10 de dezembro de 2017

[Resenha] Mente - Audrey Carlan

Hey amores!
Hoje quero falar um pouquinho a respeito do segundo livro da série Trinity de Audrey Carlan. Acredito que muita gente desanimou completamente com essa história e decidiu não continuar lendo a série depois da decepção que foi Corpo, e embora eu claramente me encaixe no grupo de pessoas que está cansado de dar de cara com a parede, decidi seguir dando uma chance a trama. Não estou aqui para dizer que esta seja a redenção de todas as falhas existentes no primeiro livro, mas garanto que melhora bastante. Novos elementos são inseridos na história e ganham ênfase importante conforme o enredo se desenrola. Definitivamente Mente é um livro com muito mais conteúdo que seu antecessor e mesmo que ainda conte com vários estigmas comuns a escrita da autora, levanta questões relevantes que valem a leitura.

Mente (Mind)
Coleção: Trinity #02
Autor (a): Audrey Carlan @AudreyCarlan
Publicação: Verus *Cortesia
ISBN: 9788501301468 | Skoob
Gênero: Erótico +18
Ano: 2017
Páginas: 275
Minha avaliação: 3/5★
Gillian está radiante com sua aliança de noivado. Em breve ela vai se casar com o bilionário e sedutor Chase Davis. Mas é difícil manter a alegria quando tem um maníaco atrás dela. Enquanto Chase e Gillian planejam o casamento, o perseguidor elabora seu plano de vingança. A princípio Gillian não dá tanta importância às ameaças desse homem — que ninguém sabe quem é —, até ele tomar uma atitude extrema que vai deixar o casal e seus amigos arrasados. Será que Chase vai conseguir usar todo o seu poder e dinheiro para proteger Gillian desse lunático? Talvez seja tarde demais para perceber o perigo mortal que ela está correndo... Com flashbacks perturbadores do passado de Gillian e a tragédia que esse homem misterioso traz para o presente, o leitor será cada vez mais atraído por esta história sombria, erótica e eletrizante.
Eu sou a típica leitora que se recusa a desistir. Já falei aqui que me decepcionei bastante com a primeira série da Audrey publicada no Brasil, e quem leu minhas impressões de Corpo, primeiro livro desta série, sabe bem que me incomodei com diversas situações narradas na história, então foi totalmente despida de expectativas que iniciei a leitura deste segundo volume, e que surpresa meus caros! A narrativa aqui alcança um outro nível, algo totalmente inesperado quando se toma como base o padrão de escrita da autora, a Audrey desenvolveu uma trama que exala medo e tensão e por isso ainda hoje sinto meu coração se apertar com as lembranças do que foi lido. Aqui a maioria dos personagens relevantes se encontram vulneráveis em todos os sentidos e o assunto que tanto sentimos falta no primeiro livro ganha destaque considerável, o passado de Gillian se revela através de fleshbacks perturbadores que comovem na mesma medida que indignam, e além disso temos acesso a um novo narrador, um homem misterioso e insano que trás para o enredo doses gigantescas de um suspense assustador.

Envolver-se com um dos solteiros mais cobiçados dos Estados Unidos trouxe para a vida de Gillian muito mais do que a atenção indesejada da imprensa e dos paparazzis, agora ela está na mira de um perseguidor que a cada instante torna-se mais cruel e ousado. Se as ameaças e "presentes" bizarros já fossem suficientemente capazes de tirar a paz da jovem, imaginem quando todos aqueles que a rodeiam e que fazem parte da sua recém estruturada família tornam-se alvos em potencial do "desconhecido". Ciente de que é o único objeto de desejo deste homem louco, Gillian assume para si a culpa pelos acontecimentos que põem em risco a vida de seus amigos, oprimida pelo medo de que algo terrível aconteça à aqueles que tanto ama ela se vê caminhando para uma depressão iminente, esta por sua vez trás a tona o passado que a tanto tempo ela empenha-se para superar. É aqui que temos acesso as marcas que os abusos sofridos no relacionamento com Justin deixaram na vida de Gillian, as ações do perseguidor desencadeiam lembranças antigas mas que seguem vívidas na mente da protagonista, crises de pânico e flashbacks descritos detalhadamente de forma crua, enfatizam o terror causado e deixado pelas agressões emocionais, físicas e psicológicas que a personagem sofreu. No entanto ela não está só, ao lado de Chase que rapidamente tornou-se sua âncora e com o apoio de seus amigos mais queridos ela irá lutar mais uma vez para vencer esse obstáculo aterrorizante.

