mistério, além disso nos proporciona um breve vislumbre da vida atual dos protagonistas da trilogia Inferno de Gabriel, despertando saudade e mais uma vez curiosidade pelo futuro incerto de ambos. Apesar das decapitações e dos poderes sobrenaturais, essa não chega a ser uma trama eletrizante, pode-se dizer que a narrativa é mediana, embora um pouco massante. Estou na torcida para que a trama do próximo livro seja mais atraente. Apesar de não ter gostado tanto do conjunto da obra, irei dar três estrelas devido a participação dos Emersons que foi a parte que mais me agradou na leitura.

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Resenha #205 O diário internacional de Babi - Chris Salles

8 de julho de 2016

Oi pessoal!
Hoje estou trazendo pra vocês a resenha de um dos maiores fenômenos do Wattpad, quem usa a plataforma sabe bem e quem não usa vai saber agora. O diário internacional de Babi, ganhador Watty2015 (prêmio que homenageia os livros mais populares da plataforma), será lançado pela Ed. Planeta de Livros Brasil apenas no final de julho, mas a editora nos enviou uma prova antecipada e depois de devorar o livro, não me contive e corri aqui para contar tudo (ou pelo menos quase tudo), pra vocês. Chega mais, vamos contagiar o mundo com a minha empolgação.


Titulo: O diário internacional de Babi
Autor(a): Chris Salles
Editora: Outro planeta
Ano: 2016
N° de páginas: 298
Mudar nunca foi a palavra preferida de Bárbara. Porém, depois da separação dos pais, a garota de 15 anos se vê obrigada a migrar com a mãe e os irmãos para Orlando, a cidade americana onde os sonhos ganham vida. E descobre que a fronteira entre o real e o ilusório pode ser mais difícil do que parece. 
Meu interesse por esse livro foi imediato, assim que soube do lançamento desejei lê-lo, primeiro porque (já repeti mil vezes) amo juvenis e segundo porque só tenho tido boas experiências com o selo Outro planeta, além de que fiquei super interessada pela premissa, sendo assim não pensei nem duas vezes antes de agarrar com todos os membros do meu corpo a oportunidade de conhecer essa história antes do lançamento. O que nos trás a esse momento do mais puro e completo deslumbramento, em que estou vivendo.

Bárbara estava feliz com sua vida em Estrela, amava sua escola e seus amigos e nunca havia cogitado sair de lá, mas após o divórcio dos pais a garota se viu obrigada a deixar tudo para trás e partir com a mãe e os irmãos rumo a um recomeço em Orlando (terra do Mickey), a cidade dos sonhos. Mas só se for os sonhos dos outros, porque Bárbara queria mesmo é permanecer no Brasil ao invés de ter que se adaptar com outras pessoas, outra língua e em outro país. Se não bastasse todas essas mudanças impostas, ela ainda terá que lidar com o fato de ser um grande imã que atrai para si as mais diversas confusões. Através do seu diário, Babi nos apresenta suas dúvidas, dilemas, e micos, muitos micos mesmo.

Apesar de não utilizar a plataforma Wattpad, tenho plena consciência de que muitos livros bons são revelados por lá, o fato desse ter se destacado não só pelo número de leituras, mas também ter recebido um prêmio, elevou minhas expectativas a um nível considerável. Expectativas essas que além de alcançadas, foram também superadas, já que de cara somos fisgados pela escrita dinâmica e envolvente da Chris, e conforme vamos avançando na leitura que é 100% narrada pela Babi em seu diário, vamos nos envolvendo e encantando com a protagonista super carismática. Por ser uma leitora assídua de livros do gênero, sei o quanto é comum nos irritarmos vez ou outra com alguma atitude de personagens adolescentes, mas por incrível que pareça, não experimentei essa sensação em nenhum momento durante toda a trama, mesmo sendo muito estabanada e se metendo nas mais diversas enrascadas, Babi me cativou do inicio ao fim da leitura.

A escrita da autora é leve e flui facilmente, prova disso é a facilidade com a qual eu me perdi no tempo enquanto concluía a leitura em algumas poucas horas. O envolvimento é tão natural, que diversas vezes me senti como se estivesse vivenciando cada acontecimento narrado nesse diário. Uma trama bem construída que não deixa margem para dúvidas, o enredo é completo e realístico, a gama de personagens é riquíssima e cada um possui um peso com maior ou menor relevância para o amadurecimento da história. A relação da protagonista com a mãe e os irmãos, é um dos pontos importantes que nos faz refletir a cerca da real importância que as palavras não faladas possuem para se manter um bom relacionamento familiar. A vezes pensamos que por sentirmos tudo tão intensamente, nossos esforços e mágoas que estão sempre ali na superfície são perceptíveis a todos, o que nem sempre (quase nunca) ocorre de fato, o que nos trás a importância da exteriorização dos nossos sentimentos, nem que seja no meio familiar mais próximo.

