Batendo na mesma tecla: Como eu era antes de você

quarta-feira, agosto 10, 2016

Genteeee!

Eu preciso falar! Quero pedir licença aqui pra falar de um assunto que já está mais batido que a minha vitamina de banana. Eu tinha prometido pra mim mesma que não, eu não iria falar desse filme, até porque todo mundo já falou e eu sei, gente eu sei mesmo que vocês estão carecas de saber tudo que acontece. Tenho certeza que até quem não assistiu ao filme ou leu o livro já sabe de cór cada detalhe, isso porque os spoilers foram e continuam sendo generosos e podem ser vistos em todas as plataformas possíveis. Mesmo assim eu quero falar, tá? Prometo que serei breve, e quem sabe aborde alguns pontos novos (ou talvez menos falados).


Então, quem não conhece a história (se é que existe alguém no mundo), Como eu era antes de você nos apresenta Louisa Clark uma mulher excêntrica (no mínimo), que após ser demitida do seu último emprego se vê aceitando a vaga de cuidadora de Will Traner, um jovem que a dois anos lida com tetraplegia, resultado de um atropelamento. Will vive mergulhado na infelicidade de viver uma vida limitada e Lou recebe o encargo de trazer cor ao mundo cinza do rapaz (uma tarefa nada fácil, diga-se de passagem), 

Antes de começar a falar o que achei desse filme, quero deixar claro que essa postagem não se trata de um crítica, nem nada do tipo, só gostaria de conversar um pouquinho sobre minhas percepções a cerca da obra, okay? Então apertem o play dessa playlist diva e vamos lá!


Eu já sabia tudo que ia acontecer no filme antes mesmo de me sentar para assistir, devo isso a todos os spoilers que os fãs eufóricos andaram soltando por ai (a quem diga que a culpa é minha, por não ter lido um livro que foi lançado a séculos), mas posso viver com isso. E por isso, posso afirmar que meio que já tinha uma opinião formada a respeito do drama principal, mas eu precisava assistir para poder opinar com propriedade, certo? Pois após assistir e chorar horrores... Gente, eu chorei, chorei mesmo, até minha cabeça doer. Continuando... Após chorar horrores eu confirmei minha teoria que é a seguinte: ALERTA SPOILER: Se você não sabe o que acontece na história sugiro que pare por aqui.

O Will não foi egoísta, vamos parar de falar isso, please? 

Como ser humano temente a Deus que sou, não consigo imaginar razão no mundo que nos dê o direito de tirarmos a nossa própria vida (ou a vida de qualquer outra pessoa), mas como profissional da saúde preciso dizer que entendo gente, ninguém jamais será capaz de opinar com propriedade sobre um assunto que não domina, o que nos resta é especular, então proponho a todos que se esforcem um pouquinho para olhar o mundo pela perspectiva do Will. O cara cheio de vida, apaixonado por aventuras e sedento por adrenalina, que na flor da idade se viu limitado a uma cabeça, que pensa, que vê e que quer muito mais do que pode ter. Eu sei que para muitos (eu também consigo pensar assim) o fato de se estar vivo é uma dádiva que deve ser apreciada e agradecida diariamente, mas e o resto? Will não conseguiu se adaptar a sua nova condição, em parte porque ele não conseguia aceitar que jamais poderia voltar a ser o homem INDEPENDENTE, que ele foi por muitos anos. Além disso, é claro que haviam os encargos físicos de sua condição, o corpo inerte e frágil, que o tornou suscetível a todo tipo de doença e dor (muitas dores, por sinal). Eu sei que é mais fácil vê-lo como um covarde que decidiu deixar de viver e abandou a todos que o amavam, inclusive a Lou.


Eu no entanto enxergo tudo de uma forma diferente. O Will viveu alguns (vários) momentos felizes ao lado da Louisa, mas isso não foi o suficiente para aplacar o que havia dentro dele, o não conformismo e os sofrimentos diários falaram mais alto, e sei que muitos o estão criticando por isso... Mas será que todos ainda lembram daquele ditado: Não procure alguém que te complete. complete a si mesmo e procure alguém que te transborde? Então, Will não estava completo e o amor da Lou, por mais lindo que fosse não faria o milagre que todos nós esperávamos. Sei bem, que existem pessoas no mundo todo que vivem com a tetraplegia, pelo amor de Deus, não pensem que eu estou aqui fazendo a campanha pró eutanásia para todos. Não se trata disso, o que eu quero deixar claro é que cada um tem o direito de lidar com sua dor da forma que é capaz, e quem somos nós para decidirmos o quão suportável ela deve ser? Só porque torcemos para que Will e Lou ficassem juntos e felizes, não torna isso possível e muito menos o melhor caminho para ambos.