Juro que depois da leitura do primeiro livro já não esperava muita coisa dessa série. Até pensei que o relacionamento dos protagonistas poderia vir a apresentar um certo amadurecimento, já que no título anterior o envolvimento entre Glillian e Chase tinha como base pura e simplesmente a forte atração que ambos nutriam um pelo outro. Acreditei que a autora trabalharia o lado emocional de ambos nessa nova etapa, e não estava de todo errada, mas existe um elemento que muito me chamou a atenção no primeiro livro e que ganhou destaque total aqui, acertou quem pensou no perseguidor. Já em Corpo foi possível perceber que o suspense em volta do tal homem que andava mandando cartas anônimas e exigindo a Gillian para si, possuía potencial considerável e que se bem trabalhado poderia manter o interesse dos leitores na história, afinal cinco livros só falando do quanto o Chase e a Gillian são perfeitamente lindos e como a atração partilhada por eles é forte e incontrolável, uma hora cansa né? E para ser sincera esse parte da trama cansou logo no primeiro livro. Então obviamente fiquei eufórica com a notoriedade que as novas abordagens receberam aqui.

Diante da vulnerabilidade da agora noiva, Chase se apresenta como porto seguro de Gillian, aquele que a trás de volta para o mundo onde a dor já não a domina mais. Nesse ponto é impossível para qualquer um negar que o relacionamento evoluiu bastante, embora não seja o ideal, o envolvimento que era meramente físico já considera algo mais, Chase se mostra decidido a proporcionar o melhor para Gillian e todos os que os rodeiam, incitado pela ameaça iminente ele torna-se ainda mais protetor e consequentemente possessivo, sempre atento a tudo ele vai ocupando áreas importantes da vida da garota e permite que ela faça o mesmo consigo. E este foi o principal ponto que me incomodou aqui, o Chase ainda é autoritário e controlador, mas devido o estado fragilizado de Gillian que está enfrentando uma barra pesadíssima, não há muito espaço para que ele exerça sua personalidade de homem das cavernas, ele está sempre ali dando apoio, cuidando e coisas do tipo, mas sempre que surge a oportunidade é possível vislumbrar o que há por baixo da superfície. O fato é que nesse aspecto não houve nenhuma mudança, tudo foi mascarado pela situação atual, e o mais preocupante é que a Gillian está cada vez mais dependente - tanto física como emocionalmente - deste homem e por isso muito mais propensa a justificar e minimizar suas ações. 

Admito que isso me assustou bem mais do que incomodou, mesmo atenta aos riscos que o perseguidor oferecia não me desliguei dos rumos que a história dos protagonistas está tomando. Claro que a essa altura do campeonato a autora já inseriu uma dose considerável de sentimento partilhado, eles já se "amam" e querem ficar juntos para sempre, mas Chase ainda não aceita e nem respeita as decisões mais básicas de Gillian e ela não acha que essa invasão ao seu espaço seja grande coisa, afinal ele "tem necessidade de controle e só está tentando cuidar dela". Eu só digo uma coisa: Não se justifica! Ao que parece, quando o Chase se refere a Gillian como sua, ele não está usando apenas uma força de expressão mas sim a reivindicando como alguém que realmente lhe pertence, como uma propriedade ou algo do tipo, porque só isso explicaria o fato dele se sentir no direito de ditar todos os passos que ela deve dar. Como disse anteriormente, esse lado é atenuado pela ênfase que é dada ao risco que o perseguidor representa mas não precisa procurar muito para encontrar as nuances que estão bem evidentes e que mostram claramente que embora o Chase pareça verdadeiramente se preocupar e desejar o bem estar da Gillian, ele ainda segue oprimindo seus direitos a liberdade. Outro ponto incômodo que persiste nessa sequência é o fato de a autora usar o sexo para curar, resolver e justificar tudo entre o casal, mesmo a Gillian estando completamente desestabilizada ela busca desesperadamente pelo ato sexual, quase como se fosse sua salvação, achei meio exagerado e fora de contexto diante de todos os problemas que a personagem estava enfrentando.

