4 de dezembro de 2017

[Resenha] Corpo - Audrey Carlan

Olá chicos!
Algum órfão de A garota do calendário por ai? Admito que não tive uma experiência muito boa com a primeira série publicada aqui no Brasil dessa autora e que por isso tive muito receio em dar mais uma chance aos livros dela, mas como me recuso a desistir fácil do que quer que seja, cá estou eu para falar de mais uma série de Audrey Carlan. Trinity teve seu último livro publicado no exterior este ano, a série conta com cinco livros, onde os três primeiros focam na história de uma única protagonista, portando devem ser lidos na ordem de publicação, e os dois últimos que contam a história de suas irmãs de alma (falarei mais a respeito logo mais). Mesmo existindo a possibilidade de ler os últimos livro de forma independente recomendo que todos sejam lidos na ordem, pois a série segue uma cronologia e trás informações importantes que se completam a cada novo volume.

Corpo (Body)
Coleção: Trinity #01
Autor (a): Audrey Carlan @AudreyCarlan
Publicação: Verus *Cortesia
ISBN: 9999097354176 | Skoob
Gênero: Erótico +18
Ano: 2017
Páginas: 364
Minha avaliação: 3/5★
"Eu te amo. Eu te quero. Eu nunca vou te deixar." Gillian Callahan entra em pânico só de ouvir esse tipo de frase. Por anos ela viveu uma relação abusiva com seu ex-namorado violento. Agora ela está livre e segura, trabalhando para uma fundação de apoio a mulheres vítimas de violência - a mesma que a resgatou e salvou sua vida. Gillian não quer saber de homem nenhum. Até conhecer Chase Davis, o presidente da fundação. O bilionário é tão sexy e sedutor que Gillian fica sem chão. Chase sempre consegue o que quer - e ele quer Gillian. Agora ela terá de enfrentar a batalha entre o desejo e o medo. Gillian vai conseguir confiar em Chase? Ela está segura com ele? E quão perigoso pode ser um passado sombrio... não só o dela, mas o do homem que ela aprendeu a amar?
Quando soube que mais uma série da Audrey seria lançada no Brasil me vi dividida entre o medo de ter que enfrentar uma nova decepção e a ansiedade de descobrir o que essa nova história poderia me proporcionar. Decidi que daria uma chance, não me sentiria em paz em desistir sem nem mesmo tentar, então li e me frustrei mas não apenas isso. Dessa vez não é tão simples, não consegui amar e muito menos odiar esta trama, posso adiantar que fiquei em meio a um fogo cruzado, porque a temática sem sombra de dúvidas é relevante, a trama possui uma base sólida para ser desenvolvida, a narrativa segue fluída, mas a forma que a autora escolheu para nos apresentar a situação me soou meio que desconexa. Eu tenho sérios problemas de aceitar a visão de "sexualidade feminina" da autora, talvez este seja meu maior problema com suas histórias, não estou aqui criticando o direito das mulheres serem sexualmente ativas, terem múltiplos parceiros, sentirem-se excitadas ao estar com um homem atraente, nem nada do tipo. Me refiro a algo bem mais específico, como a irracionalidade da situação, não duvido que existam casos por ai, mas mesmo assim continuo achando excessivo e até mesmo exagerado o fato de uma mulher se submeter a situações desconfortáveis para dizer o mínimo, única e simplesmente porque está muito atraída pelo cara (ah! se eu não estivesse tão excitada não aceitaria esse tratamento grosseiro, invasivo e opressor, mas como ele é muito lindo vou fingir que nada está acontecendo). Por essas e por outras que para mim Corpo foi uma leitura ambígua.

Gillian, viveu anos infernais em um relacionamento abusivo que lhe deixou marcas que vão além dos ferimentos físicos. Não é fácil livrar-se das cicatrizes deixadas pelos abusos, mas com a ajuda de uma fundação que ajuda mulheres vítimas de violência ela consegue se reerguer e se redescobrir tanto pessoalmente como profissionalmente. Mas Gillian ainda não está completamente curada (e talvez nunca esteja), suas feridas da alma ainda doem com uma frequência assustadora e é exatamente este lembrante pulsante e invisível que a faz ter certeza de que deve se afastar de Chase, o homem de presença marcante e que não aceita um não como resposta é a perfeita definição do que ela não quer em sua vida atual, decidida a aproveitar ao máximo sua liberdade recém adquirida, Gillian sabe que envolver-se com um homem exigente e controlador não é a melhor opção. Mesmo assim ela não consegue resistir a forte atração que há entre eles, o desejo partilhado é tão abundante que nem o risco de perder seu emprego dos sonhos parece refrear o instinto quase animal que a domina quando está na presença dele. O fato é que Gillian deseja Chase como nunca desejou outro homem antes, mas seria isso o bastante para levá-la a tão sonhada felicidade? Ou apenas mais um passo rumo a fundo do poço de onde ela tanto lutou para sair?