O diário internacional de Babi, é uma história adolescente em todos os sentidos, cheio de dramas e exageros, mas acima de tudo é um livro incrivelmente adorável, capaz de despertar aquele sorriso bobo que surge quando se está absorto em uma narrativa irreverente. Tudo isso somado a um romance singelo, construído pacientemente enquanto desviava de maus entendidos e decisões precipitadas, foi capaz de preencher e trasbordar meu coração (eternamente adolescente). Além disso contamos com a composição de uma playlist incrível, e a cada capítulo somos presenteados com uma indicação maravilhosa. Indico esse livro para todos, mesmo aqueles que não curtem juvenis, se você é ou já foi (algumas pessoas dizem ter pulado essa fase) adolescente em algum momento da sua vida, leia esse diário, tenho certeza que a escrita da Chris irá te prender e apresentar a uma história maravilhosa que no mínimo te arrancará muitas risadas. Por fim, como não desejar mais e mais dessa história? Por sorte já posso adiantar que a autora está trabalhado na sequência, que torço para que não demore a sair.

Está tentando sair de uma ressaca literária? Então corre, esse é o livro certo.

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Resenha #204 Anna vestida de sangue - Kendare Blake

5 de julho de 2016

Oi galerinha!
Aqui estamos nós, mais uma vez! E para não perdermos o costume, senta que lá vem resenha bafônica. Sinceramente eu não imaginava o que encontraria nas páginas de Anna vestida de sangue, mas apesar do receio resolvi arriscar e matar minha curiosidade crescente e descobrir os mistérios em que essa garota estava envolvida e olha, o negócio apesar de não ser aterrorizante, é bem sinistro.


Titulo: Anna vestida de sangue (Anna #01)
Autor(a): Kendare Blake
Editora: Verus
Ano: 2016
N° de páginas: 252
Cas Lowood herdou uma vocação incomum: ele caça e mata os mortos. Seu pai fazia o mesmo antes dele, até ser barbaramente assassinado por um dos fantasmas que perseguia. Agora, armado com o misterioso punhal de seu pai, Cas viaja pelo país com sua mãe bruxa e seu gato farejador de espíritos. Juntos eles vão atrás de lendas e folclores locais, tentando rastrear os sanguinários fantasmas e afastar distrações, como amigos e o futuro.Quando eles chegam a uma nova cidade em busca do fantasma que os habitantes locais chamam de Anna Vestida de Sangue, Cas espera o de sempre: perseguir, caçar, matar. Mas o que ele encontra é uma garota envolta em maldições e fúria, um espírito fascinante, como ele nunca viu. Ela ainda usa o vestido com que estava no dia em que foi brutalmente assassinada, em 1958: branco, manchado de vermelho e pingando sangue. Desde então, Anna matou todas as pessoas que ousaram entrar na casa vitoriana que ela habita. Mas, por alguma razão, ela poupou a vida de Cas. Agora ele precisa desvendar diversos mistérios, entre eles: Por que Anna é tão diferente de todos os outros fantasmas que Cas já perseguiu? E o que o faz arriscar a própria vida para tentar falar com ela novamente?
Desde a morte brutal de seu pai, Cas tomou para si a responsabilidade de caçar e matar os mortos que teimam em vagar pelo mundo dos vivos, cometendo os mais bárbaros assassinatos. Intrigado pela história da sua mais recente caça, ele se vê diante de um desafio incomum, seria ele capaz de finalizar esse último trabalho, antes de partir em busca da criatura que matou seu pai? Anna está morta a mais de cinquenta anos, e pouco se sabe da sua história, ou o que a tornou um ser tão cruel e poderoso. Cas precisa destruir essa entidade que mata com uma facilidade assustadora todos aqueles que ousam pisar em sua casa. Em uma tentativa mal sucedida de reconhecimento de campo, o jovem caçador de fantasmas se vê cara a cara com Anna e de imediato percebe que ele jamais seria páreo para ela, mas Anna contrariando todas as expectativas sequer tenta atacar o rapaz. Agora ainda mais curioso e envolvido com o fantasma de Anna, Cas se lança na busca de respostas as suas infindáveis perguntas. O que está por trás da história dessa garota e o que a impediu de mata-lo, são questionamentos que dominam cada instante dos dias de Cas, que não descansará até solucionar o mistério e terminar mais esse trabalho.