Não seria justo com o Will que estava sofrendo física e psicologicamente e NÃO QUERIA (e por mais que seja difícil de aceitar ele tinha o direito de escolha) continuar naquela situação e não seria justo com a Lou, que apesar de se dizer feliz com sua vida, aos vinte e seis anos não tinha vivido absolutamente nada e ficaria (de bom grado, eu sei), presa as limitações do Will para sempre se fosse preciso. Por fim, quero acreditar que embora tenha sido extremamente doloroso o desfecho se deu tal como deveria, o Will fez o que queria com sua própria vida e apesar de ter causado muita dor a terceiros, não o vejo como um homem egoísta, mas sim como alguém que decidiu em primeiro lugar o melhor para si (e não é o que buscamos todos nós?) e acreditou que apesar da dor, sua decisão ajudaria aos que estavam ao seu redor a seguirem em frente também. Novamente, não acho que essa seja a melhor saída de fato, mas foi a que ele escolheu, e eu respeito isso. Talvez esse seja o ponto, não estamos aqui para julgar as decisões que não nos cabem, talvez se pararmos de pensar nele apenas como o cara gato e sarcástico que devia ter ficado com a Lou e lembrarmos do sofrimento constante que ele não estava mais disposto a sentir, fique mais fácil nos despirmos da nossa toga de juízes e respeitarmos os direitos e as escolhas dos outros.



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15 comentários

  1. Tomei cuidado para ler o post com medo de pegar mais spoilers.
    Até hoje não li o livro, porém já peguei alguns spoilers sem querer que acabei até desanimando de ler.

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  2. Belas palavras! *-* Eu vou confessar aqui, segredo rsrs: nunca li Como eu era antes de você, na vdd nunca li nada da Jojo (ainda). Mulher, me sinto um E.T. por causa disso kkkk mas essa realidade vai mudar! Bom, e falando sobre a escolha do personagem (não li o livro, nem vi o filme, mas já sei de tudo kkkk) eu concordo contigo. A gente sempre torce para que o casal fique junto, independentemente das dificuldades, e esquece de olhar o lado humano deles, se realmente ficarem juntos é o melhor para ele. Eu fico triste pela escolha dele, que é a escolha de algumas pessoas nessa situação, mas é um direito... Aw, fiquei até emocionada agora rs falando isso, mas é algo tão individual e tão triste... Enfim. Quero ler logo essa história.

    Bjão, Delmara!
    Jess, do blog A Rosa do Princípe
    www.arosadoprincipe.blogspot.com.br

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  3. Palmas. Concordo em tudo que vc disse. Eu tbm cheguei na mesma conclusão que vc. Tbm chorei horrores quando assisti o filme , mais do q quando eu li o livro. Eu entendi perfeitamente o q o Will queria fazer, acho q faria o mesmo se estivesse no lugar dele. Sentir dor é horrível, ainda mais constantemente, já passei por isso e queria o mesmo destino q o dele, mas eu tinha a consciência de que ia passar, já a dele não. O pessoal está acostumado com finais felizes, mas não conseguem encher a história de outras formas, só sabem julgar. Eu achei lindo e nos faz refletir mais sobre a vida.
    Adorei o que escreveu e seus pontos de vista.
    Beijos.

    http://as-coisas-mais-doces.blogspot.com/

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  4. O clichê mais esperado de todos os tempos eu acho. Me planejei de diversas maneiras para ir assistir no cinema mas não consegui, acredita que todas as sessões legendadas eram lotadas até o dia de sair de exibição? e eu não aguento assistir dublado(ninguém merece). Agora é esperar pelo blu-ray e quem sabe ser a última pessoa que assistiu! kkkkkkkkkkkkk adorei o post me deu vontade de matar o povo do cinema daqui!

