22 de fevereiro de 2019

[Resenha] Sob águas escuras - Robert Bryndza

Hello peoples!
Finalmente consegui realizar o desejo de ler algo do Robert Bryndza. Claro que começar uma série por seu terceiro livro não é o ideal mas, a quem interessar, já adianto que não atrapalha muito, perde-se alguns detalhes importantes sobre a vida pessoal e profissional da detetive (por isso recomendo a leitura na ordem de publicação), mas não afeta o entendimento sobre o a caso a ser resolvido. Sob águas escuras é o terceiro livro da série Detetive Erika Foster, que possui seis livros publicados no exterior e quatro no Brasil, e conta a trajetória profissional e pessoal de uma investigadora de homicídios. Antes de tudo quero deixar registrado que embora este livro não tenha me alcançado como eu gostaria, o autor possui um talento incontestável e digno dos elogios que tem recebido, que pode ser facilmente constatado na profundidade desta trama visceral, sendo assim, tomem minhas impressões por aquilo que elas são, uma manifestação pessoal e intransferível. Cada leitor absorve uma mesma história de formas diferentes. Dito isto, vamos ao que interessa.

Sob águas escuras (Dark Water)
Coleção: Detetive Erika Foster #03
Autor (a): Robert Bryndza @robertbryndza
Publicação: Gutenberg *Cortesia
ISBN: 9788582355022 | Skoob
Gênero: Suspense
Ano: 2018
Páginas: 322
Minha avaliação: 3/5★
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Quando a Detetive Erika Foster vasculha, com sua equipe, um lago artificial nos arredores de Londres em busca de uma valiosa pista de um caso de narcóticos, ela encontra muito mais do que eles estavam procurando. Do fundo do lago são recuperados dois pacotes: um deles contém 4 milhões de libras em heroína. O outro… o esqueleto de uma criança. Os restos mortais são de Jessica Collins, uma garota desaparecida há 26 anos e que foi a principal manchete de todos os noticiários da época. Erika, então, precisa revirar o passado e desenterrar os traumas da família Collins para descobrir mais sobre o trabalho de Amanda Baker, a detetive original do caso – uma mulher torturada pelo seu fracasso na busca por Jessica. Muitos mistérios envolvem esse crime, e alguém que não quer que o caso seja resolvido fará de tudo para impedir que Erika Foster descubra a verdade.
Esta é a segunda resenha que escrevo deste livro, depois de horas digitando cheguei a conclusão de que o primeiro texto estava longe de expressar o que essa leitura significou pra mim. Não me lembro a última fez que tive tanta dificuldade em descrever uma leitura neutra (nem amei e nem odiei), mas aqui estou. Já faz muito tempo que sou apaixonada por histórias de suspense e mistério, descobri os thrillers através dos livros do Sidney Sheldon e desde então sempre que posso estou dando chances a novos autores do gênero. Robert Bryndza é um autor hiper bem falado no meio literário, o que me permitiu acompanhar o hype gigantesco que existe sobre suas obras, então juntando o útil ao agradável, decidi que já era hora de conhecer algo dele. No final das contas minha opinião não vai de encontro a da maioria, uma vez que a obra não me ganhou por completo, mas também não destoa totalmente, já que não posso negar que Bryndza possui diversas qualidades de escrita que não podem ser ignoradas. Para mim, Sob águas escuras é mediano, apesar da enorme capacidade para ser magnífico.

Com o tempo em seu desfavor Erika Foster procura por uma evidência essencial que garantirá o sucesso de sua atual investigação no departamento da narcóticos. Com auxilio de uma equipe de buscas, a detetive faz uma varredura minuciosa numa pedreira desativada, o que a leva ao pacote de heroína avaliado em mais ou menos 4 milhões de libras, que ela procurava. Mas não apenas isso, outro embrulho é encontrado e dentro dele a ossada de uma criança. A perícia constata, que a vítima é Jessica Colins, uma garotinha que desapareceu a vinte seis anos sem deixar rastros. Impelida pelo desejo de solucionar a morte de Jessica, Erika retorna ao departamento de homicídios e ao lado de seus antigos parceiros Petterson e Moss, ela terá que destrinchar um passado sombrio, repleto de segredos e mentiras.