Não posso negar que fiquei extremamente incomodada com as atitudes dos protagonistas, esse fato específico tornou a leitura da primeira parte da história um verdadeiro martírio. Quando o mistério estava no auge, e não havia qualquer envolvimento emocional, tudo me soava forçado e fora do lugar, não conseguia aceitar uma mulher que viveu um relacionamento abusivo que quase lhe roubou a vida literalmente, se sujeitar tão passivamente aos mandos e desmandos de um homem controlador. E o mais patético de tudo, que me vez revirar os olhos incontáveis vezes foi ter que ler Gillian afirmando cansativamente que não permitiria que o Chase tomasse as decisões em seu lugar só para logo em seguida ceder aos belos olhos e ao corpo magnífico dele. A história é excessivamente sexual, e apesar deu ter ciência de que trata-se de um romance erótico (não precisa me xingar), acreditei que haveria uma ênfase maior e melhor na questão do relacionamento abusivo, e não estou dizendo que não foi trabalhado, até foi mas a abordagem soou quase insignificante em relação ao resto. E embora as pessoas costumem não esperar nada além de entretenimento em livros do gênero, eu gosto de ir além porque já li obras maravilhosas, cheias de sensualidade e que mesmo assim não deixaram a desejar no conteúdo, mas isso é algo pessoal e talvez não interfira em sua opinião sobre a história.

Quando o assunto é o respeito a liberdade da parceira o Chase se iguala ou até mesmo supera o Christian Grey na escrotice, odeio quando a mulher está falando algo e o cara simplesmente ignora, como se não estivesse ouvindo, e simplesmente impõe sua vontade sem se importar que seja o contrário do que ela gostaria, e a principio o Chase consegue se consagrar o mestre da desfaçatez, mas conforme as coisas se desenrolam e as explicações vão surgindo fica mais fácil entender as atitudes de ambos os protagonistas, embora não as torne mais aceitáveis. A atração compartilhada entre Chase e Gillian é sólida e serve como base para a aproximação, a necessidade dela de liberdade e a dele de controle desencadeiam uma série de conflitos que levam a uma relação conturbada. Até ai não conseguia ver muito futuro nesse relacionamento, mas eis que revelações importantes a cerca do passado de Chase surgem das cinzas, e descobrimos que Gillian não foi a única que teve seu coração destruído em um relacionamento ruim.

Conhecer as dores, os medos e as marcas que o Chase carrega derrubou a muralha de imponência que foi construída ao redor do personagem no começo da história, e o tornou mais acessível e real, dessa forma pude entender o porque de algumas atitudes descabidas que ele pratica, mas repito que continuo sem aceitar. Sem falar que quando finalmente as feridas ocultas do Chase se revelam, surge uma nova sintonia entre ele e Gillian, o que era puramente sexual começa a se transformar em reconhecimento, empatia e a partir dai algo mais profundo. Apesar das etapas descritas quero deixar registrado que tudo foi muito rápido, em poucos meses (poucos mesmos, dois ou três), os personagens já tinham atingido a "plenitude" do envolvimento. Definitivamente o romance não chega a ser o ponto alto desta história, pelo menos não neste primeiro livro. Tem muito sexo, muita discussão, muito sexo de novo, um drama aqui e outro ali, suspense a perder de vista e o melhor de tudo, que me conquistou desde o primeiro instante, muita mas muita amizade verdadeira. Este sim é o ponto a se considerar. Gillian possui três irmãs de alma com as quais divide absolutamente tudo, desde suas maiores dores até seus medos e sonhos mais secretos, uma sempre está lá para a outra, da pra notar que elas compartilham entre si uma amor pleno e fraternal. E tenho que admitir que a autora trabalhou muito bem essa relação, desenvolveu as características e personalidades das amigas com maestria facilitando para o leitor a criação de uma ligação importante com elas.

Corpo, é uma história agridoce. Não existe a possibilidade de oito ou oitenta, você pode odiar uma infinidade de situações e atitudes descritas mas certamente também encontrará algo que te fará querer continuar dando uma chance a história, seja pela promessa do que está por vir ou simplesmente por algo que só você conseguiu captar e compreender. Uma trama imensamente sexual, permeada de um suspense interessante, que trás suas doses de divertimento. Claramente ainda faltam algumas peças importantes neste quebra cabeças que começa a ganhar forma, e considero isso uma jogada bem sucedida da autora que ao instigar a curiosidade do leitor, garantiu um certo interesse para os próximos livros da série. Os protagonistas ainda tem muito que evoluir, as feridas abertas que carregam tem ditado os rumos que o relacionamento vem tomando e isso em sua maioria tem tido um resultado negativo, não consegui me afeiçoar a nenhum dos dois, pra falar a verdade ambos me fizeram passar mais raiva do que eu gostaria, mas no fim das contas ainda não desisti de vê-los amadurecer. Recomendo que quem tiver interesse leia com a mente aberta, porque em meio aos espinhos existem alguns pequenas e frágeis flores para se apreciar.

