10 de novembro de 2018

Li em um livro: As plêiades

Hello peoples!
Acho que já mencionei antes o incômodo constante que venho sentindo com a mesmice das postagens que ando publicando no blog. Quando criei este espaço pensei em trazer tudo que fizesse parte do universo literário, mas infelizmente por comodismo tenho me limitado a escrever resenhas de livros e adaptações, admito que isso tem me entristecido. Não disponho de muito tempo para fazer tudo que gostaria, mas estou disposta a me empenhar mais para diversificar o conteúdo e expôr o máximo possível da riqueza disponível nesse Nosso Mundo Literário. E dando o pontapé inicial, estou trazendo um trecho magnífico que tive acesso enquanto lia Perigo para um inglês, terceiro livro da série, Escândalos e canalhas de Sarah MacLean. A obra em questão é um romance de época, que conta a história de Seraphina, duquesa de Haven, que após inúmeros conflitos foge sem deixar rastros, abandonando um marido desesperado por encontrá-la. Durante a narrativa, a autora descreve o mito das plêiades, que além de fazer alusão ao drama de Sera, apresenta uma outra história de amor épico que despertou meu interesse instantaneamente. Quer saber mais? Então segue lendo.

The Pleiades, 1885 (Elihu Vedder)
As plêiades.
As sete irmãs, filhas de Atlas.
Depois que Atlas foi punido, obrigado a segurar o céu, elas ficaram sozinhas, sem ninguém para protegê-las dos deuses ou homens. Sete irmãs. Contando apenas umas com as outras.

Órion
As seis plêiades mais velhas eram lindas e cada uma delas tentou um deus. Cada uma casou no céu. Porém, a mais nova, Mérope - a mais linda, graciosa e valiosa -, chamou a atenção de um pretendente perigoso, nascido na terra.

Órion era o maior caçador que o mundo conhecia, e perseguiu Mérope incansavelmente. E ela se sentiu tentada. Ela  fez tudo que podia para se esconder dele, sabendo que não havia esperança para os dois.

Mérope se voltou para as irmãs, que se uniram e trabalharam como só irmãs sabem fazer para proteger a mais nova do caçador mortal que nunca seria bom o bastante. Elas começaram cegando-o...

A cegueira não deteve Órion. Ele era um exímio caçador, forjado pelo próprios deuses. E assim perseguiu Mérope, cada vez mais desesperado pelo que poderiam ter juntos. Pela possibilidade de um futuro.

Mérope temia pelo que poderia acontecer. E, como ele era mortal, tinha medo do que ela certamente perderia caso se entregasse.

Órion não temia a cegueira. Só temia nunca encontrá-la. Nunca ter a chance de convencê-la de que eram um para o outro. De que mortal ou não, ele podia lhe dar tudo. O sol, a lua, as estrelas.

Artêmis
As irmãs procuraram Artêmis, deusa dos caçadores, pensando que se ela mandasse Órion interromper sua busca, ele a escutaria. Elas juraram devoção a deusa, que foi falar com Órion.

Ele se recusou. E esse foi o seu erro.

Artêmis foi falar com Zeus.

Ela foi até Zeus e lhe pediu que escondesse Mérope. Para punir o homem.

Primeiro, Zeus os transformou em pombas. Mas encontrar uma pomba não era desafio para Órion, nem mesmo cego. Nem mesmo desanimado. Ele sabia como ela cantava.

E mais, como pomba, Mérope estava angustiada. Pombas, têm um só companheiro para toda a vida. Assim ao pedir que Mérope fosse salva de uma vida com um mortal, Artêmis submeteu sua devota ao pior tipo de dor: a dor de ansiar por seu companheiro. Órion sabia disso, e não desistiu, recusando-se a parar de procurá-la. Ele viajou aos confins da terra para encontrá-la. Para ama-la.

Ele quase conseguiu. Quase ficaram juntos.

Artêmis voltou para Zeus e ele deu o que ela lhe pediu.

Mérope não estava destinada a se casar com um deus, mas Zeus a colocou no céu mesmo assim, ao lado das irmãs. Fixada no firmamento.

Constelação de Touro (Plêiades)

E Órion, desesperado para ficar com Mérope, implorou para ser colocado junto a ela.

    
Constelação de Órion

E assim que Órion a persegue. Para sempre.

(Trecho retirado do livro Perigo para um inglês de Sarah MacLean)

O QUE DIZ A MITOLOGIA GREGA...

Antes de contar o que acabei descobrindo por ai, quero deixar claro que sou extremamente leiga quando o assunto é mitologia, seja ela qual for. E que este post é fruto da curiosidade que a leitura fomentou em meu espírito leitor, sendo assim, relevem qualquer possível equívoco de minha parte e se desejarem usem os comentários para me ajudar a enriquecer essa pesquisa com novas informações. Dito isto, avante!