“Puxado pelo peso das correntes, o corpo afundou rapidamente. Ela descansou ali, quieta e serena... durante muitos anos.”

Em meu primeiro contato com a escrita de Robert Bryndza me deparo com uma vítima infantil, fato que logo de cara já me deixou desesperada por uma solução. Isso ganha ênfase quando adentramos em um labirinto obscuro, repleto de informações vagas que não parecem levar a lugar algum. A detetive Erika Foster está longe de ser impecável em qualquer âmbito de sua vida, ao contrário disso, ela se mostra extremamente humana, inclusive mais de uma vez podemos vê-la deixando passar elementos óbvios que poderiam ter agilizado a resolução do caso. Apesar disso não posso culpá-la exclusivamente pela demora excessiva na elucidação deste crime, ao assumir um caso histórico, cuja investigação inicial foi um desastre sem precedentes, Erika precisa lidar com o excesso de cautela que lhe é cobrado incansavelmente por seus superiores. Suspeitos que não podem ser confrontados como se deve, provas desviadas e informações não partilhadas, também contribuem para que a detetive dê voltas e mais voltas sem chegar a lugar algum. Como dificuldade pouca é bobagem, ainda existe um personagem misterioso que está sempre um passo a frente de todos, apagando vestígios importantes e desviando a atenção da equipe. O resultado disso é uma narrativa arrastada, com destaque excessivo a informações em sua maioria irrelevantes e um ritmo de leitura extremamente lento, o que me frustrou profundamente. Brindza construiu uma trama com um potencial altíssimo, mas no meu ponto de vista pecou no desenvolvimento.

Sob águas escuras, é agridoce. Uma história interessante, presa em uma narrativa que se arrasta por um inicio e meio sem grandes acontecimentos. O ponto alto da trama fica ao encargo do desfecho, que trás um ritmo frenético, pistas importantes, revelações perturbadoras e um plot surpreendente. Em síntese, Robert construiu um enredo que eu poderia ter amado facilmente caso a investigação tivesse ocorrido de forma mais dinâmica. No que diz respeito aos personagens, apesar de em sua maioria serem bem construídos e possuírem características capazes de torná-los extremamente críveis, não consegui me afeiçoar a nenhum deles, em parte porque todos exceto, talvez, o investigador Peterson, são desprovidos de carisma. O assassinato de Jessica Collins é um mistério que te desafia a criar teorias, com pouca ou nenhuma evidência, para embasá-las. Em um quase jogo de adivinhação, é preciso lidar com a curiosidade e a frustração de caminhar no escuro sem ter ideia de onde, quando ou se chegará a resposta tão almejada. Uma leitura que pode tanto frustrar quanto instigar, a depender de quem está lendo.

13 comentários

  1. Olá, Delmara.

    Para mim um suspense tem que ter ação do início ao fim, quando a narrativa começa a esfriar, não serve de nada, além de deixar o leitor curioso de uma forma ruim, torna a leitura chata.
    Fiquei curiosa para saber o motivo da menina ter sido assassinada, mas ao mesmo tempo receosa por causa da narrativa do autor.

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    1. Olá Ana,
      sou exatamente como você. E a ausência de agilidade em boa parte do enredo foi o ponto que mais me incomodou durante essa leitura.

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  2. Fiquei mega animada em saber que não atrapalha muito ler os livros fora de ordem, pois eu quero muito conhecer essa série. Me identifiquei com você mencionar que ficou desesperada por uma solução pro caso por termos uma criança como vitima, então é uma pena a narrativa ter se arrastado, mas ainda sim quero conhecer as aventuras dessa Erika Foster.

    Abraços.