9 comentários

  1. Eu já li algumas resenhas deste livro e quase todos não é muito favorável a ele, seja pela forma como o romance foi apresentado, seja pela construção dos personagens.
    A série A garota do calendário, não me despertou interesse e agora esse livro um tanto quanto depreciativo... realmente não é pra mim.
    Mania feia de romantizar o que não é romantico.

    Beijos.
    https://cabinedeleitura0.blogspot.com.br/

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  2. Oi oi!
    Ahh menina, A garota do calendário não me agradou pelas resenhas e confesso que Corpo tb não me chamou atenção.
    Assim como vc, não me agrada a forma como a autora trabalha a sexualidade feminina.
    No entanto, indico o livro para minha sócia de blog, que acho que vai gostar.
    Bj

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  3. Olá, como vai?

    Li esse livro recentemente, ele foi o meu primeiro contato com a escrita da autora, e por várias opiniões favoráveis a respeito de sua maneira de escrever e pelo tema abordado neste enredo, eu criei inúmeras expectativas, e, infelizmente, eu me decepcionei. Diversas vezes pensei em desistir da leitura, mas fui levando e levando e a coisa foi ficando cada vez mais arrastada. Sua resenha me representa demais, você praticamente disse tudo o que eu senti lendo o livro.

    Beijos!

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  4. Oii!!! Eu li a série Garota do calendário e até gostei. Eu me peguei questionando algumas situações por várias vezes, mas continuei a leitura.Como você mesmo disse, a escrita da autora é fluída, por isso consegui ler todos os livros. Rsrs..
    Não conhecia essa nova série mas pelo enredo, não me despertou o interesse de ler.

    Beijos!
    www.citacaonunclick.com.br

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  5. Oi, tudo bem?
    Eu peguei um ranço tão grande desse livro que ele não tem nem concorrência na minha lista de piores do ano hahaha. Eu não me interessei por A Garota do Calendário, mas esse eu fiquei curiosa por falar sobre relacionamento abusivo.
    Aí achei que ela pegou toda a relevância do assunto e jogou no lixo ao romantizar outro relacionamento abusivo e ainda justificar as atitudes do "mocinho". Além disso, como você, eu também achei o relacionamento muito rápido e baseado somente no sexo e na atração. Senti falta de uma profundidade maior nessa relação.
    Com relação às relações de amizade, achei o conceito muito bom, mas acabou sendo outra coisa que não me convenceu. Achei muito absurdo as amigas da Gillian verem ela entrando em outro relacionamento abusivo e darem a maior força.
    De qualquer forma, adorei sua resenha e acho que você justificou muito bem as coisas que gostou e que não gostou na obra. Espero que você goste mais dos próximos livros.
    Beijos!

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  6. Querida, diferente de você, eu não daria outra chance para autora porque a série A Garota do Calendário não funcionou nadinha pra mim. Parei no segundo livro e ainda questiono como a serie conseguiu fazer sucesso.
    Gostei dos seus argumentos, mas ainda assim, deixarei a dica passar.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

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  7. Oiee ^^
    Você não é a primeira pessoa a mencionar essa contradição da autora. Acredito que uma mulher que quase perdeu a vida num relacionamento abusivo não cairia direto num relacionamento tão abusivo quanto só porque o cara é gostoso, né? Ela precisa ter pelo menos um pouco de bom senso e de amor próprio e saber que merece mais que isso, né? Eu não conseguiria ler esse livro, assim como não consegui ler os outros de A garota do calendário (li os dois primeiros porque ganhei, já que não iria comprar...hehe') e assim como não leio outros livros eróticos. Eu odeio personagens masculinos opressores e possessivos, simplesmente não consigo aturar.
    MilkMilks ♥
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

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  8. Oi, acho que é impossível ler esse livro, por motivos obvios: não curto eroticos. Mas dei chance pra 50 tons e, como você menciona, A garota do calendário. Então, dificilmente leria esse livro. E outra coisa que me incomoda é essa incoerência em relação a personagem. Como ninguem percebeu isso? hahaha!

    www.porredelivros.com

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  9. Oi.
    Bom, vou ser bem sincera aqui. Assim como você, eu já li obras maravilhosas do gênero, mas agora estou fugindo dele. Simplesmente porque cansei de passar raiva. Eu não consigo entender e me identificar com uma personagem que se submete aos mandos e desmandos de um homem controlador simplesmente porque ele é bonito, porque ela tem tesão nele ou porque o cara teve um passado difícil.
    Mas o que me incomoda de verdade é entrar nas redes sociais depois e ver um monte de mulheres falando que o personagem é perfeito só porque é rico e bonito. Não interessa o quanto ele foi abusivo.
    Então, pelo bem da minha sanidade mental eu decidi simplesmente me afastar e não ler mais o gênero (porque cansei de tentar peneirar) e nem comentários sobre o gênero nas redes sociais.
    Adorei a sinceridade da resenha.
    Beijos.

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