2 de maio de 2018

[Resenha] É assim que acaba - Colleen Hoover

Hello peoples!
A leitura é algo que possui uma importância real em minha vida, não leio apenas por prazer ou diversão, isso também, é claro. Geralmente pego um livro porque preciso. Ler é uma necessidade que completa e modifica meus dias, vai além de um hobbie qualquer. Estou contando isto porque quero que vocês entendam a dimensão do que este livro fez comigo. Já faz alguns meses que não consigo alimentar minha paixão pelos livros, sabe quando você está doente e come sua comida favorita mas não consegue sentir o sabor? Pois bem, era assim que eu estava me sentindo, não conseguia manter meu ritmo de leitura normal e os poucos livros que eu conseguia ler parecia comida sem gosto, até tinham uma boa aparência mas eu não sentia o cheiro e nem o sabor de nada. Quando peguei É assim que acaba para ler, tinha em mente que o acharia um livro no mínimo bom, afinal de contas sempre consegui boas experiências com a escrita da autora, mas diferente do esperado - embora eu não esteja surpresa - sinto que com esta leitura consegui consertar algo que estava quebrado e agora posso finalmente sentir as coisas de novo. Me diz se logo de inicio, isso por si só já não é algo maravilhoso.

É assim que acaba (It Ends with Us)
Autor (a): Colleen Hoover @colleenhoover
Publicação: Galera record *Cortesia
ISBN: 9788501301642 | Skoob
Gênero: Romance +16
Ano: 2018
Páginas: 368
Minha avaliação: 5/5★
Lily nem sempre teve uma vida fácil, mas isso nunca a impediu de trabalhar arduamente para conquistar a vida tão sonhada. Ela percorreu um longo caminho desde a infância, em uma cidadezinha no Maine: se formou em marketing, mudou para Boston e abriu a própria loja. Então, quando se sente atraída por um lindo neurocirurgião chamado Ryle Kincaid, tudo parece perfeito demais para ser verdade. Ryle é confiante, teimoso, talvez até um pouco arrogante. Ele também é sensível, brilhante e se sente atraído por Lily. Porém, sua grande aversão a relacionamentos é perturbadora. Além de estar sobrecarregada com as questões sobre seu novo relacionamento, Lily não consegue tirar Atlas Corrigan da cabeça — seu primeiro amor e a ligação com o passado que ela deixou para trás. Ele era seu protetor, alguém com quem tinha grande afinidade. Quando Atlas reaparece de repente, tudo que Lily construiu com Ryle fica em risco. 
Exitem uma série de fatores capazes de conquistar um leitor durante uma leitura, eu particularmente sou apaixonada por livros que despertam algo em mim, pode ser qualquer coisa, desde um breve sorriso até as emoções mais intensas, sejam elas positivas ou negativas. Não gosto de pensar que dediquei tempo a algo que acrescentou pouco ou nada a minha essência, claro que tenho em mente que toda leitura tem algo a oferecer e coisas do tipo, mas me refiro as pequenas e grandes marcas que algumas histórias deixam em nossa alma, é isso que eu amo na leitura e é isso que eu busco quando leio um livro. Felizmente essas obras existem e eu tenho tido a sorte de encontrar algumas delas ao longo dos anos. Esta meus caros, sem sombra de dúvidas é uma delas. Vi vários comentários de pessoas dizendo ter chorado horrores durante a leitura, compreendo a razão disso ter acontecido mas comigo foi diferente, embora tenha esperado, eu não chorei. Pra mim este foi aquele livro que comove, desperta e te faz entender mesmo que um pouquinho sobre um assunto que só quem realmente vive sabe do que se trata. É assim que acaba, gera uma consciência inexistente na maioria das pessoas e te faz ter vergonha por ter destilado julgamentos mascarados de opinião. Esse é o tipo de obra que te faz refletir, transforma pensamentos, desperta empatia e te molda um ser humano melhor.

