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[Resenha] Alena - Kim W. Andersson

4 de janeiro de 2021

Olá cariños!
Hoje é dia de falarmos sobre Alena, uma grafic novel sueca que promete suspense, mistério e terror. Imagino que isso somado a esta capa sangrenta e o aviso de conteúdo sensível que deixei mais abaixo cause certo receio em alguns leitores em potencial, e embora a história não traga de fato o que há de pior do gênero, longe disso, preciso deixar claro que suas abordagens podem sim, causar certo desconforto. Em uma mistura de Carry a estranha e Meninas malvadas, Kim W. Andersson entrega um drama adolescente perturbador, que aborda a descoberta da sexualidade, auto aceitação, preconceito, luto, entre outras questões. Lançada originalmente em 2012, Alena foi a HQ responsável por trazer visibilidade internacional ao seu autor, chegando a conquistar o The Adamson Statue, prêmio de quadrinhos mais prestigiado da Suécia, chegou aos EUA pela Dark Horse, editora de séries famosas como Hellboy e Conan. Diante do sucesso alcançado em seu país de origem não é de se surpreender que anos após sua publicação a obra tenha ganhado uma adaptação, esta por sua vez, não tão bem avaliada.

Alena (Alena)
Autor (a): Kim W. Andersson @kimwandersson
Ilustrador (a): Kim W. Andersson
Publicação: Avec Editora
ISBN: 9788567901671 | Skoob
Gênero: Suspense +16
Ano: 2017
Páginas: 120
Minha avaliação: 3/5★
Amazon | Submarino
A vida de Alena é um inferno. Desde que começou a estudar em um colégio cheio de colegas esnobes, ela sofre bullying de Filippa e das outras meninas do time de lacrosse. A melhor amiga de Alena acha que já chega de aguentar todo esse abuso. Seja da conselheira, do diretor, de Filippa ou de qualquer outra pessoa nessa escola repulsiva. Josefin promete resolver o assunto por conta própria a menos que Alena dê o troco. Só existe um problema: Josefin está morta há um ano.

Este livro contém assuntos sensíveis/gatilhos: Suicídio, violência física e psicológica, e bullying

Há quem tenha se frustrado com a previsibilidade dessa história, acredito que os amantes do terror visceral de fato não tenham encontrado aqui o que procuravam, mas isso não torna o enredo menos inquietante. Quando se acompanha a trajetória, mesmo breve, de uma adolescente que é levada ao limite repetidas vezes e de formas tão perversas, um alerta vermelho se acende instantaneamente dentro de nós. Essa foi uma daquelas leituras que iniciei de forma despretensiosa, era apenas uma lida rápida ao fim de um dia exaustivo, mais para somar em número que em qualquer outra coisa (desculpa, eu faço isso as vezes) e apesar de não ter sido uma experiência épica, admito que teve seu valor. Anderson possui traços marcantes que somados a escrita direta nos faz quase sentir na pele o desespero da personagem. Talvez as temáticas mais importantes não tenham sido abordadas da melhor forma possível, e por isso soem sensacionalistas aos olhos de quem realmente entende de tais assuntos, mas eu sendo leiga, consegui submergir o suficiente para me deixar impressionar com o conjunto da obra.

[Resenha] A louca dos gatos - Sarah Andersen

10 de agosto de 2018

Olá personas!
Não sei se vocês notaram mas esse ano as HQ's estão meio escassas por aqui. Estou tentando diversificar o conteúdo da melhor forma possível e mesmo assim algumas coisas acabam me escapando, mas não se preocupem porque hoje estou trazendo essa gracinha para compensa-los pela ausência prologada dessas histórias tão queridas. Além disso, eu já estava super, hiper, mega interessada nas coleções da Sarah Andersen, o que torna essa iniciativa ainda mais especial. A louca dos gatos é o terceiro volume da coleção Sarah's Scribbles da cartunista, fenômeno de público nas redes sociais, Sarah Andersen. Acredito que hoje em dia não exista uma única pessoa que seja ativa na internet que não tenha visto alguma coisa da Sarah, o que me leva a crer que você sabe bem do que eu estou falando. Caso eu esteja enganada, não tem problema, é só seguir lendo para descobrir mais sobre a rainha do sarcasmo.