Embora Cas seja determinado e deveras corajoso, ele é apenas um garoto com uma missão imensamente assustadora, diga-se de passagem. Eu não teria coragem nem de cogitar a possibilidade de caçar um fantasma, quem dirá viajar de um lado para o outro em busca de vários deles. Mas todo esse trabalho de Cas, funciona nada mais, nada menos que um treinamento para ele. O rapaz busca se aperfeiçoar e ganhar força para poder matar aquele que ele estuda a mais de dez anos. A criatura que matou seu pai, é o ser mais poderoso que ele tomou conhecimento, até ele se encontrar com Anna vestida de sangue. A morte de Anna apresenta várias lacunas, que podem ser fatores determinantes, para se compreender tudo o que ela se tornou, e enquanto as peças do quebra cabeça vão se juntando o leitor pode se deliciar com um suspense ora sutil, ora assustador.

O livro é narrado em primeira pessoa por Cas, um personagem sarcástico, detentor de um humor ácido e super irreverente, o que facilita o entrosamento com a história. Mesmo não sendo um livro de terror extremo, possui um enredo que transborda horror. Anna é violenta e protagoniza cenas sangrentas e pavorosas, extremamente imprevisível, a jovem morta nos deixa intrigados com sua história passada e presente. Mas em paralelo a isso, conhecemos diversas histórias de fantasmas que habitam as caçadas do passado de Cas e nos envolvemos com personagens secundários, que apesar de terem tido pouco espaço significativo na trama, chamam atenção por disporem de carisma em excesso. A interação entre os personagens se da de forma natural e agradável de se ler, Kenadare Blake, possui uma escrita dinâmica e envolvente que da vida a uma trama deliciosamente peculiar.

Anna vestida de sangue é o primeiro livro de uma duologia, descobrir isso me deixou extremamente feliz, já que não estava conseguindo me conformar com o desfecho que apesar de ocorrer com maestria e deixar todas pontas bem amarradinhas, sugere a possibilidade de uma reviravolta impressionante. Se por acaso fosse obrigada a imaginar para sempre o que teria acontecido depois daquela última página, não sei o que seria da minha sanidade, pois terminei o livro essa madrugada e desde então não consigo parar de pensar nos possíveis caminhos que esses personagens queridos, aos quais já me sinto ligada, poderiam ter trilhado. Agora só me resta torcer muito pra sequencia não demorar a sair. Recomendo o livro para aqueles que já curtem o gênero e para os que querem ler um suspense bem construído, mas que não fará seu coração parar em definitivo durante a leitura, embora certamente ele irá acelerá em diversas cenas.

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Resenha #203 Garoto 21 - Matthew Quick

2 de julho de 2016

Oi pessoal!
Finalmente tive minha primeira experiência com a escrita do Matthew, apesar de possuir outro títulos dele na minha estante, nunca havia tido o incentivo necessário para desbravar pelos mundos criados por esse autor tão aclamado. Mas como tudo na vida tem o tempo certo para acontecer, eis que eu resolvi dar uma olhada nas primeiras páginas de Garoto 21, e foi assim, sem pretensão nenhuma que fui fisgada de cara por essa história que transborda encanto.


Titulo: Garoto 21
Autor(a): Matthew Quick
Editora: Intrínseca
Ano: 2016
N° de páginas: 272
Repetir um movimento várias e várias vezes ajuda a clarear a mente uma lição que Finley aprendeu muito cedo, nas quadras de basquete. Numa cidade comandada pela violência do tráfico e da máfia irlandesa, vestir a camisa 21 e dar o sangue em quadra é sua válvula de escape. Vinte e um também é o número da camisa de Russ, um gênio do basquete. Ou pelo menos era. Recém-chegado à cidade de Bellmont depois de ter a vida virada de cabeça para baixo por uma tragédia, a última coisa que ele quer é pegar de novo numa bola. Russ está confuso, parece negar o que lhe aconteceu e agora se autointitula um alienígena de passagem pela Terra. Finley recebe a missão de ajudá-lo a se recuperar e, para isso, precisará convencê-lo a voltar a jogar, mesmo sob o risco de perder seu lugar como estrela do time. Contra todas as probabilidades, Russ e Finley se tornam amigos e, por mais estranho que pareça, a presença de Russ poderá transformar a vida de Finley completamente. Uma emocionante história sobre esperança, amizade e redenção, com a prosa sensível e inteligente de Matthew Quick.
Finlay vive com o pai e o avô deficiente, é um garoto tranquilo e resignado, que teve a infância marcada pela violência, e desde muito cedo aprendeu que falar pode ser perigoso. E foi durante a fase mais obscura de sua vida que ele descobriu uma grande paixão pelo basquete. Finaly claramente não possuía o tão sonhado talento nato para jogar basquete, mas era persistente e dedicado, e através de horas infindáveis de treino pesado ele conseguiu conquistar seu lugar no time da escola. Mesmo não sendo um jogador indispensável, ele se empenhava ao máximo para manter sua posição, pois dessa forma poderia, quem sabe um dia conseguir uma bolsa para a faculdade e finalmente sair de Bellmont, um lugar dominado pelo tráfico, onde os moradores de bem eram reféns das leis e imposições de mafiosos. Por ter sentido na pele os mandos e desmandos desses criminosos o rapaz busca desesperadamente meios para deixar esse lugar pra trás.