Lilly viveu um grande amor durante sua adolescência, foram poucos meses ao lado de um rapaz sem teto que transformou completamente sua existência, e mesmo após seis anos ela ainda guarda dentro de si toda dor e felicidade que a experiência lhe causou. Quando conhece Ryle, um neurocirurgião divertido e perspicaz, algo inesperado se desenvolve entre eles, aquele sentimento guardado e empoeirado que ela havia nutrido apenas por Atlas surge novamente, mas como tudo na vida da garota, as dificuldades não demoram a surgir e enquanto ela tenta driblar os obstáculos de seu novo relacionamento, um reencontro com o passado lhe espera logo na esquina. Entre lágrimas e sorrisos, dúvidas e certezas, Lilly é convidada pela vida a abrir sua caixinha de lembranças e reviver o melhor e o pior de seus dias, enquanto descobre que a existência vai além de viver no preto ou no branco, ela  aprende duras lições que podem vir destruí-la ou torná-la imensamente mais forte, a depender de suas escolhas. Uma garota, dois amores e um ciclo que se reinicia.

Antes de prosseguir quero deixar aqui registrado a minha mais sincera admiração ao notável talento de escrita da Colleen Hoover, já se passaram quatro anos desde que li meu primeiro livro da autora e de lá para cá sua qualidade de escrita só vem melhorando, sem dúvida suas obras tem um lugar especial na minha estante. Dito isto, vamos continuar como o que interessa. 

Eu não me recordo de ter lido muitos livros que abordassem a violência doméstica, mas me lembro de um que mesmo em segundo plano retratava de forma crua e realista as agressões em si, o tipo de narrativa que dói na alma, sabe? Mas diferente deste aqui, o outro despertou apenas minha empatia para com a vítima, sei que não é pouca coisa mas depois de ter lido É assim que acaba, sinto que faltou algo realmente importante na outra história, eu nem sabia que era possível, mas ao ler o livro da Colleen eu consegui mesmo que um pouquinho me colocar na pele da personagem. Eu sempre busco tentar entender as motivações das pessoas para a maioria das coisas, odeio julgar e não o faço de forma consciente - pelo menos, não na maioria das vezes -, mas mesmo assim preciso admitir que quando assunto é violência doméstica eu tenho lá meus deslizes e o maior deles é justamente o mais comum quando o assunto é abordado, "afinal porque a vítima não larga o agressor?" Eu sempre tive em mente que existem vários elementos envolvidos e que embora na teoria a melhor saída seja muito simples, na prática não podemos exigir que seja fácil e óbvio como dois e dois são quatro. Mesmo assim sempre acreditei que se pela infelicidade do destino me visse em uma situação como esta eu faria a escolha óbvia, não permitira que se tornasse uma bola de neve e não me sujeitaria a uma segunda agressão. O engraçado é que a Lilly tinha as mesma certezas que eu e pelas mãos da Hoover pude olhar além do óbvio e questionar se não teria tomado as mesmas decisões que a personagem tomou diante da situação que ela viveu. 

Trazendo isto para o contexto da obra - e para a realidade de muitas mulheres -, eu me apaixonei pelo agressor quase que instantaneamente, como a autora mesmo descreve "ele é bonito, gentil, engraçado, inteligente...", a primeira vista senti curiosidade e desejei saber mais sobre aquele homem, me deixei conquistar por sua aparente sinceridade e não consegui perceber nada que o tornasse uma ameaça, acho que quase ninguém consegue perceber até que algo concreto aconteça e quando aconteceu eu fiquei surpresa, com raiva e até decepcionada, não quis acreditar que alguém quase ideal como ele tinha feito algo assim e quando a primeira justificava surgiu, me solidarizei com a personagem e mesmo com o pé atrás eu optei por acreditar que não se repetiria, que foi uma reação impensada, as desculpas pareciam tão sinceras, compreendem? A essa altura do campeonato eu já sabia que não tinha volta, como leitora entendi o que a autora queria passar mas como ser humano não consegui julgar a Lilly por tê-lo perdoado. É disto que estou falando quando digo que a Colleen fez com que eu vestisse a pele da personagem e questionasse todas as certezas que eu sempre tive sobre o assunto.