Mente, apresenta uma trama tensa, com um mistério bem construído que envolve ao mesmo tempo que assusta. O relacionamento do casal apresenta um alto grau de ambiguidade já que nota-se de longe que o Chase segue exercendo uma influência mórbida sobre a vida e as decisões da Gillian, ao mesmo tempo em que torna-se seu protetor e porto seguro. Audrey finalmente deu a ênfase esperada as dores e marcas deixadas por uma relação abusiva e trouxe a tona uma realidade arrasadora vivida por muitas mulheres mundo a fora. Em suma, este volume segue superestimando e até justificando o atual relacionamento controlador da personagem, e também ganha qualidade, nada que o torne o melhor livro do gênero ou algo do tipo, mas certamente nos leva a crer que a escrita da autora não está completamente perdida. Quero deixar registrado que para aqueles que pretendem lê-lo, que o livro é explícito em sua totalidade, então estejam preparados para vislumbrar um sem número de cenas hots exaustivamente detalhadas, flashbacks perturbadores e por último mas nem de longe menos importante, para entrar na mente de um psicopata. 

9 comentários

  1. Oiee ^^
    Uma pena que o Chase só tenha parado de ser homem das cavernas porque a noiva ficou fragilizada :/ li umas resenhas do primeiro livro que me desanimaram completamente (mesmo que eu nem tivesse vontade de lê-lo, pois não tinha gostado dos outros livros da autora). Apesar de ver que o relacionamento dos personagens foi um pouco para o lado emocional, (o que me agrada) eu ainda assim não conseguiria ler esse livro, justamente pela autora usar sexo para curar tudo :/
    MilkMilks ♥
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

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  2. Oie, tudo bem?
    Eu adorei sua sinceridade ao escrever. Dificilmente dou chance quando o primeiro livro não me agrada, então não leria esse mesmo que tenha melhorado um pouco em relação ao anterior. Mas o seu post está muito bom 💙

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  3. Eu sou a típica leitora que se recusa a desistir.” Hahaha! Amei essa frase, embora eu não seja assim tão perseverante, acho bacana você ser e, aliás, se você adquiriu os livros, o melhor que tem a fazer é forçar a leitura e tentar extrair algo bom e proveitoso dela.
    Achei muito diferente, sincera e curiosa sua forma de relatar seus sentimentos e impressões acerca do livro.
    Na boa, se algum dia eu for publicar alguma coisa, gostaria de que você fizesse uma resenha, porque só em ler seu texto sobre o livro já me deu uma vontade enorme de fazer a leitura, apesar de eu saber que o livro não faz o meu gênero. rsrs
    Acho que é a sua capacidade de persuasão através da escrita. rs
    Parabéns! Uma resenha bem feita é outro nível.
    Não conheço o livro, mas pelo que você escreveu sobre Chase, ele é bastante crível e sua relação com a mocinha é mega próxima ao que vemos na realidade, porque, quantos de nós sendo homens ou mulheres não temos esse sentimento de posse em relação ao outro?
    O fato de isso te incomodar é uma coisa, mas o personagem tem características bem reais e essa atitude dele, é muito humana e comum. Infelizmente.
    Se a trama segue uma linha dramática, e nós sabemos que o foco do drama está em se basear na realidade, a realidade não se segue só de fatos agradáveis e honrosos. Os personagens de uma ficção têm características boas e ruins.
    A questão da autora utilizar as relações sexuais para resolver qualquer desavença do casal também se tornou uma característica que vemos muito nos livros e isto sim difere da realidade, mas se trata de algo que muitos leitores se acostumam a ler, é o que tem dado fama a algumas histórias e é isto o que tem feito sucesso, sabe? Mas sua crítica com relação a este fato, é a minha também.
    Se me permite uma crítica, sua resenha está maravilhosa, mas você pode ser mais sucinta. Enfim...
    Grata por me presentear com sua escrita! Que tal tentar fazer seus próprios textos?
    Sucesso!

