21 de janeiro de 2013

Resenha #04 Pássaros Feridos - Colleen McCullough

Hoje trago para vocês a resenha do primeiro livro clássico que li. Confesso que tinha um pé atrás com esse gênero, mas a leitura foi agradável e eu pretendo continuar lendo livros do gênero.

Titulo: Pássaros Feridos
Autor: Colleen McCullough
Editora: Bertrand Brasil
N° de páginas: 546
Pássaros Feridos é a saga vigorosa e romântica de uma família singular, os Clearys. Começa no princípio do século XX, quando Paddy Cleary leva a mulher, Fiona e os sete filhos do casal para Drogheda, vasta fazenda de criação de carneiros, propriedade da irmã mais velha, viúva autoritária e sem filhos; e termina mais de meio século depois, quando a única sobrevivente da terceira geração, a brilhante actriz Justine O' Neill, muitos meridianos longe das suas raízes, começa a viver o seu grande amor. Personagens maravilhosas povoam este livro: o forte e delicado Paddy, que esconde uma recordação muito íntima; a zelosa Fiona, que se recusa a dar amor porque este, um dia, a traiu; o violento e atormentado Frank e os outros filhos do casal Cleary, que trabalham de sol a sol e dedicam a Drogheda a energia e devoção que a maioria dos homens destina às mulheres; Meggie, Ralph e os filhos de Meggie, Justine e Dane. E a própria terra: nua, inflexível nas suas florações, presa de ciclos gigantescos de secas e cheias, rica quando a natureza é generosa, imprevisível como nenhum outro sítio na terra. 

Pássaros feridos é um clássico que conta a história da família Cleary que tem início no começo do século 20. A personagem em destaque é Maggie Cleary que durante a infância foi um criança linda que apesar de toda a pobreza e dificuldades estava resignada a não reclamar das provações que a vida lhe impôs.

Durante sua infância difícil, o seu ponto de apoio era Frank um jovem violento e atormentado que devotava amor incondicional a mãe Fiona e a Maggie irmã caçula. Frank proporcionava a Maggie a atenção e o carinho que ela não encontrava no resto da família.


Quando a família de Maggie se muda para Drogheda uma enorme fazenda de criação de carneiros, ela conhece Padre Ralph um homem ambicioso e excepcionalmente belo, e daí surge um carinho mutuo entre os dois. Mais o tempo passa e o que era apenas carinho e ternura entre um padre e uma criança amadurece e torna-se amor entre um homem e uma mulher.

Em nenhum momento duvidei do amor de ambas as parte, mas, existia a resistência da parte de Ralph que resistiu a esse amor de todas as formas possíveis se recusando a abrir mão da ascensão de poder que a igreja lhe proporcionaria. Mas o que me incomodou extremamente é o fato do Ralph ter nutrido amplamente o amor de Maggie para com ele, ele sempre estava perto "cuidando" do bem estar dela quando criança, na juventude dela ficou claro que ela ela o amava e ainda assim ele a beijava para logo depois dizer que era um padre e que não poderiam ficar juntos, dizia que a amava para em seguida pedir que ela casasse e concebesse filhos com outros. Por esta razão apesar de gostar muito de Ralph eu o culpo por grande parte do sofrimento de Maggie. Devido a sua permanente dúvida entre o amor e o dinheiro ele não pode ser feliz e arrastou Maggie junto com ele para um inferno aqui na terra.

Decidida a esquecer Ralph Maggie se jogou em um casamento furado com Luke O'Neill um homem ambicioso que passou a vida toda lutando pra comprar uma bendita fazenda (Tenho minhas dúvidas quanto a sanidade desse personagem), mas apesar dos anos passarem e dele já ter juntado uma fortuna nunca era o suficiente pra Luke comprar a fazenda (Talvez ele quisesse uma toda de ouro). Cansada de tanto esperar para ter um lar Maggie abandona Luke e volta para Drogheda com Justine sua filha fruto do seu casamento com Luke e grávida de Dane fruto de uma noite de amor com Ralph (que depois disso viaja para o vaticano, pois ele é padre e não pode ficar com ela). Ralph ama muito Maggie e não pode ficar muito tempo longe, mas me incomoda o fato dele sempre plantar sementes de esperança para logo em seguida partir e deixá-la só novamente.


Outro ponto alto que me incomodou bastante foi  Maggie ter escondido de Ralph o fato de Dane ser filho dele, fazendo assim com que se esvaísse toda a minha esperança deles serem felizes juntos.


Mais enfim, este livro está povoado de personagens maravilhosos e reais, que apresentam uma gama de sentimentos contagiantes, amor, ódio, sofrimento, ganância, todos estes são bem nítidos a ponto de eu quase senti-los fisicamente. Me senti envolvida no enredo, desenhando em minha mente todos os cenários a mim apresentados desde Drogheda ao Vaticano. Melhor do que qualquer aula de história, este livro me mostrou de forma viva e real a Austrália do século XX

Este é um bom livro e apesar das suas quase 600 páginas não é nem um pouco cansativo, pois a cada página a autora nos proporciona uma viagem magnifica e reveladora.


"Existe uma lenda acerca de um pássaro que só canta uma vez na vida, com mais suavidade que qualquer outra criatura sobre a terra. A partir do momento em que deixa o ninho, começa a procurar um espinheiro-alvar, e só descansa quando o encontra. Depois, cantando entre os galhos selvagens, empala-se no acúleo mais agudo e mais comprido. E, morrendo, sublima a própria agonia e despede um canto mais belo que o da cotovia e o de rouxinol. Um canto superlativo, cujo preço é a existência. Mas o mundo inteiro pára para ouvi-lo, e Deus sorri no céu. Pois o melhor só se adquire à custa de um grande sofrimento ... Pelo menos é o que diz a lenda. "

Ótimo

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