Mesmo sendo um garoto de poucas palavras Finlay conseguiu conquistar e ser conquistado por Erin, a garota falante e cheia de vida que apareceu em seu quintal e jogou basquete com ele em um dos dias mais tristes de sua infância, tornando-se desde então sua melhor amiga, confidente e namorada. Toda a rotina de Finlay é completamente abalada quando ele é incumbido pelo seu treinador a ajudar Russ a se enturmar. Finlay não entende o porque de tal tarefa, mas obedece sem questionar. Por ser extremamente discreto Finlay guarda em segredo os delírios de Russ e o medo crescente que ele vem sentindo de que o Garoto 21 (Russ), o prodígio do basquete venha a tomar seu lugar de armador titular do time. Mas nem a insegurança que esse medo pode causar poderia ser empecilho para que Finlay percebesse que além de um jogador brilhante que pode tomar seu lugar, Russ é um garoto que precisa muito da sua ajuda.

Gente a escrita do Mattew é incrível, confesso que não estava nem um pouco interessada na trama, decidi apenas folhear o livro para ver o que achava e me deparei com uma narrativa viciante que me fisgou e conquistou de imediato, e conforme a leitura foi evoluindo me vi gostando da trama e torcendo muito pelos personagens, que aprendi a admirar. Finlay por si só, já pode ser considerado um personagem excêntrico, o rapaz caladão mas que vive com a mente em um turbilhão de opiniões e conjecturas que ele evita a todo custo externar, é refém de um silêncio que surgiu como consequência de graves agressões que ele e sua família sofreram, e que resultou no avô sem as duas pernas e em seu pai cabisbaixo e sem muita alegria de viver. Os três compõem uma família arrasada, mas que apesar do medo, da dor e da culpa que carregam e compartilham, enquanto se arrastam pela vida, amam-se incondicionalmente, são três homens abnegados, que se isolaram de tudo e de todos, mas que cuidam com afinco de todos aqueles que ousaram tentar e por fim conseguiram penetrar na fortaleza de indiferença que criaram para si.

Inicialmente Finlay ajuda Russ, apenas para atender ao pedido do seu treinador, ao qual ele obedece incondicionalmente, mesmo que essa obediência conflitue com seus interesses, mas conforme vai conhecendo melhor o garoto 21, que passa a ser sua sombra, Finlay percebe inúmeras semelhanças que ambos compartilham, o fato de ambos terem sido testemunhas da violência que seus familiares mais queridos sofreram, sendo a principal delas.

Enquanto a história vai se revelando e os segredos vão sendo externados, se torna impossível não se sentir solidário a história desses dois garotos, ambos sofrem grandes dores e passaram por perdas ainda maiores, mas cada um lida com isso da sua forma, um simplesmente se cala e guarda para si tudo o que pensa e sente e o outro cria um mundo paralelo e assume uma outra identidade, duas formas distintas mas com o mesmo objetivo, isolar-se de tudo e de todos. Por mais estranho que possa parecer, eu consigo entender a atitude de ambos, pois as vezes quando se está muito ferido, não se consegue abrir espaço para que ninguém mais entre, tudo que se quer é ficar sozinho consigo mesmo e lamber as feridas até que elas cicatrizem. Chega um momento que dizer que está tudo bem, quando se está quebrado em mil pedacinho se torna algo cansativo e você só quer fugir, dos olhares condolentes, e das perguntas para as quais ninguém quer ouvir a verdadeira resposta. Claro que essa introspecção pode chegar a um ponto insalubre, dando inicio a uma depressão, e é por isso que é preciso existir alguém ou algo, não qualquer pessoa ou qualquer coisa, é preciso ser A PESSOA, aquela que não se importe o quão fundo você chegou no poço, aquela que estará lá ao seu lado te ajudando ou simplesmente esperando a hora para o retorno a superfície. Erin foi a pessoa de Finlay e agora ele pode vir a ser a pessoa de Russ, mas para isso existe uma grande probabilidade de que ele tenha que abrir mão de uma de suas duas maiores paixões.

Garoto 21, foi sem sombra de dúvidas uma surpresa bem vinda. Jamais poderia ter imaginado a carga emocional que estava por trás dessa capa vibrante. Essa história me marcou de tantas maneiras, que nem em mil anos poderia narrar todas elas, mas me conformo em deixar registrado que absorvi tudo ou quase tudo que esse livro tem a oferecer, senti cada palavra e desfrutei de cada emoção e sensação, e me apaixonei perdidamente por essa história, que de forma sutil ensina a importância da verdadeira amizade, que não importa quão fundo seja seu poço sempre haverá esperança e que a redenção é um direito daqueles que a desejam. Por fim, recomendo esse livro a todos sem exceção, mesmo sendo classificado como um romance, o livro vai muito além disso, trás verdadeiras lições e uma bela história para se apreciar e refletir.