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  5. Olá!
    Amei tudo que você escreveu! Respeitar as escolhas das pessoas, acima de qualquer coisa. Não li o livro e nem pretendo. Talvez um dia assista o filme, mas sinceramente não tenho muita vontade. Mas simplesmente porque não é meu gênero preferido. Mas claro que sei o final, porque de tanto a gente ler resenhas e comentários, é fácil de deduzir. E é um final bem compreensível, apesar da gente sempre esperar o "felizes para sempre". Beijos.

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  6. Assim como você, também acho que esse assunto já ta saturado hahaha Não aguento mais! Eu, dificilmente, leio/assisto romance/drama, por conta disso nem li nem assisti ao filme. Apesar disso, já sei algumas coisas da história. Adorei ver que esse post não se trata de uma resenha/crítica, e sim de suas percepções. Como eu não li nem assisti, não tenho como opinar. Mas adorei o post!

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  7. Olá!

    Eu fui assistir esse filme com a minha mãe, eu não gostei muito, pois não faz o meu estilo. Minha mãe adorou e ficou batendo nessa mesma tecla durante uma semana! Rendeu boas conversas, gostei do post.

    Abraços, Heitor Botti
    shakedepalavras.blogspot.com

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  8. Assisti o filme na semana passada e ainda estou um pouco anestesiada com os vários sentimentos que senti, isso que já tinha lido o livro e sabia exatamente o que aconteceria! Mesmo assim, a mesma história contada de outra forma acabou despertando outras emoções, tão intensas quanto as primeiras! Eu admito que fiquei bem dividida sobre o que pensar do Will. Quando li o livro, lembro que fiquei bastante e triste e inclusive pensei nele como um egoísta por deixar a Lou pra trás.

    Depois, ao assistir o filme e me recordar melhor de todo o contexto, comecei a vê-lo da forma como ele se via e, realmente, passei a entendê-lo um pouco melhor. Nem por isso fico menos triste pela história dos dois, claro.

    Adorei seu texto!

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  9. Puxa, eu nunca li o livro e nem assisti ao filme. Realmente a história é tão comentada que eu ja conheço praticamente tudo do que acontece. Mas não gosto de histórias sentimentais assim, não faz meu tipo.

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  10. Ai gente, eu continuo achando ele um egoísta, bobo e tudo mais. Sim eu chorei vendo o filme, mesmo sabendo o que ia acontecer, eu tinha esperanças de mudar o final aos 45 minutos da prorrogação :(

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  11. Olá, Delmara.
    Sou criada na igreja e sempre aprendi que só Deus tem o direito de tirar uma vida já que ela não me pertence eu não tenho poder sobre ela. Mas esse assunto é bem complicado mesmo. Tem que pensar e se fosse eu no lugar dele? Não assisti o filme e não sei se vou assistir porque amei o livro e sempre mudam muita coisa.

    Blog Prefácio

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  12. Eu concordo em tudo com você! Tudo mesmo.
    Will estava sofrendo muito, tinha muitas dores, sua saúde era muito frágil, não seria justo pedir que ele continuasse assim.
    Claro, eu e a maioria das pessoas queriam um final diferente, mas as coisas nem sempre são do jeito que a gente quer né?
    Então, acho que egoísta são as pessoas que dizem que o Will é egoísta.
    Ah, só pra constar, amei a adaptação e o livro <3

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  13. eu ainda não tive coragem de ler o livro e muito menos de ver o filme mesmo sabendo o final, eu fico muito triste com isso, mas eu entendo o lado dele, só quem passa por isso ou já passou entende no final a escolha dele.

    bjuu

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  14. Oi!
    Achei bem interessante esse ponto que você levantou, lembro que vi muitos spoiler sobre esse livro e o filme, mas quando li uma das coisas que pensei e que a Jojo conseguiu nos mostrar os dois ladas e mesmo não concordando com a atitude do Will acabamos entendo os motivos de ele a tomar e gostei muito de terem retrata essa parte no filme também !!

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  15. Ah, eu amei esse livro! Ainda não assisti o filme, até porque acabei assistindo outros e deixando ele para depois, por aquele medo enorme de se decepcionar rsrs. Mesmo assim já decorei a trilha sonora e adorei, tenho certeza que foi a melhor para o filme. Li uma vez em um blog um post sobre o assunto e começo a pensar assim: Ninguem pode julgar o outro sem ter passado pelo mesmo. Will teve um trauma, o principal é que sua vida não deve ser dedicada a mocinha, e sim a ele mesmo, a se sentir bem com si próprio; amei o post e concordo com você

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