2 de setembro de 2018

[Resenha] Tudo aquilo que nos separa - Rosie Walsh

Olá pessoas!
Recentemente recebi uma prova antecipada de Tudo aquilo que nos separa de Rosie Walsh, e antes de embarcar de vez na leitura dei uma pesquisada a respeito, não sei se esse é o caso, mas ao que parece este pode ser mais um daqueles livros ou ame ou odeie, isso porque a trama nada comum pode te deixar completamente viciado na história ou te entediar logo nas primeiras páginas, sem falar da intensidade de alguns sentimentos que na ausência de empatia podem soar sem nexo. Minha experiência foi maravilhosa, isso porque eu me propus a entender antes de julgar, o que ajuda muito. Vai por mim. Então antes de seguir lendo minha resenha, ou de pensar em iniciar essa leitura peço que vocês reflitam sobre o amor a primeira vista, mas não estou falando de "ah! Que pessoa legal, quero conhecer melhor.", me refiro ao amor no sentido mais amplo da palavra, quando você bate o olho naquela pessoa e simplesmente sabe, naquele momento que não se explica de forma racional mas se sente em cada célula do corpo, no amor que da sentido e pelo qual se quer lutar. Se você acredita na existência de algo dessa magnitude então você fará uma leitura maravilhosa, caso contrário, talvez não acredite nessa história também. O livro já está em pré-venda e o lançamento está previsto para 10/09.

Tudo aquilo que nos separa (Ghosted)
Autor (a): Rosie Walsh @rwalsh
Publicação: Record *Cortesia
ISBN: 9788501113771 | Skoob
Gênero: Romance
Ano: 2018
Páginas: 336
Minha avaliação: 5/5★
Sete dias perfeitos e então ele desapareceu. Imagine a seguinte situação: você conhece um homem, vocês passam sete dias maravilhosos juntos, e você fica apaixonada. E o que é melhor: o sentimento é recíproco. Você nunca teve tanta certeza de algo na vida. Então, quando ele parte numa viagem de férias agendada há muito tempo e promete te ligar para o aeroporto, você não tem nenhum motivo para duvidar disso. Mas ele não liga. Seus amigos dizem que você deve desencanar, que deve esquecer o cara, mas você sabe que eles estão errados. Eles não sabem de nada. Algo de ruim deve ter acontecido, deve haver um motivo sério para explicar o silêncio dele. O que você faz quando finalmente descobre que tem razão? Que existe um motivo ― e que esse motivo é a única coisa que vocês não compartilharam um com o outro? A verdade.
Quando recebi a Caixa VIB contendo uma prova antecipada de Tudo aquilo que nos separa, não fazia ideia do que esperar, embora alguns indícios apontassem para uma trama no mínimo comovente, não imaginei que esta leitura me levaria ao ápice da aflição, me arrasaria e depois juntaria meus caquinhos. A intensidade dessa história é moldada a dilemas dolorosos e a decisões abrangentes. A escrita linear da Walsh nos leva por um caminho sem grandes acontecimentos ou reviravoltas que se mantém com um mistério torturante. A combinação de romance e suspense é algo novo pra mim, ainda não havia tido a oportunidade de experimentar uma mistura tão intrínseca desses dois gêneros, isso porque a apresentação de ambos é irrestrita nessa narrativa, não sendo possível pender para um ou para o outro. Foi muito fácil me deixar abraçar pelos dramas desses personagens, a autora passa uma verdade que de tão desconcertante poderia facilmente ser real. Um enredo pé no chão, que convence, sensibiliza e conquista na mesma medida. Um livro arrebatador.