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Resenha #200 Azeitona - Bruno Miranda

28 de junho de 2016

Oi galerinha!
Quem ai está super curioso pra saber mais sobre o livro de estréia do booktuber Bruno Miranda? Meu interesse por esse livro foi imediato, assim que li a sinopse fui tomada por uma curiosidade imensa, não conseguia parar de pensar em como o Ian iria conseguir convencer a todos de que a Emília estava esperando um filho seu e por fim, como seria quando todos descobrissem a mentira. Também quer saber? Então chega mais!


Titulo: Azeitona
Autor(a): Bruno Miranda
Editora: Outro Planeta
Ano: 2016
N° de páginas: 352
Ian e Emília não trocaram mais que duas palavras desde que começaram a estudar juntos, mas é o nome dela que vem à mente dele quando precisa de uma parceira para um plano mirabolante: participar de um reality show sobre casais adolescentes que vão ser pais. Isso em troca de um cachê capaz de resolver todos os seus problemas. Ian tem dezesseis anos e foi criado pela irmã, Iris, que precisou abrir mão de oportunidades na vida para cuidar dele. Agora, quando ela finalmente vai conseguir se formar na faculdade, ele se sente na obrigação de retribuir de alguma maneira. Emília, aos dezessete anos, não quer retribuir nada a ninguém – pelo contrário, seu sonho é sair de casa o quanto antes para não discutir mais com a mãe, com quem sempre teve uma relação conturbada. O fato de que eles não são um casal nem têm planos de ter um bebê de verdade parece apenas um detalhe. Mas a vida reserva surpresas, nem sempre boas, para quem acredita que é fácil inventar a própria história.
Aos dezesseis anos Ian conta apenas com sua irmã mais velha Íris, a cumplicidade compartilhada entre ambos é o resultado de uma família que lida com perdas devastadoras, primeiro o abandono do pai e em seguida a morte prematura da mãe. Mas Ian sempre viu na irmã seu porto seguro, aquela com quem sempre podia contar e ela sempre batalhou para ser tudo o que o rapaz viesse precisar, mesmo que para isso ela tivesse que adiar seus próprios sonhos. Agora no entanto, Íris está grávida, prestes a se formar e com planos de expandir seu negócio, mas devido aos recursos financeiros limitados ela vem agindo com cautela. Para Ian, esse é o momento oportuno para retribuir todos os sacrifícios que a irmã fez enquanto lhe criava. Por isso, quando ele recebe a proposta de participar do reality show Jovens pais, acaba não pensando muito antes de aceitar. O cachê oriundo da participação seria uma ajuda bem vida que ele poderia dar a irmã, mas como ele poderia ser um dos participantes do programa se ele não estava prestes a se tornar pai?

Em um rompante Ian envolve Emília, sua colega de turma, em seu plano mirabolante. Por não estar namorando ninguém, ele precisou escolher aleatoriamente uma falsa namora para ser a mãe do seu futuro filho inexistente, ele só não consegue entender porque o nome de Emília, a garota com quem ele mal trocou duas palavras veio tão facilmente a sua mente. Além disso, quais as chances dela aceitar participar dessa loucura?

Azeitona é um emaranhado de acontecimentos, alguns fazem surgir aquele sorriso no canto da boca, outros no entanto despertam aquela sensação incômoda de um punho espremendo seu coração. A verdade é que o livro trás uma trama sutil, mas nem por isso menos marcante. O envolvimento com os dilemas dos personagens vai se tornando inevitável conforme a história vai se desenvolvendo, sendo assim, tenho que admitir que entendo perfeitamente os motivos que levaram Ian e Emília a se envolverem nessa enrascada gigantesca. O fato de Emília ter uma relação tão quebrada com a mãe, chega a ser comovente e indignante, mas também nos faz refletir e repensar nossas relações diárias. Enquanto a jovem buscava dialogar, sem as tão comuns agressões verbais de que era frequentemente vítima, a matriarca estava apenas empenhada em mostrar que detinha o poder para dar a última palavra, tornando a relação das duas algo arbitrário e irracional. Sempre acreditei que respeito deve ser conquistado e não apenas imposto por um título ou posição, por isso me tornei solidária a busca da garota por uma situação melhor.

Mesmo tendo perdido os pais tão cedo, Ian jamais se sentiu sozinho em sua família de apenas dois integrantes, ele e a irmã sempre compartilharam uma relação saudável de respeito, apoio mútuo e amor incondicional, o que torna as razões do Ian mais altruístas que as de Emília, seu foco desde o inicio era tornar menos pesado o fardo que ele se julga ser para a irmã. Apesar de entender ambas as razões não posso dizer que considero certo ou prudente a atitude dos dois, mas admito que foi importante. Ao se lançarem nessa jornada maluca, envoltos em mentiras crescentes e vivenciando de perto a realidade de jovens prestes a se tornarem pais, Ian e Emília amadureceram imensamente, moldaram ainda mais suas personalidades e descobriram a força e a coragem que levam dentro de si.

