[Resenha] A Contadora - Freida McFadden

12 de agosto de 2026

Hello meu povo!
Eis que finalmente me rendi a uma história da aclamada Freida McFadden. Quem acompanha suas publicações sabe bem que a mulher é uma verdadeira máquina de escrever e, apenas três anos após seus livros aterrissarem em solo brasileiro já contamos com uma vasta gama de títulos à nossa disposição. Também pudera, né? Publicada freneticamente por duas grandes editoras nacionais e dona de um ritmo de produção invejável, como não dominar a mente e o bolso dos leitores? E, sendo eu completamente apaixonada por suspense, é óbvio que não consegui me manter imune a essa febre. Em meio a tantas opções, não me permiti pensar muito sobre por onde começar. Queria fugir do óbvio e, por isso, A Empregada, maior sucesso da escritora, não foi sequer cogitado neste primeiro momento. No fim das contas, tive uma experiência razoável. Não me tornei fã "ainda", mas pretendo continuar explorando sua bibliografia. Assim como Harlan Coben, Robert Bryndza, Charlie Donlea e tantos outros nomes do gênero, Freida chegou trazendo uma coleção robusta para não deixar ninguém passando vontade.

A Contadora (The Coworker)
Autor (a): Freida McFadden @FMcFadden
Publicação: Record
ISBN: 9788501922052 | Skoob
Gênero: Suspense
Ano: 2024
Páginas: 308
Minha avaliação: 3/5★
Dawn Schiff é uma pessoa estranha. Ou ao menos é o que pensam todos os funcionários da Vixed, a empresa de suplementos alimentares onde Dawn trabalha como contadora. Ela não consegue entender ironia, parece nunca saber a coisa certa a dizer, não tem nenhum amigo e seu dia é perfeitamente cronometrado. Por isso, quando Dawn não aparece no escritório certa manhã, sua colega de trabalho Natalie Farrell, uma mulher linda e carismática, a melhor vendedora da Vixed por cinco anos consecutivos, fica surpresa. E essa surpresa se transforma em horror depois que ela atende uma ligação anônima e perturbadora na mesa de Dawn. Isso muda tudo. Ao que parece, Dawn não era só uma pessoa esquisita e sem traquejo social: ela foi alvo de algo terrível causado por alguém próximo. E agora Natalie está irremediavelmente ligada à contadora quando se vê presa em um jogo de gato e rato que a leva a se perguntar: quem é a verdadeira vítima nessa história? Mas uma coisa é certa: alguém odiava Dawn Schiff. O suficiente para matá-la.

Quando li Se Houver Amanhã de Sidney Sheldon pela primeira vez, há cerca de vinte anos, simplesmente soube que o suspense seria um gênero que me acompanharia ao longo da vida. Duas décadas se passaram, e eu ainda estou aqui tentando desvendar mistérios, criando teorias e me deixando surpreender por reviravoltas de tirar o fôlego. Cada autor que conheço abre uma nova porta para um universo repleto de possibilidades. E com Freida McFadden não foi diferente. Neste meu primeiro contato com sua escrita, encontrei diversos elementos que me agradam imensamente. Sua narrativa prende com facilidade e nos obriga a elaborar uma teoria atrás da outra. Nesta trama em específico — embora eu ainda não saiba se essa é uma característica recorrente da autora —, contamos com o bônus de narradores não confiáveis e personagens ambíguos, que transitam livremente pela linha tênue que separa o moral do imoral, a lucidez da loucura e a justiça da vingança.

Natalie Farrell é a vendedora mais popular e bem-sucedida da Vixed, uma empresa de suplementos nutricionais. Deslumbrante e carismática, ela sabe muito bem como usar seus atributos para conquistar o que deseja. Considerada “a rainha do escritório”, Natie levava uma vida financeira confortável, tinha um namorado bonito e atencioso e exercia sua profissão com admirável competência. Tudo parecia correr bem, até que uma colega de trabalho desaparece sem deixar rastros. Dawn Schiff é contadora, introvertida, meticulosa e completamente obcecada por tartarugas. O desaparecimento inesperado e aparentemente sem explicação de alguém tão rígida com sua rotina, somado a indícios de que algo terrível possa ter lhe acontecido, desperta a preocupação de Natalie, que inicia uma busca desenfreada para descobrir o paradeiro da colega. A investigação informal conduzida por Natalie acaba colocando-a no centro de tudo. Cada nova pista que surge faz dela a principal suspeita pelo desaparecimento de Dawn. E quando um corpo não identificado é encontrado, o pesadelo da jovem ganha contornos ainda mais sombrios e definitivos. Passado e presente convergem em um jogo de vingança, ambição, amor, ódio e obsessão. As peças estão no tabuleiro, quem vencerá esta partida?

Personagens ambíguos costumam despertar meu interesse com facilidade e, neste caso, tanto Natalie quanto Dawn deixam claros indícios de sua dualidade, o que me fez testar as teorias mais absurdas. Em um primeiro momento somos apresentados a uma Natalie fútil, cruel e ambiciosa. Já Dawn é retratada como uma mulher neurodivergente, deslocada e constantemente excluída do convívio social. Ambas são construídas de forma bastante caricata e estereotipada. De um lado, a loira bonita e popular que pratica bullying. Do outro, a garota nerd, sem habilidades sociais, apresentada como a vítima por quem deveríamos torcer incondicionalmente. No início, desconfiei de tudo e de todos, sentindo que tateava no escuro. Mas quem lê suspense com frequência sabe que as peças raramente se encaixam de maneira tão rápida e impecável. Somado isso ao fato de Freida ter se inspirado em algumas obras bastante conhecidas do gênero, não foi difícil descobrir boa parte do grande plot precocemente. Ainda assim, essa é apenas a ponta do iceberg. McFadden faz verdadeiros malabarismos narrativos na tentativa de surpreender o leitor e, em diversos momentos, consegue atingir esse objetivo. Embora algumas reviravoltas sejam previsíveis para leitores mais experientes, outras funcionam muito bem e mantêm o ritmo da história até as páginas finais.

A Contadora, deixa claro que o passado nunca morre. A origem de tudo vai muito além do que podemos imaginar e nos leva a questionar conceitos como justiça e moralidade, mas não apenas isso. Freida McFadden possui uma escrita visceral, cuja abordagem impede que o leitor tome partido de imediato. Durante a leitura, me vi transitando de um lado para o outro, compreendendo e discordando dos personagens quase na mesma medida. Sem dúvidas, foi uma experiência bastante interessante. A dificuldade em distinguir com precisão quem era o mocinho e quem era o vilão tornou a narrativa, de certa forma, mais crível. Ainda assim, o desfecho extrapolou os limites da minha boa vontade. Não sou muito fã de finais trágicos, mas entendo que, às vezes, eles são um mal necessário. Neste caso, porém, a autora pegou toda a tensão que vinha fritando meus nervos e a coloriu com as cores do arco-íris, entregando uma conclusão decepcionante, por se mostrar cômoda demais para o meu gosto. O desfecho, completamente anticlimático, reduziu consideravelmente minha empolgação, mas não foi capaz de anular as qualidades do conjunto da obra. Talvez este não seja o melhor livro da autora, mas cumpre bem o propósito de entreter o leitor.

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