A louca dos gatos (Herding Cats)
Coleção: Sarah's Scribbles #03
Autor (a): Sarah Andersen @SarahCAndersen
Publicação: Seguinte *Cortesia
ISBN: 9788555340567 | Skoob
Gênero: HQ
Ano: 2018
Páginas: 112
Minha avaliação: 4/5★
A terceira coletânea da cartunista Sarah Andersen traz novas tiras que retratam os desafios de ser um jovem adulto num mundo cada vez mais instável. Os quadrinhos de Sarah Andersen são para todos que precisam lidar com níveis de ansiedade cada vez mais alarmantes, que sentem que o mundo está à beira do colapso e que se esforçam para sair ao menos um centimetrozinho da zona de conforto. Ou seja, é basicamente um manual de sobrevivência para os dias de hoje. Além de suas tirinhas sagazes e encantadoras, a autora, que já reuniu mais de 2 milhões de fãs no Facebook, traz também ensaios ilustrados com dicas para os artistas aspirantes aprenderem a lidar com críticas, ignorarem os trolls na internet e não desistirem de mostrar seu trabalho.
Já faz um tempo que acompanho de forma despretensiosa as tirinhas da Sarah nas redes sociais, e embora não conheça seu trabalho profundamente sempre tive uma boa impressão de tudo que vi. Admito que logo de cara estranhei os traços da artista, a garota desgrenhada, de olhos gigantes e "movimentos" exagerados, não me atraiu muito no inicio, mas as tiradas divertidas, o humor ácido e direto me fizeram dar uma segunda olhada e quanto mais eu lia mais me reconhecia nas abordagens da Andersen. Foi tão fácil me enxergar na leitora compulsiva, que prefere gastar com livros a qualquer outra coisa, ou na garota cujo cérebro não sabe como diferenciar um personagem fictício de uma pessoa real e os ama da mesma forma, e quem nunca confirmou que todos os botões do fogão estavam desligados, mas ao sair de casa foi pego pela paranoia de que poderiam estar ligados? Essas são apenas algumas dentre as tantas situações retratadas com as quais me identifiquei, então quando soube da existência de livros que reuniam várias dessas tirinhas, foi natural querer saber mais a respeito. 

[Resenha] O idiota - Fiódor Dostoiévski por André Diniz

4 de junho de 2018

Olá personas!
Li esse livro assim que ele chegou aqui em casa a várias semanas atrás, mas ainda não tinha tido coragem de sentar para falar a respeito dele aqui. Confesso que andei procrastinando pelo simples fato de não saber como escrever a resenha desse livro e pra ser sincera ainda não sei. Decidi pelo menos tentar colocar pra fora o que for possível, embora não saiba se o resultado final será satisfatório, tenho em mente de que mais uma vez darei o meu melhor. O idiota é uma das obras de maior destaque de Fiódor Dostoiévski, considerado um dos grandes escritores da história da literatura mundial e responsável pela publicação de grandes sucessos como Crime e Castigo e Os Irmãos Karamazov. Pelas mãos de André Diniz esse clássico renomado ganha uma versão ousada, onde o artista reconta uma história complexa através de ilustrações expressivas que respaldam o texto conciso porém enfático. 

O idiota
Autor (a): André Diniz @AndréDiniz
Publicação: Quadrinhos na Cia *Cortesia
ISBN: 9788535930726 | Skoob
Gênero: HQ
Ano: 2018
Páginas: 416
Minha avaliação: 4/5★
Em preto e branco, e num registro quase sem palavras, André Diniz propõe uma recriação surpreendente de O idiota, obra máxima de Fiódor Dostoiévski. Publicado em 1869 e escrito em meio a crises epilépticas e perturbações nervosas e sob a pressão de severas dívidas de jogo, o romance é um dos mais célebres da literatura mundial. Sua oralidade intensa encontra na explosão e na fluidez, na ternura e na enorme capacidade expressiva do traço de Diniz, uma correspondência única. A história é conhecida: após anos internado num sanatório suíço para tratar sua epilepsia, o jovem Míchkin retorna à Rússia e se vê envolvido num triângulo amoroso cujos ares folhetinescos darão o tom desta adaptação. Entre a vilania de Rogójin, um devasso perdulário que dilapida a fortuna herdada de seu pai, e a beleza arrebatadora de Nastácia Filíppovna, acompanharemos Míchkin e sua pureza quixotesca até o desenlace desta bela e trágica graphic novel.
Já de antemão quero deixar registrado que não conheço a obra integral que baseia essa HQ, embora sempre tenha tido uma certa curiosidade pelos escritos do autor, que são sempre tão bem avaliados, ainda não havia tido chance de ter algo do tipo em mãos. Sendo assim quando a oportunidade de ler essa adaptação surgiu, decidi agarrá-la com as duas mãos, confesso que desde o primeiro instante tive receio de não conseguir absorver tudo o que a obra poderia proporcionar, mas de que valem as oportunidades se nós não a aproveitarmos não é mesmo? No final das contas não poderia ter ficado mais satisfeita com a experiência que tive durante essa leitura. A narrativa de Dostoiévski ilustrada pela arte de Diniz formam um combo magnífico que merece ser lido e apreciado.