O caminho para o desfecho tornou-se angustiante em alguns momentos, mas foi válido, pois tudo se encaixou no momento certo e o melhor, de forma convincente. O que me leva a recomendar a leitura, sem receio algum. A escrita do Bruno é fluída e permite ao leitor o bônus de se perder enquanto acompanha os altos e baixos desses dois adolescentes carismáticos. Assim como toda boa história essa também aborda temáticas de alta relevância, a principal delas é a gravidez na adolescência, mas também fala-se de abuso sexual, conflitos familiares, exclusão social e parental, entre tantos outros. Considero essa uma leitura super positiva e uma obra que veio para quebrar tabus.  

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Resenha #199 Tudo pode acontecer (na adolescência) - Isadora Ricardo

25 de junho de 2016

Oi pessoal!
Hoje vocês irão conhecer mais um nacional, Tudo pode acontecer (na adolescência) foi escrito por Isadora Ricardo, uma linda garotinha de apenas treze anos. Querem saber o que tem além dessa capa magnífica? Então chega mais que eu vou contar tudo pra vocês.


Titulo: Tudo pode acontecer (na adolescência)
Autor(a): Isadora Ricardo
Editora: Novo século
Ano: 2016
N° de páginas: 120
O que você faria se, de um dia para o outro, perdesse sua privacidade e se tornasse a queridinha de todo mundo? Foi isso que aconteceu com Sophie. O mundo dela era perfeitamente bom, mas de um dia para o outro, tudo ficou de ponta-cabeça. Teve que enfrentar uma traição, se virar sozinha em outro continente, trabalhar desde muito cedo, cuidar de uma menina que nem sua filha era e virar a nova estrela pop. Sophie teve que aprender que nem tudo na vida são rosas, que devemos acreditar na realização de nossos sonhos e que TUDO PODE ACONTECER (NA ADOLESCÊNCIA).
Desde muito cedo Sophie teve que lidar com as reviravoltas que a vida da. O divórcio dos pais e mudar-se para um país estrangeiro ainda na infância foi só o começo da grande tempestade que estava por vir. Agora aos dezesseis anos ela se vê novamente em meio a um furacão de mudanças. Quando a tia (com quem vive desde o divórcio dos pais), decide mandá-la embora de casa, obrigando-a a partir para Londres onde seus pais (agora reconciliados) vivem, ela não pensa duas vezes antes de romper seu recente namoro com Harry e deixá-lo para trás. Em Londres ela inicia uma nova jornada onde mais uma vez terá que lidar com um turbilhão de acontecimentos. 

Gente, que capa é essa? Só eu que estou loucamente apaixonada por ela? Tenho certeza que não. Definitivamente a editora caprichou nessa belezinha. Tem atrativo melhor que uma bela capa e uma sinopse no minimo curiosa? Novamente, creio que não. Pois esses dois elementos combinados serviram ao propósito de me atrair e ludibriar, e nem mesmo o fato da Isadora ter apenas treze anos serviu para me deixar menos empolgada com a leitura, afinal estava tudo muito lindo e não havia motivos para eu não querer ler essa história não é mesmo? Pois bem, a trama desenvolvida por essa jovem escritora possui encantos e deficiências, como quase toda obra publicada hoje em dia, o que é perfeitamente aceitável se houver pelo menos um equilíbrio de fatores, não é mesmo? Infelizmente não foi o que vi aqui.

Logo de cara é possível perceber certas incoerências cronológicas, algo a se considerar, mas nada que incomode tanto assim, mas conforme a leitura avançou fiquei me perguntando se estava lendo um livro de fantasia ao invés de um juvenil, já que a história em grande parte é fantasiosa e incoerente. E a cereja do bolo foi a grande dificuldade na criação de um vínculo minimo com os personagens, já que a narrativa é superficial e nada detalhista, me senti como se estivesse lendo uma garotinha contando as amigas sobre seu final de semana. Em parte acredito que foi bom a autora não ter se aprofundado na narrativa, já que sempre que isso ocorria, era precedido de contradições facilmente perceptíveis.