Logo no inicio da narrativa tomamos conhecimento de que as plêiades, são sete irmãs que ficaram desamparadas depois que seu pai, Atlas, foi punido. Mas quem é Atlas? E o que desencadeou tal punição?

Atlas cumprindo seu castigo eterno

Na mitologia grega, Atlas era um titã que juntamente com outros dos seus, participou de um levante cujo intuito era obter o poder supremo do mundo. Eles eram considerados forças da desordem e do caos e batalharam contra Zeus e seus defensores, que por sua vez eram vistos como forças do cosmo e da ordem. Zeus conseguiu derrotar os titãs e puniu os perdedores enviando-os para o Tártaro, todos exceto Atlas que foi designado para sustentar o céu em seus ombros para sempre.

Não encontrei nada consistente que pudesse explicar o que ocorreu com Pleione, a esposa de Atlas e mãe das plêiades, os artigos que encontrei a citavam brevemente como uma oceânide, filha dos titãs Oceano.

As Plêiades, também chamadas de aglomerado estelar, é composto de várias estrelas brilhantes e quentes, de espectro predominantemente azul.

Quando por fim, cheguei até ao mito das irmãs e consequentemente a perseguição de Órion, encontrei algumas versões que divergiam entre si em um ponto ou outro. Mas de modo geral, as plêiades eram respectivamente Electra, Maia, Taigete, Alcíone, Celeno, Asterope e Mérope. Fala-se que Órion, teria perseguido não apenas Mérope mas também todas as suas irmãs por um período de cinco a sete anos, apesar disso a sua preferência pela plêiade caçula parece um fato incontestável. A razão para que Mérope tenha declinado do interesse do caçador pode ser relacionado ao fato dela estar presa a um voto de castidade imposto por seu pai.

No que diz respeito a Órion, também encontrei diversas narrativas, a principal delas o coloca como um gigante filho de Netuno (deus do mar) e exímio caçador. Em O livro de ouro da mitologia de Thomas Bulfinch, relata-se que Órion de fato amava Mérope, mas nesta versão a jovem era filha de Eunápio, rei de Quios. Órion teria livrado a ilha de feras e levado os despojos da caça para sua amada, com a qual pretendia casar-se, no entanto, Eunápio demorou-se em consentir na união e Órion tentou tomar a jovem através da violência. Irritado com tal conduta, o pai de Mérope, embebedou e cegou Órion que partiu deixando o objeto de seu desejo para trás.

Claro que tudo que aqui foi escrito não é nem a ponta do iceberg, e obviamente existem várias nuances por trás desses mitos, mesmo assim achei válido trazer um pouquinho do que aprendi inesperadamente. Não é incomum adquirirmos conhecimento enquanto lemos, o que pode surpreender as vezes é em casos como este, um romance de época abordar mitologia grega de uma forma tão interessante que me levou a pesquisar sobre o assunto. Essa capacidade de atrair, envolver e instigar que a leitura possui, é uma das coisas que mais amo. Além disso, vale lembrar que independente do gênero, os livros são fontes constantes de aprendizado.

13 comentários

  1. Oi, Delmara!
    Achei o seu post super interessante! Me identifico um pouco com você, pois antigamente eu participava de um blog em que eu só postava resenhas e aos poucos isso foi me cansando e me fazendo querer escrever textos diferentes. Adorei seu post sobre o mito das Plêiades, pois adoro o assunto e pude estudar um pouco sobre mitologia no mestrado, mas nunca cheguei a conhecer este mito. Apesar disso, conheço a constelação de Órion por causa de Harry Potter e da família Black, e achei muito legal saber um pouco mais sobre o material que você encontrou sobre este mito. Parabéns pelo ótimo post! Beijos!

    Jéssica Martins
    castelodoimaginario.blogspot.com

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  2. Olá!
    Que legal e diferente a sua postagem. Adoro tudo relacionado a mitologia, apesar de que ultimamente to lendo bem pouco esse tipo de enredos. Fiquei animada por saber que o romance de época traz essa referência, não sei se nos livros das irmãs da Lucinda Riley também fala sobre isso, mas é um caso para pesquisar, vou ficar atenta quando fizer a leitura.
    Tenho tentado trazer outras postagens referentes as leituras que faço, mas confesso que com o tempo reduzido fica bem difícil dar conta de tudo que a cabeça planeja.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  3. Sei como se sente em relação a variedades nas portagens, sempre me sinto assim. Quanto ao mito das plêiades eu adorei a postagem, pois amo tudo relacionado a mitologia e conhecia essa história bem por cima.
    Me encanto com essa sonoridade poética destes mitos, sem dizer que estes castigos eternos são bem curiosos. Achei muito válido dividir conosco esse aprendizado.