Sarah passou boa parte da sua existência se moldando a mulher forte e decidida que gostaria de ser. E depois de anos é assim que ela é vista. No entanto, logo abaixo da superfície Sarah carrega um fardo pesado demais, uma dor tão grande que a levou a abandonar a cidade de Gloucestershire, na Inglaterra e mudar-se para o mais distante que conseguiu. Longe de suas raízes ela se reconstruiu e alcançou estabilidade pessoal e profissional, mas jamais esqueceu a tragédia que mudou sua vida. Por isso uma vez por ano ela "revisita o passado", e é em um desses retornos que ela conhece Eddie. Uma conexão imediata se estabelece entre eles e não parece certo deixar isso passar, então eles vivem sete dias intensos que lhes dão a certeza de terem encontrado algo realmente precioso, mas devido a compromissos previamente marcados eles precisam se separar antes de enfim decidirem como lidarão com o sentimento avassalador que os tomou por completo. Eddie iria ligar assim que chegasse ao aeroporto, mas não ligou. Ele também não atende as ligações e nem reponde as mensagens. Sarah acredita que algo sério deve ter acontecido, Eddie não a evitaria propositalmente, evitaria? Não, ela tem certeza do que sente e sabe que é recíproco. Ao se lançar numa busca instintiva Sarah irá questionar tudo o que construiu e quem se tornou, mas isso é só o começo.  

Logo de inicio somos convidados a acompanhar a busca insana de Sarah, a primeira vista ela parece estar perdendo o controle, afinal ela mal conhece o cara como pode estar tão desesperada? Nem seus melhores amigos Jo e Thomas, conseguem convencê-la de que Eddie é apenas alguém que simplesmente decidiu não ligar. Em uma situação qualquer eu teria de pronto concordado com isso, mas Sarah possui uma convicção tão grande, que é impossível não cogitar sua teoria, a questão é que nenhuma das suas conjecturas se sustentam por muito tempo. Tudo indica que Eddie de fato não quer contato, mesmo assim fica um questionamento no ar, porque? Conforme vamos conhecendo mais a fundo o envolvimento deles fica nítido o quanto os dois se identificaram, ambos são adultos e bem resolvidos, então se fosse apenas o caso de "não quero mais, segue sua vida", ele deveria ter dito algo, não é mesmo? Essa incerteza me deixou aflita, ainda mais quando se tem acesso direto as dúvidas e medos de Sarah, a narrativa da Rosie é certeira e na primeira parte da história funcionou como um punho esmagador de estômagos, que apertava mais e mais a cada virar de páginas. A autora consegue nos inserir em meio a tempestade que se desenrola e nos mantém aprisionados a necessidade de descobrir o que está acontecendo. 

Ao contrário do que se pode pensar ao ler a sinopse, durante a leitura fica muito claro que Sarah não está obcecada, não tive dúvidas de que ela buscava por algo de valor inestimado, aquela oportunidade única que poucos alcançam e da qual não se pode abrir mão sem lutar. É tudo tão sincero que ver Sarah se desfazendo durante o processo chega a ser doloroso. O drama é tão bem construído, que fiquei torcendo por uma justificativa plausível, quanto mais fundo eu ia, maior era o medo de me deparar com um argumento pouco convincente. Felizmente a autora mantém a trama verossímil. Walsh consegue esconder a resposta de tudo debaixo de camadas sólidas, o que me levou por caminhos contrários. Cogitei uma série de possibilidades e quando por fim o motivo do sumiço de Eddie deixou de ser uma incógnita e as pontas soltas se encontraram, me deparei com uma das poucas vertentes que sequer ousei cogitar. Já adianto que sim, tudo tem uma razão de ser aceitável. Além disso, temos acesso a personagens secundários com histórias incríveis, capazes de envolver tanto quanto a dos protagonistas, os amigos de Sarah, Jo, Thomas e Jhenni, são exemplos disso.

Tudo aquilo que nos separa é impactante. Uma trama densa, construída com maestria que trás personagens que estão sufocando em suas dores. Tanto Eddie como Sarah tiveram suas vidas e desejos suplantados, eles assumiram para si fardos que cresceram e estão a ponto de esmagá-los e responsabilidades que os impedem de serem eles mesmos. O encontro inusitado lhes trouxe a possibilidade de algo leve e bom, fez com que acreditassem em uma vida plenamente feliz apesar de tudo, mas os obstáculos estavam ali a espreita, e não demoraram a criar uma barreira intransponível. Um romance enredado por um mistério angustiante, que manteve meu coração apertado durante boa parte da leitura. Um enredo consistente e envolvente que mesmo não apresentando grandes viradas, desperta o interesse e nos mantém cativos. Uma história de amor, perdão e redenção que recomendo sem reservas. Talvez o ritmo mais lento da trama te desanime a princípio mas se persistir garanto que encontrará grandes surpresas pelo caminho.

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