Tudo acontece tão naturalmente que quando me dei conta já estava completamente envolvida por todo o drama, a autora usa de uma delicadeza ímpar para nos apresentar uma visão completa de um assunto que só foi visto de fora pela maioria das pessoas. Ao longo da história é muito fácil nos sentirmos divididos entre o amor e o ódio, e mesmo assim nada parece ser definitivo. O amor parece não conseguir apagar as cicatrizes que começam a se formar e nem o ódio cumpre sua missão de finalizar de uma vez por todas um ciclo doloroso que se inicia. O dilema aqui vai além do óbvio e do racional e o leitor se enrola ainda mais nessa teia, na medida que a confusão toma conta da protagonista somos absorvidos por uma aflição que não se mede. E ao finalizar a leitura, ainda antes de me recuperar totalmente de todas as emoções que a trama trás eis que me deparo com uma nota da autora que quebrou meu coração em pedacinhos. É tudo muito intenso e real, os medos, as decisões, os erros, os acertos. No fim, aqui não cabe julgamentos, apenas entendimento, respeito e empatia.

"Não existe isso de pessoas ruins. Todos nós somos humanos e fazemos coisas ruins."

É assim que acaba é uma obra comovente. Traz uma narrativa ágil e sensível que descreve de forma convincente uma realidade vivida por muitas mulheres no mundo todo. A violência doméstica é apresentada por uma perspectiva intimista que captura o leitor e o torna parte da história, não como um mero expectador mas como alguém que se propõe a sentir na pele e passa a compreender a situação ao invés de julgar. Os protagonistas são marcantes, carismáticos e trazem consigo estigmas que influenciam muito no que são atualmente. O enredo se desenvolve de forma impecável, a cada novo acontecimento somos lançados numa montanha russa de emoções que nos aflige e emociona. A maioria dos personagens secundários mostram a que veio e trazem maior qualidade a história, além de garantir seu espaço no coração do leitor. Esta é uma obra com o selo de qualidade Colleen Hoover, que eu recomendo a todos que buscam uma história delicada, com dramas reais e repleta de ensinamentos.

16 comentários

  1. Oi Delmara, que resenha linda a sua! Eu nunca li nada da autora e tb não tenho o costume de ler livros com tema de violência doméstica, mas sempre leio boas critica a Colleen e acho que entendo porque ela tem tantos fãs. A autora parece explorar muito bem os personagem. Vou me preparar porque realmente que mexe com nosso sentimentos.

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  2. Oi Delmara, eu sou louca para ler um livro desta autora, e por todas as resenhas que tenho lido deste que tu resenhou, tenho certeza que quero começar por ele. Eu também gosto que a leitura me cause algum sentimento, seja ele raiva, medo, paixão, lágrimas, enfim, tem que me acrescentar algo. A violência domestica é um tema delicado, mas já percebi que a autora soube abordar de forma a não nos traumatizar.
    Parabéns por tua resenha.
    Bjos
    Vivi
    http://duaslivreiras.blogspot.com.br/

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  3. Assim como você eu tenho necessidade de leitura, mesmo que as vezes fique desanimada, meu intimo sempre quer livro. Tenho visto esse livro dividindo opiniões e como nunca li nada da Colleen eu não tenho parâmetro, mas sei que quero muito ler essa obra. Acho que a realidade que a autora apresenta nesta trama, colocando o leitor na pele da personagem é digna de ser lida por toda mulher. Amei seu ponto de vista sobre o livro.

    Abraços.
    https://cabinedeleitura0.blogspot.com.br/

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  4. Olá, tudo bem?

    É complicado um livro que aborda temas reais, mas acho esse tipo de leitura recomendável e necessária, ainda mais quando conta a história de pessoas reais. Violência doméstica é um tema difícil. Confesso que não pretendo ler, porque é o tipo de livro que destrói a gente. Mas, acredito que é nuito bom mesmo.


    Beijo.

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  5. Oie!

    Eu não consigo ler as obras dessa autora em português, mas em inglês eu amo demais as histórias criada por ela, então essa obra vai para a lista de desejados, mas para se ler na língua original, sei que se eu tentar em português vou odiar!

    Bjss

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  6. Colleen realmente tem o dom de nos fazer emocionar e querer mais e mais de seus livros.
    Ainda nao li esse livro, mas apenas vejo resenhas bem positivas como a sua.
    Amei terem mantido a capa original e abordar temas assim sempre mexem com a gente.
    Mais um livro que com certeza vou ler e que preciso ter para completar a coleção da Colleen.
    Beijos.