    Beijokas.
    https://acabinedeleitura.blogspot.com

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  4. Menina, muito legal sua iniciativa!!
    Adoro mitologia grega, mas confesso que não sabia da história das plêiades. Agora, preciso dizer que J.K. Rowling é mesmo uma autora incrível, pois ela criou uma personagem chamada Mérope (bruxa), que acaba se casando com um homem comum e isso traz consequências bem sérias as vidas de ambas as famílias.

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  5. Olá, Delmara!

    Eu sempre digo que os livros têm muito a nos ensinar, mesmo quando pensamos que é apenas livro de "entretenimento". Eu jamais menosprezo um livro e os de época são queridinhos do meu coração. Já aprendi muito sobre diversos assuntos e tais livros me ajudaram até mesmo na hora de fazer provas, primeiro no colégio e depois na faculdade. Livros são perigosos porque nos fazem pensar, eles abrem a nossa mente. Amo tal perigo!rsrs

    Quando eu era mais nova minha grande paixão era a mitologia greco-romana. Eu lia tudo o que podia sobre o assunto. Na escola tive uma disciplina chamada História da Arte e lembro que tive um trabalho que valia a nota do semestre e foi uma grande pesquisa sobre mitologia grega e suas diferentes versões. É um tema tão rico que cada grupo de alunos ficou com determinado grupo de "deuses/semideuses e outros" e foi um trabalho inesquecível, amei cada instante. Depois os anos se passaram e com tanta coisa para ler acabei deixando a mitologia de lado. :(

    Mas mesmo quando lia muito sobre o assunto não lembro de ter mergulhado no mito das Plêiades. Fiquei fascinada com o trecho que você retirou do romance de época, fiquei com tanta pena do Órion, meus olhos chegaram a ficar cheios de lágrimas, imaginando o tormento de amar alguém que não te quer, que prefere ser qualquer coisa menos parte de sua vida. :(

    É sempre assim. Existem muitas versões de diferentes mitos e a gente acaba escolhendo aquela que mais apreciamos.

    Amei seu post! Vou ficar muito feliz se você trouxer mais posts assim sobre mitologia! :D

    Bjs!

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  6. Oi! Que post interessante! Sempre gostei muito de ler mitologia grega, mas nunca parei de fato para pesquisar sobre as histórias depois. Achei muito legal a maneria que você fala do mito e depois nos entrega os outros fatos relacionados a lenda, das constelações e de como era a interpretação. Super legal!

    Bjoxx ~ www.stalker-literaria.com ♥

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  7. Oi, Del.
    Li o Perigo para um Inglês recentemente e fiquei encantada com esse mito.
    Então, imagina só minha felicidade de encontrar esse seu post!! Adorei saber mais!!!
    Beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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  8. Olá Delmara, te entendo totalmente, as vezes encaramos o blog como algo que segue um caminho reto, só resenhas e mais resenhas, nada mais, isso acaba se tornando maçante realmente. Adorei seu post, estudo bastante mitologia grega no curso de Letras e é sempre incrível saber um pouquinho mais a respeito do tema!

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  9. Oi Del!
    Também gosto de variar um pouquinhos os posts para não ficar na mesmice.
    Adoro mitos e fiquei encantada em conhecer esse. Bateu até uma vontade de ler "Perigo para um inglês" para ver como a autora colocou o mito.
    Estou ansiosa para ler mais postagens desse tipo.

    Beijos
    FLeituras

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  10. Delmara, te admiro pela diversidade de posts, mesmo você achando que está na mesmice das resenhas. Saiba que eu adoro todas as que você posta, até de livros que eu não leria. Sobre o post de hoje, meu parabéns em alto e bom som, porque adorei ler um pouco e conhecer a pontinha deste iceberg.
    Beijos

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  11. Olá, tudo bom?
    Eu simplesmente adorei essa postagem! Eu conhecia um pouco - e bem superficialmente - essa história mitológica, já que teve uma época em que estava viciada e li muito sobre Atlas e Gaia! rs No entanto, com seu post eu pude conhecer vários elementos dessa pontinha do iceberg que não conhecia e confesso que fiquei muito fascinada e com ainda mais vontade de ler esse livro da Sarah. Amei demais sua postagem ♥
    Beijos!

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  12. Eu quero muito ler esse romance de época, já aconteceu inúmeras vezes comigo algo semelhante ao que ocorreu com vocês, de ver algum personagem mítico ou real, uma música, um filme ou artista ser citado num livro e eu ficar curiosa e ir pesquisar mais sobre o tema. Amei saber um pouco sobre as pleiades. A mitologia era referência para as pessoas da época dos romances de época, então volta e meia ela aparece mesmo.

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  13. Oi Delmara,
    Adorei esse post, de verdade. Às vezes tenho vontade de fazer algo parecido cido para sair do mesmo, porém, ainda não consegui.
    Não conhecia essas histórias das plêiades, mas nunca é tarde, né.
    Parabéns por trazer dlo assunto de maneira simples e sucinta.
    Bjim!
    Tammy

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