Sophie é uma personagem deveras infantil para sua idade, apesar de durante toda a história ela ter tentado mostrar o contrário, com atitudes em grande parte consideradas comuns aos adultos, como por exemplo morar sozinha e de quebra ser responsável por uma criança de cinco anos. Eu só consegui ver uma garota impulsiva e que em nenhum momento ousou considerar o impacto que suas atitudes teriam e tiveram nas vidas de terceiros. O que nos leva a outra característica marcante da personagem, o egoísmo. Percebi que durante toda a trama a adolescente priorizou suas vontades e necessidades e tudo parecia muito normal, quando ela decidia algo não havia tempo sequer para repensar, os desejos dela eram ordens atendidas de imediato e ponto, não importa quem ousasse questionar. E no final das contas ela demonstrou ser uma adolescente (dezesseis anos) que fazia o que queria (um exemplo disso são as inúmeras viagens internacionais que ela fazia sem comunicar a ninguém a onde estava indo ou quando voltaria), quando queria e sem responder a ninguém, isso porque nem emancipada ela era. Eu sou a única que não consigo ver isso acontecendo no mundo real?

De modo geral, posso afirmar com sinceridade que achei o enredo interessante e com grande potencial, mas os caminhos escolhidos para desenvolvê-lo acabaram lhe conferindo um ar não crível, resultando em uma trama que não convence. Apesar de estar bem avançada para a idade, a Isadora é apenas uma adolescente e optou por escrever em sua primeira obra a história de uma garota três anos mais velha que ela, por isso acredito que a Isa ainda terá muito a acrescentar a literatura nacional, conforme for desenvolvendo e aperfeiçoando a escrita ela criará histórias maravilhosas, porque criatividade sei que ela possui. 

Tudo pode acontecer (na adolescência) pode ter sido um desafio não tão bem sucedido, talvez a autora queira trabalhar essa ideia melhor mais tarde, quem sabe. 

Cortesia: Novo Século
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Resenha #198 Encrenca - Non Pratt

24 de junho de 2016

Oi pessoal!
Estão preparados para conhecer um juvenil super interessante? Então chega mais, porque Encrenca de Non Pratt possui vários aspectos relevantes a serem considerados e quero dividi-los com com vocês.


Titulo: Encrenca
Autor(a): Non Pratt
Editora: Verus
Ano: 2016
N° de páginas: 307
Quando o colégio inteiro descobre que Hannah Sheppard está grávida, ela tem um verdadeiro colapso. E quem está ao seu lado é Aaron Tyler, um aluno novo e o único garoto que não parece ter segundas intenções em relação a ela. Desejando compensar seus erros do passado, Aaron toma uma difícil decisão: ele se oferece para fingir ser o pai do bebê. E, temendo revelar quem é o verdadeiro pai, Hannah aceita. Encrenca é a história de dois jovens que estendem a mão um para o outro quando todas as demais pessoas parecem lhes dar as costas. Em um período marcado por perdas, arrependimentos e esperança, os dois vão descobrir que nada se compara a encontrar o seu primeiro melhor amigo de verdade.
Hanna leva uma vida desregrada, e em meio a noitadas, bebedeiras e sexo casual, ela passa a ser considerada a garota fácil do colégio, mas sua beleza e desenvoltura lhe conferem um certo status, mesmo que em boa parte negativo. No auge dos seus quinze anos ela se descobre grávida e para piorar a situação, o nome do pai da criança deve se manter oculto, pelo menos por hora. E é assim que Aaron entra de vez na vida de Hanna, o garoto reservado, vê no infortúnio da colega de turma a possibilidade de redenção. O jovem trás marcas profundas, originadas por erros cometidos em seu passado, e na tentativa de viver uma nova história e superar a culpa gigantesca que carrega consigo, ele decide ajudar a Hanna, autodeclarando-se pai da criança que ela espera. O que ambos não imaginavam é que a aproximação necessária para que o plano funcione, lhes apresentariam uma amizade verdadeira e bem vinda a ambas as partes.

Desejei ler esse livro desde a primeira vez que li sua sinopse, primeiro porque sou fã de livros e histórias juvenis e segundo porque sentia que esse trazia elementos realísticos e que merecem atenção. Ciente de que a gravidez na adolescência tem se tornado cada vez mais comum, decidi descobrir por conta própria o quão fundo o Non foi com essa temática. E felizmente posso afirmar que o assunto foi abordado tal como deveria. A história de Hanna poderia não ser uma ficção, enquanto lia esse livro senti claramente que ela poderia ter sido facilmente baseada na história de uma adolescente real, não apenas devido as questões descritas, mas principalmente porque o autor não ousou romantizar o dilema. Não me levem a mal, sou apaixonada por romances, mas apesar disso acredito que certos temas devem ser tratados, da forma o mais verídica possível, mesmo tratando-se de uma ficção.

