12 de maio de 2018

[Resenha] Uma Irmã - Bastien Vivès

Oi cariños!
Já faz um tempinho que ando batendo cabeça com minhas leituras e por isso andei ausente daqui. Sabe aquela fase negra onde nada flui? Pois então, andei passando por algo tipo. Vários livros iniciados e quase nenhum finalizado e quando o milagre de concluir uma leitura acontece, eis que o ânimo para falar a respeito é quase inexistente. Pensem numa barra pesada! Maaaas, felizmente como tudo na vida, as fases ruins possuem começo, meio e fim, e a minha terminou graças a este livro, nunca escondi de ninguém minha paixão por HQ's e Grafic novel's, e esta em especial trás o sabor da adolescência, e me fez recordar das inesquecíveis sensações que as primeiras descobertas do mundo adulto é capaz de nos proporcionar, e é por isto que estou aqui hoje, tomada pela empolgação de quem se lembra e quer compartilhar uma história singela e comovente. Uma irmã é a mais recente grafic novel de Bastien Vivés, um jovem quadrinista francês que vem ganhando destaque na Europa.

Uma irmã (Une soeur)
Autor (a): Bastien Vivès @bastienvives
Publicação: Nemo *Cortesia
ISBN: 9788582864401 | Skoob
Gênero: HQ
Ano: 2018
Páginas: 216
Minha avaliação: 4/5★
Ao ter suas férias pacatas transformadas por Hélène, o jovem Antoine passa a viver os dias mais intensos de sua vida, repletos de emoção e receios. De forma sutil, ainda que forte, ele vai descobrindo um universo feminino tão gracioso quanto perturbador. E o que poderia ser apenas mais uma história de verão, se transforma, pelas mãos de Vivés, em uma narrativa apaixonante. Um conto delicado e sensual sobre o despertar de um adolescente que provoca um turbilhão de sentimentos.
Eis uma leitura que me surpreendeu consideravelmente, não por sua história em si, mas pela forma simples, direta e porque não dizer crua, que o autor usou para abordar situações que além de comuns são de extrema importância ao nosso processo de evolução pessoal. A descoberta da sexualidade surge para o adolescente como uma espécie de tabu, algumas vezes vem acompanhada de um constrangimento pegajoso e inconveniente, que pode desencadear alguns bloqueios e dificultar o processo além do necessário. Claro que não existe uma regra a ser seguida, não me arrisco a generalizações e nem tenho nenhuma pesquisa como base, mas tendo em mente alguns exemplos pessoais, ouso dizer que o processo de auto descobrimento nem sempre é fácil. Enquanto me entregava a esta história consegui sem muito esforço resgatar memórias que, embora antigas, seguem vívidas em minha mente. O primeiro amor, as primeiras descobertas e as primeiras sensações, são lembranças que ganham vida enquanto esta trama singela se desenrola.

Antoine leva uma vida pacata ao lado dos pais e do irmão caçula, o garoto não costuma esperar nada muito destoante da rotina confortável já estabelecida, no entanto ao embarcar em uma viagem de férias em família ele se depara com algo inesperadamente novo. A princípio conhecer Hélène é como um ponto fora da curva para Antonie, mas não demora muito para que este furacão em forma de garota desperte uma curiosidade até então desconhecida no adolescente. Impelido por desejos recém descobertos, ambos se vêem envolvidos em uma necessidade quase desesperada de aproveitar cada oportunidade que este verão pode lhes oferecer. Uma amizade construída de forma sublime e sensual capaz de deixar marcas inesquecíveis.

Se tivesse que descrever esta história com apenas uma palavra, eu diria, natural. E quando digo isso não me refiro apenas a temática abordada mas também a construção da trama que ocorre com uma espontaneidade admirável e mesmo os momentos mais explícitos não parecem exagerados ou fora de lugar, ao contrário disto, encaixam-se perfeitamente ao que o enredo propõe. Os personagens deixam sua marca e embora não tenha desenvolvido qualquer afeição por nenhum deles, admito que representam bem seus papéis na história. Enquanto Antoine como um adolescente comum, inicia não só um processo de autodescoberta, mas também passa a explorar o que a feminilidade de Hélène pode lhe oferecer, a garota por suas vez encontra nele um porto necessário repleto de carinho e admiração, ambos doam e recebem tudo que podem. Esse detalhe torna a breve relação deles ainda mais orgânica. Não é difícil perceber onde o elo começa a se formar. Antoine vê em Hélène uma garota destemida que se lança no desconhecido sem medos ou pudores. Já Hélène, recebe de Antoine o carinho e a atenção que tanto tem lhe faltado. Juntos eles passam por um processo sutil de desenvolvimento, permeado de desafios e entendimento, tais acontecimentos despertam no leitor não apenas reconhecimento mas também a boa e velha nostalgia de já ter passado por pelo menos uma das situações vividas pelos personagens.


Uma irmã, é uma história de auto descobrimento. Através de uma narrativa direta Bastién Vivés apresenta o fascínio do primeiro amor, e este por sua vez provoca o desabrochar de sensações primitivas que em sua maioria dispensam qualquer explicação. De forma singela, Antoine abandona pouco a pouco a inocência infantil e caminha a largos passos em direção ao descobrimento do próprio corpo. Por meio de traços minimalistas temos acesso ao desenvolvimento de uma amizade improvável entre dois opostos que mesmo possuindo gostos e necessidades divergentes, conseguem se encontrar em um ponto comum, onde compartilham entre si um infinidade de sentimentos. Uma história singela que nos faz lembrar que um amor de verão pode até passar despercebido aos olhos da maioria, mas dos sussurros e encontros as escondidas pode surgir aquela experiência capaz de nos marcar por toda a vida.

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