6 de março de 2019

[Resenha] Um reino de sonhos - Judith McNaught

Olá pessoas!
Hoje é dia de reafirmar minha paixão nada secreta pelos romances medievais, eu diria até que supera meu amor pelos apaixonantes romances de época. Quem me conhece sabe bem o quanto amo toda a pompa presente nas temporadas londrinas, os bailes, as debutantes e todos aqueles laços e fitas, nem preciso falar que os lordes, suas casas de campo e qualquer outra coisa envolvida neste cenário enche meus olhos, no entanto, não posso negar que os guerreiros Higlanders, os clãs e os castelos medievais, me deixam em êxtase. É nessa hora que meu desejo de ter nascido na Escócia de outros séculos fala mais alto, sendo assim, a história de hoje me leva para casa, não a que eu nasci de fato, mas aquela onde meu coração habita. Um reino de sonhos é o primeiro livro da trilogia Dinastia Westmoreland de Judith McNaught. Tendo isso em mente, venham conhecer esse hino arrebatador.

Um reino de sonhos (A Kingdom of Dreams)
ColeçãoDinastia Westmoreland #01
Autor (a): Judith McNaught @jumcnaught
Publicação: Bertrand Brasil *Cortesia
ISBN: 9788528622324 | Skoob
Gênero: Romance +16
Ano: 2018
Páginas: 378
Minha avaliação: 4/5★
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Royce Westmoreland, o “Lobo Negro”, é enviado pelo rei da Inglaterra para invadir a Escócia. Quando seu irmão, Stefan, sequestra Jennifer e Brenna Merrick, filhas de um lorde escocês, do convento onde vivem, as vidas de Royce e Jennifer se entrelaçam. Ele, um poderoso guerreiro que já ganhou muitas batalhas, não vê a hora de encontrar uma mulher que o amará pelo homem que é, não pelo medo inspirado por sua lenda. Ela, uma jovem rebelde em busca do amor e da aceitação de seu clã, mesmo na condição de prisioneira, não se deixa abalar pela fama de seu arrogante captor. Conforme os conflitos entre os dois se tornam mais frequentes, a urgência de se entregarem um ao outro só aumenta. Certa noite, quando ele a toma apaixonadamente nos braços, desperta nela um desejo irresistível. Mas, se Jennifer seguir seu coração, perderá tudo aquilo pelo que vem lutando e jurou honrar.
Sempre que me proponho a ler qualquer livro de ficção que não seja contemporâneo, procuro antes de tudo entender o ambiente em que a história se desenrola, isso porque a depender de onde ou quando as coisas acontecem, uma dose extra de compreensão passa a ser indispensável. Quem está acostumado a ler romances medievais conhece bem algumas características que estão quase sempre presentes nesses enredos e que podem gerar certo desconforto, a exemplo disso destaco os mocinhos que são quase sempre guerreiros calejados que exalam grosseria, essa é quase uma constante que pode ou não ser atenuada por uma mocinha a altura que não se deixe oprimir. Essa trama possui um pouco (muito) dos dois, ambos protagonistas possuem personalidades fortes e bem definidas o que torna os embates entre eles ora empolgantes, ora extremamente irritantes, mas o que de fato quero destacar aqui é a narrativa dinâmica, a variedade de cenários e os incontáveis acontecimentos, que tornaram esta uma das melhores histórias do gênero que já li na vida.

Jennifer Merrick, possui um enorme senso de honra e dever para com o seu povo, filha de um importante lorde escocês, ela mal pode esperar pelo momento em que deixará o convento em que vive e retornará para o seu clã. Contudo, esse desejo é frustrado quando ela e sua irmã, Brena, são sequestradas por Stefan Westmoreland, e entregues ao irmão dele Royce, afamado Lobo negro, o guerreiro inglês responsável por liderar uma invasão a Escócia. Determinada a não se deixar subjugar ela decide encontrar uma forma de usar o infortúnio a que foi submetida, em prol dos seus. Enquanto recolhe informações importantes a cerca do exército inimigo, e planeja sua fuga, Jennifer também descobrirá nuances de seu raptor que a levará a um dilema inesperado, e a fará questionar seus desejos mais profundos. 

Logo em meu primeiro contato com a escrita da Judith MacNaught, pude constatar o porque dela ser tão bem falada no meio literário, a escrita diferenciada dessa mulher é incontestável, e sua capacidade de tecer um universo atemporal, onde todas as peças se encaixam magistralmente é no mínimo admirável. Jennifer, é uma mulher destemida e quase sempre auto suficiente, possui uma criatividade incomum, o que lhe possibilita vantagens importantes em seu papel de prisioneira. Todas essas características positivas dão autonomia a garota para que ela não seja uma mera vítima dentro da história, mas em determinados momentos, Jennifer abusa de tudo isso e rapidamente passa de corajosa, a teimosa e inconsequente, o que me irritou profundamente. Já Royce, é o típico lorde que está a tempo demais nos campos de batalhas, os bons tratos da sociedade não lhe são úteis enquanto conquista terras e tira vidas, então ele se concentra basicamente em ser temido por todos, apesar disso quem o conhece bem sabe de sua natureza justa.

Apesar do encontro explosivo e da tensão palpável partilhada por esses dois, o romance não se desenvolveu facilmente. Uma série de incertezas, receios e maus entendidos, dificultaram consideravelmente a aproximação do casal. E quando tudo parece finalmente estar caminhando como se deve, eis que um revés desanda tudo e nos proporciona uma das sequências mais emocionantes que tive a oportunidade de ler. A ambientação é outro ponto que não posso deixar de destacar, a variedade de cenários é um espetáculo a parte e não deixa quase nada ao encargo da imaginação, as descrições dos castelos, campos e paisagens da Escócia e Inglaterra do século XV, estão impecáveis, o que nos transporta e nos torna parte do enredo. No final das contas, temos uma história completa e extremamente arrebatadora, protagonistas imperfeitos, cenas emocionantes, alguns momentos de angústia e outros capazes de te deixar com aquele sorriso bobo na cara. Um amor construído gradativamente apesar das adversidades, tal qual uma flor que desabrocha em meio as pedras, e o resultado disso, vai te fazer suspirar.

Um reino de sonhos, é de tirar o fôlego. Com uma narrativa dinâmica, repleta de reviravoltas, Judith McNaught, trás o que há de melhor em histórias do gênero. Uma trama composta por guerreiros destemidos, mocinhas valentes, torneios, armaduras, castelos e paisagens medievais, que te deixa desesperado por mais a cada virar de páginas. Claro que por se tratar de uma obra que arremete a outros tempos, também encontramos aqui alguns problemas característicos da época, como a tentativa de opressão e dominação sobre as mulheres, felizmente temos personagens fortes e teimosas que, apesar de cometerem alguns equívocos irritantes, não se submetem facilmente. Além disso, quero destacar o enredo elaborado, desenvolvido com maestria, onde elementos que fogem da obviedade empolgam e fascinam o leitor. E o desfecho, ah! meus caros, sem sombra de dúvidas faz jus ao título da obra. Uma história maravilhosa, que com seus erros e acertos, tornou-se umas das minhas favoritas.

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