E é exatamente isso que o autor faz, os dramas são narrados como o tapa na cara que eles são, afinal descobrir-se grávida aos quinze anos e cursando o colegial não é o sonho de nenhuma garota, por mais inconsequente que ela possa ser. Além disso, Hanna teve que lidar com o bullying virtual, outra questão bem atual, abordada com propriedade. Claro que não poderia faltar nesse dramalhão adolescente, a incompreensão e em parte a não aceitação familiar, a exclusão do antigo ciclo social, os medos e inseguranças que uma situação inesperada desencadeiam e por fim as dificuldades de adaptação a uma vida incerta e assustadora. Todas essas situações descritas do ponto de vista de uma adolescente desestruturada, foi algo no minimo interessante de se ler.

Soma-se a isso um adolescente quebrado, mas extremamente prestativo e dedicado as causas a que se propõe, e teremos uma trama cativante para desfrutar. Aaron trás um segredo que só temos acesso pouco antes do final do livro, mas que apesar de despertar certa curiosidade e nos fazer tentar algumas teorias, não chega a tirar nosso sono. O tal segredo funciona como a peça que está faltando no quebra-cabeça que é o passado recente de Aaron (cerca de um ou dois anos atrás), quando ele vivia outra vida, em outra escola. Essa marca que ele carrega é uma das principais motivações que possibilitam a aproximação entre o filho do professor de história, com futuro promissor e outrora popular e bem relacionado Aaron e a garota cujo ciclo de amizade é deveras mal frequentado, "rodada", negligenciada pelo pai e por vezes desobediente Hanna. Foi gratificante perceber duas vidas distintas se entrelaçando e transformando seus respectivos protagonistas. Não posso dizer que Hanna foi a solução completa para os problemas de Aaron e vice versa, mas posso afirmar que um foi a tábua que o outro necessitava para se manter na superfície de um mar revolto repleto de dor, culpa e arrependimentos.  

Encrenca se mostrou uma história que vale a leitura, e ouso recomendá-lo para todos sem exceção, no final das contas não trata-se apenas da história de dois adolescentes que se encontram e se ajudam, mas de dois amigos que compartilham seus dramas com todos aqueles que se dispõem a parar algumas horas pra lê-los. Essa pode não ser a narrativa de um   amor épico que lhe arrancará muitas lágrimas, mas certamente é um livro que pelo menos despertará questionamentos e reflexões.

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[Resenha] A Fúria e a Aurora - Renée Ahdieh

15 de junho de 2016

Oi pessoal!
Hoje irei falar sobre um livro lindo que me surpreendeu muito, não só pela história, que é baseada no conto As mil e uma noites, mas também pela qualidade da narrativa, pela fluidez da trama e a capacidade de encantar e envolver o leitor. Confesso que iniciei essa leitura sem saber muito bem o que esperar, mas felizmente me deparei com um cenário incomum e de fácil leitura.
                                  
Título Original: The Wrath & the Dawn
Série: A Fúria e a Aurora #01
Autor (a): Renée Ahdieh @rahdieh
Publicação: Globo Alt (Cortesia)
ISBN: 9788525060358 | Skoob
Gênero: Fantasia
Ano: 2016
Páginas: 336
Avaliação: 5/5★
Personagem central da história, a jovem Sherazade se candidata ao posto de noiva de Khalid Ibn Al-Rashid, o rei de Khorasan, de 18 anos de idade, considerado um monstro pelos moradores da cidade por ele governada. Casando-se todos os dias com uma mulher diferente, o califa degola as eleitas a cada amanhecer. Depois de uma fila de garotas assassinadas no castelo, e inúmeras famílias desoladas, Sherazade perde uma de suas melhores amigas, Shiva, uma das vítimas fatais de Khalid. Em nome da forte amizade entre ambas, Sherazade planeja uma vingança para colocar fim às atrocidades do atual reinado. Noite após noite, Sherazade seduz o rei, tecendo histórias que encantam e que garantem sua sobrevivência, embora saiba que cada aurora pode ser a sua última. De maneira inesperada, no entanto, passa a enxergar outras situações e realidades nas quais vive um rei com um coração atormentado. Apaixonada, a heroína da história entra em conflito ao encarar seu próprio arrebatamento como uma traição imperdoável à amiga. Apesar de não ter perdido a coragem de fazer justiça, de tirar a vida de Khalid em honra às mulheres mortas, Sherazade empreende a missão de desvendar os segredos escondidos nos imensos corredores do palácio de mármore e pedra e em cenários mágicos em meio ao deserto. 
Tenho que admitir que nunca tive qualquer interesse em conhecer a história de As mil e uma noites, sempre senti aquele velho pré-conceito baseado no fadado "não conheço, mas não gosto", mas quem diria que a essa altura do campeonato eu iria quebrar a cara e com essa história, né? Pois foi exatamente isso que aconteceu, e foi bom que tenha sido assim, já que eu não consigo imaginar essa trama sendo contada de outra forma, Renée me fisgou com sua narrativa e fez com que eu me apaixonasse loucamente por seus personagens, tanto que mesmo agora, após o fim da leitura, não consigo tirá-los da minha mente e do meu coração.