[Resenha] Uma Irmã - Bastien Vivès

12 de maio de 2018

Oi cariños!
Já faz um tempinho que ando batendo cabeça com minhas leituras e por isso andei ausente daqui. Sabe aquela fase negra onde nada flui? Pois então, andei passando por algo tipo. Vários livros iniciados e quase nenhum finalizado e quando o milagre de concluir uma leitura acontece, eis que o ânimo para falar a respeito é quase inexistente. Pensem numa barra pesada! Maaaas, felizmente como tudo na vida, as fases ruins possuem começo, meio e fim, e a minha terminou graças a este livro, nunca escondi de ninguém minha paixão por HQ's e Grafic novel's, e esta em especial trás o sabor da adolescência, e me fez recordar das inesquecíveis sensações que as primeiras descobertas do mundo adulto é capaz de nos proporcionar, e é por isto que estou aqui hoje, tomada pela empolgação de quem se lembra e quer compartilhar uma história singela e comovente. Uma irmã é a mais recente grafic novel de Bastien Vivés, um jovem quadrinista francês que vem ganhando destaque na Europa.

Uma irmã (Une soeur)
Autor (a): Bastien Vivès @bastienvives
Publicação: Nemo *Cortesia
ISBN: 9788582864401 | Skoob
Gênero: HQ
Ano: 2018
Páginas: 216
Minha avaliação: 4/5★
Ao ter suas férias pacatas transformadas por Hélène, o jovem Antoine passa a viver os dias mais intensos de sua vida, repletos de emoção e receios. De forma sutil, ainda que forte, ele vai descobrindo um universo feminino tão gracioso quanto perturbador. E o que poderia ser apenas mais uma história de verão, se transforma, pelas mãos de Vivés, em uma narrativa apaixonante. Um conto delicado e sensual sobre o despertar de um adolescente que provoca um turbilhão de sentimentos.
Eis uma leitura que me surpreendeu consideravelmente, não por sua história em si, mas pela forma simples, direta e porque não dizer crua, que o autor usou para abordar situações que além de comuns são de extrema importância ao nosso processo de evolução pessoal. A descoberta da sexualidade surge para o adolescente como uma espécie de tabu, algumas vezes vem acompanhada de um constrangimento pegajoso e inconveniente, que pode desencadear alguns bloqueios e dificultar o processo além do necessário. Claro que não existe uma regra a ser seguida, não me arrisco a generalizações e nem tenho nenhuma pesquisa como base, mas tendo em mente alguns exemplos pessoais, ouso dizer que o processo de auto descobrimento nem sempre é fácil. Enquanto me entregava a esta história consegui sem muito esforço resgatar memórias que, embora antigas, seguem vívidas em minha mente. O primeiro amor, as primeiras descobertas e as primeiras sensações, são lembranças que ganham vida enquanto esta trama singela se desenrola.

[Resenha] Sopa de Salsicha - Eduardo Medeiros

26 de março de 2017

Hey peoples!
Desde que iniciei minha vida de leitora procurei diversificar ao máximo meus gosto literário, apesar disso as vezes acabo negligenciando estilos que já curto em prol de novas descobertas, infelizmente isso tem acontecido de forma frequente com as HQs. E foi tentando reverter esse quadro que chegamos até aqui, onde irei falar de uma Grafic Novel que me chamou a atenção desde o primeiro instante em que pus os olhos nela. Logo de cara me deixei intrigar pelo título incomum que resume muito bem tudo que se passa na história, além disso os traços simples em cores pasteis do Eduardo dão a história um ar ainda mais agradável e atraente.