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  7. Olá!
    Gostei da leitura, mas não consigo concordar com aquele epílogo e muito menos por ter muitos personagens bons e senti que a CoHo não soube trabalhá-los bem. Atlas merecia um final melhor!
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  8. Delmara, acredita que eu estava esperando a sua resenha deste livro? Porque você é tão detalhista e tão sensível ao comentar sobre um livro que eu queria muito saber sua opinião sobre este aqui. Concordo com tudo o que você escreveu sobre a sensibilidade da autora em nos envolver e nos passar um tema tão duro e cruel. Amei ler o que você achou e absorveu da leitura.
    Beijos

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  9. Oi Delmara, esse ano foi a primeira vez que li algo da Colleen e realmente os livros dela tocam a alma. Fui super indicação de uma amiga minha quando comecei a ler ela e fiquei com aquela sensação: por que não li antes?.

    Quando eu vi esse livro dela eu fiquei apaixonada pela capa. Achei esse tom de rosa lindíssimo. Eu nunca li nada sobre violência doméstica o que me chamou mais ainda a minha curiosidade.

    Sua resenha ficou sensacional. Um grande beijo

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  10. Olá Delmara,
    Eu, assim como você, me encanto com livros que despertam qualquer tipo de sensação em mim e, ao passo que fiquei muito feliz por saber que esse livro te ajudou a sair da fase de que nenhum livro te agradava, fiquei preocupada com o turbilhão de emoções que vou sentir ao ler esse livro.
    Esse livro tem um tema muito complicado e eu tenho dificuldade de lidar com ele, sabe? Mas acho que a autora soube trabalhar tudo com muita sensibilidade e de forma intima em relação aos acontecimentos.
    Depois de ler uma resenha tão detalhada e bem escrita, é impossível não desejar esse livro loucamente.
    Beijos,
    http://www.umoceanodehistorias.com/

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  11. Oi, tudo bem?
    Eu nunca me senti tão representada por uma resenha como me senti lendo a sua. Você conseguiu expressar em palavras vários dos sentimentos e impressões que tive durante essa leitura. Eu nunca consegui entender bem o motivo de uma vítima de violência doméstica não abandonar o abusador e já até fiquei brava com algumas amigas que continuaram com relacionamentos que, apesar de não haver violência física, eram extremamente tóxicos. Lendo É assim que acaba eu consegui me colocar na pele da Lily e, por consequência, dessas amigas, e entender um pouco melhor porque é tão difícil sair de uma relação assim. Além disso, foi bastante chocante para mim perceber que eu teria as mesmas dúvidas que a Lilly.
    Enfim, foi uma leitura muito intensa, mas que me ensinou bastante e me fez perceber esse assunto tão sério com uma outra perspectiva.
    Adorei sua resenha e fico feliz que essa leitura tenha sido tão impactante para você quanto foi pra mim.
    Beijos!

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  12. Olá! Quero muito ler esse livro porque ele remete tão bem a questão na violência doméstica e eu ainda não li nenhum livro dessa autora. Mas eu vejo tantos blogs falando que o livro não é bom que eu sempre fico com um pé atrás. A história parece sem bem elaborada e profunda. Parabéns pela resenha!


    Bjoxx ~ www.stalker-literaria.com

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  13. Oie, tudo bom?
    Eu quero muito ler algo da Coleen porque só ouço elogios a autora. Parece que todos os livros dela são lidos e amados, não há outra opção! Nunca vi ninguém reclamando de nenhuma obra e acredito que a aescrita dela deva mesmo ser perfeita. Já coloquei na lista!

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  14. mulher eu comprei esse livro mais ainda nao li vi muita gente elogiar a historia do livro estou vendo si acho um tempo pois estou com tanta leitura acumulada mais ele com toda certeza tenho que ler
    BLOG♥ Coisas da bueno

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  15. Gosto da autora, por essa sua característica de trazer qualquer tema de uma forma sensível e transformadora. Não tive a oportunidade de ler este livro ainda. Mas creio que ele seja realmente tudo isso que você relatou aqui por outras obras que ja conferiram da autora. Espero que logo logo possa conferir.

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  16. Que resenha expressiva e gostosa de se ler. Descreve muito nem o que a leitura te transmitiu e as sensações e questionamentos que te acompanharam com o decorrer da leitura. Sobre o tema é bem complicado e esclarecedor né? Nos fazem se colocar no lugar das vítimas e isso muda tudo, é incrível. Espero ler esse livro é ter um pouquinho das sensações que você teve.

    Beijos
    http://ventoliterario.blogspot.com

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