    Eliziane Dias

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  4. Oi, Del

    Mulher, mesmo com essa melhora e esse maior teor de mistério eu não vou dar uma chance pra série.
    Eu também sou dura na queda, em toda minha vida abandonei apenas dois livros, a leitura pode estar ruim, mas leio até o fim. E eu não curto deixar séries inacabadas, mas tive que largar A Garota do Calendário. Achei extremamente ruim e mal escrito, não ia gastar meu dinheirinho pra ficar revirando os olhos por mais não sei quantos livros.
    Acho a autora extremamente limitada e nada versátil, por isso vou dedicar meu tempo lendo outras coisas, pois já vi que eu e Audrey não nos batemos! Hahaha

    Beijos
    - Tami
    http://www.meuepilogo.com

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  5. Oi, Del! Tudo bem?
    Como você, eu faço parte do grupo de pessoas que se decepcionaram com o primeiro livro e acho que ficamos incomodadas com os mesmos aspectos. Eu, sinceramente, não tenho curiosidade de dar continuidade a série.
    Essa questão do mistério deve deixar a leitura mais interessante, bem como a abordagem mais aprofundada do passado da Gillian. Porém, acho que se eu ler outro livro com a Gillian obedecendo cegamente o Chase e isso ainda ser justificado pela situação vulnerável em que se encontra vou jogar o livro na parede hahaha. Apesar de ter ficado mais curiosa para saber o que esse homem que persegue a Gillian fará, eu ainda não sei se tenho paciência para aguentar esse casal de novo haha.
    De qualquer forma, adorei sua resenha e achei super completa.
    Beijos!

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  6. Acabei não lendo a sua resenha por completo pra evitar spoilers, li metade de Corpo e abandonei porque muita coisa me saturou, a escrita maçante, a romantização de relacionamento abusivo... Enfim, mas o que quero ressaltar é como você me animou, eu havia desistido dessa leitura, mas você me deu forças pra terminar o primeiro volume e partir pro segundo, valeu!

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  7. Eu desisti da Audrey lá na série da Garota do Calendário e não estava animada com esta nova série aqui até ler essa resenha muito instigante. Fiquei muito curiosa com essa ambiguidade do casal e essa tensão do enredo.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

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  8. Oi!
    Eu tentei ler o primeiro e não funcionou pra mim, mas uma amiga adorou porque gosta dessas histórias com homens controladores e tals.
    Mas fico bem feliz em ler que a trama está ficando bem complexa e fugindo do clichê que estava no livro anterior, mas acho que ainda assim não me animo em voltar a le-la pelo fato que a mocinha parece claramente estar em outro relacionamento abusivo e não se toca =/

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  9. Olá!
    Eu nem tentei ler o primeiro ainda e, apesar das críticas negativas, eu tenho curiosidade em ter a minha própria opinião sobre ele. Não acho que faça muito o meu estilo de leitura, mas posso dar uma chance e quem sabe eu me surpreendo, não é mesmo? Mas tenho a sensação que é um relacionamento abusivo e isso me desanima demais. Mas adorei a sua resenha super sincera.
    Beijos.

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