Sopa de salsicha
Autor (a): Eduardo Medeiros @hellatoons
Publicação: Quadrinhos na Cia *Cortesia
ISBN: 9788535927030 | Skoob
Gênero: HQ
Ano: 2016
Páginas: 172
Minha avaliação: 5/5★
Sopa de salsicha é a crônica do dia a dia de Eduardo Medeiros, um talentoso quadrinista metido em encrencas clássicas: aperto financeiro, mudanças de lar e um difícil projeto pela frente. O projeto é este romance gráfico, um trabalho de fôlego em que Medeiros narra, com ajuda da indefectível Baixinha e de outros quadrinistas, suas aventuras diárias e seus embates com o processo criativo, a vida nova em Florianópolis e as visitas de um Michael Bolton que talvez esteja tentando conquistar a sua mãe. Um dos mais talentosos nomes do novo quadrinho brasileiro numa história surpreendente sobre amadurecimento, mudanças importantes e chuveiros apertados.
Sopa de salsicha é um relato divertido das aventuras e desventuras de Eduardo Medeiros, que na tentativa de escrever sua primeira HQ teve que lidar com diversas situações inusitadas, dentre elas o tão temido bloqueio criativo, a partir dai temos acesso a fragmentos do passado e presente do autor e conhecemos seus dilemas diários compartilhados com sua esposa e fiel escudeira Aline (Baixinha), sem falar das pinceladas ficcionais que a imaginação fértil do Eduardo nos proporciona vez ou outra.

[Resenha] Dois irmãos - Fábio Moon e Gabriel Bá

13 de janeiro de 2017

Hey peoples!
Dois irmãos grafic novel é a adaptação da obra homônima de Milton Hatoum, pelos quadrinhistas Fábio Moon e Gabriel Bá. Atualmente também é possível acompanhar a trama que foi produzida como minissérie televisiva e está sendo transmitida pela rede globo, o projeto comandado por Luiz Fernando Carvalho, é considerado uma adaptação extremamente fiel a obra literária.

Dois irmãos
Autor (a): Fábio Moon e Gabriel Bá
PublicaçãoQuadrinhos na Cia *Cortesia
ISBN: 9788535908336 | Skoob
Gênero: HQ
Ano: 2015
Páginas: 232
Minha avaliação: 5/5★
Um dos livros mais importantes da literatura brasileira contemporânea, Dois irmãos vem, desde seu lançamento há quinze anos, conquistando novas gerações de leitores. E foi com o mesmo entusiasmo desses leitores que Fábio Moon e Gabriel Bá embarcaram na missão de adaptar o romance de Milton Hatoum para uma graphic novel. Entre os mais premiados da última década, os irmãos quadrinistas vêm igualmente arrebatando fãs e trazendo uma verdadeira legião de leitores às HQs. Suas obras foram publicadas em diversos países, atravessando fronteiras culturais e políticas. Ao mesmo tempo que preserva a força narrativa de Hatoum, esta adaptação evidencia o talento de Bá e Moon na construção de histórias que alternam entre a tragédia, a delicadeza, a brutalidade e o humor. No traço deles, a vida dos gêmeos Yaqub e Omar ganha novos contornos épicos.
Por volta de 1914 Manaus estava repleta de imigrantes libaneses, sírios e judeus marroquinos. E na condição de imigrante libanês Halim viu-se apaixonado por aquela que seria a dona de seus dias. O intervalo que se deu entre conhecer, se encantar e desposar Zana pode ser considerado deveras curto, mas Halim nunca duvidou de que precisava (apenas) dela para que sua felicidade fosse completa, Zana no entanto queria mais, e contrariando os desejos do marido concebeu os gêmeos Yaqub (primogênito) e Omar. Não há uma explicação lógica para a devoção ilimitada que a jovem mãe desenvolveu para com o caçula, ela o adorava de todas as formas possíveis e por isso, mesmo que inconscientemente diversas vezes preteriu Yaqub em prol do irmão.