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  3. Oi, Delmara!
    Ainda não conhecia o autor. Não costumo ler muitos livros de suspense, mas ultimamente estou começando a me interessar mais por esse gênero, então gosto muito de ler esse tipo de resenha. É uma pena que esse livro não tenha sido uma leitura completamente satisfatória para você. Penso que eu também me frustraria durante a leitura se o ritmo fosse muito lento, afinal o lado mais legal do suspense é a sua dinâmica da gente ir encontrando pistas o tempo todo. Mesmo assim, a premissa é intrigante e faz a gente questionar quem está tentando esconder a verdade da detetive. Me deixou curiosa! Beijos!

    Jéssica Martins
    castelodoimaginario.blogspot.com

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  4. bem, pela capa eu já nao leria... pela trama em si, o fato de ela só dar uma guinada em seu desfecho me desanima ainda mais de ousar fazer a leitura... se um livro do gênero não me empolga já nas primeiras páginas, dificilmente eu continuo a ler...

    bjs

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  5. Olá!
    Uma pena que a trama seja um pouco arrastada. Confesso que tenho um pouco de dificuldades quando o enredo se mantem assim em boa parte da leitura, mas fico contente que o final tenha sido satisfatório.
    Mas não descarto a possibilidade de conhecer, uma vez que está na minha meta de leitura para esse ano.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  6. Quando eu vi esse livro na livraria aqui na minha cidade, não me motivei em ler e depois que andei lendo algumas resenhas um pouco negativas, não sei se irei ler no momento. Quem sabe em uma leitura mais futura.

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  7. Sempre aprecio muito as suas resenhas e fiquei tão feliz em saber que você também começou pelo Sidney Sheldon! :D Eu sou fã incondicional do autor e já li todos os seus livros adultos (e falta ler uns dois ou três infantojuvenis).

    Não conheço o autor de Sob Águas Escuras, mas já ouvi falar de suas obras, inclusive já tinha visto resenhas negativas sobre esta obra, o que faz com que eu opte por lê-la daqui a alguns anos (raramente descarto por completo a leitura de um thriller, pois os amo!). Mas mesmo assim é provável que eu não goste do livro, pois detesto investigações que ficam se arrastando, indo num ritmo que chega quase a provocar tédio. Isso me irrita num livro.

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  8. Eu tenho esse livro aqui e estou bem curiosa para realizar a leitura. Não sabia que era o terceiro de uma série, então provavelmente vou querer os outros volumes primeiro. Uma pena que o livro não foi excepcional para você, mas gostei de ver os pontos positivos que tirou da história e da escrita do autor.

    Beijos, Gabi
    Reino da Loucura | Instagram

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  9. Olá Delmara, eu tenho bastante curiosidade de ler esse livro, pelos seus comentários a trama tinha tudo para estar bem bacana então é uma pena o autor ter deixado o enredo muito arrastado =/ De qualquer forma eu ainda quero lê-lo *-*

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  10. Oi!
    A premissa desse livro é excelente mas parece ser o tipo de leitura que mexe com a gente, talvez pela vítima ser uma criança. Gostei de saber que os livros podem ser lidos fora se ordem, já que amo suspenses e há tempos não leio nada do gênero mas fiquei muito animada em ler esse que parece valer a pena a leitura.
    Beijos!

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  11. Olá, tudo bem?
    Eu não sou muito de ler suspense, porém, os elogios para esse autor vêm me deixando curiosa para ler algum de seus livros. Uma pena que a leitura não tenha te conquistado como você esperava, mas acho que vale a pena conhecer a escrita dele né? Achei a premissa desse bem interessante, só me desanimei pelo fato do começo e o meio serem mais arrastados. De qualquer forma, adorei ler sua resenha e conhecer sua opinião sobre o livro, e espero conseguir ler algo do autor em breve.
    Beijos!

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  12. Olá Delmara!

    Ainda não tive a oportunidade de ler nenhum livro do autor, mas ele esta na minha lista, pois assim como você adoro o gênero. Me surpreendi ao ver que o livro não é tão fluído e dinâmico como imaginava, mas fiquei com vontade de ler por conta do final que citou.

    Beijos

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