11 de maio de 2013

Resenha #31 Depois daquela Viagem - Valéria Piassa

Mais uma resenha na área, essa é uma história real, que me tornou mais humana, nunca tive preconceito com relação a portadores do vírus HIV, mas depois desse livro não os vejo como pessoas comuns, os vejo como batalhadores. Em um mundo onde as pessoas tiram a própria vida vejo pessoas que recebem um diagnóstico que vira suas vidas de cabeça para baixo e ainda assim não desistem de lutar, (sei que não são todos que lutam, mas os que lutam, são verdadeiros exemplos de fé e esperança).

Titulo: Depois daquela Viagem
Autor(a): Valéria Piassa
Editora: Ática
N° de páginas: 279
Num tom coloquial próprio dos jovens, Valéria relata com bom humor e descontração as farras com a turma de amigos, a dúvida entre "ficar" ou namorar, o despertar da sexualidade, a angústia diante do vestibular e muitas outras coisas que atormentam qualquer adolescente.Tudo isso seria perfeitamente natural se não fosse por um pequeno detalhe que iria fazer uma enorme diferença:Valéria contraiu AIDS aos 16 anos porque, segundo ela mesma, " transei sem camisinha". Neste livro, ela mostra como, de repente, por causa "desse detalhe", sua vida passou por uma reavaliação radical. Ela expõe, sem meias palavras, como a doença mexeu com sua cabeça e com seus sentimentos.Terminada a leitura, fica clara sua resolução de preservar sua condição de ser humano a toda custo,ao mesmo tempo que se esforça para humanizar a todos os que cruzam seu caminho. Depois daquela viagem é um livro triste e alegre, tocante e verdadeiro, um testemunho da coragem e da determinação de levar adiante a vida, apesar da AIDS.

 Depois daquela viagem - Diário de bordo de uma jovem que aprendeu a viver com a AIDS

Este livro me foi muito bem recomendado, quase todos meus amigos tinham lido, então eu resolvi conhecê-lo. Ao lê-lo, pude sentir os dilemas nele descritos, isso me ajudou muito, é um livro construtivo que expande os horizontes de quem o lê.

Valéria era uma menina rica, estudava numa boa escola, e tinha muitos sonhos como qualquer outra menina da sua idade. Nesse tempo a AIDS na maioria dos lugares, principalmente aqui no Brasil era um grande tabu entre a sociedade e estava relacionada com grupos de risco, como os homossexuais e os usuários de drogas.

A história é narrada em uma espécie de autobiografia, ela adquiriu AIDS aos 16 anos em sua primeira relação. Se isso já não fosse trágico o suficiente isso aconteceu na década de 80, quando os portadores de AIDS eram discriminados impiedosamente, não havia muitas informações na época e os portadores da doença eram vistos com o nome MORTE escrito na testa, (admito que hoje em dia essa realidade não é muito diferente, mas mudou um pouquinho).

Quando descobre que é portadora da doença Valéria se depara com diversas situações comuns ao portador, ela tem que lidar com os olhares de pena dos pais, esconder a doença dos amigos e familiares por medo de ser descriminada, evitar se relacionar com outras pessoas por medo de que estas descubram ou venham a se contaminar com sua doença. Confesso que nunca cheguei tão perto do cotidiano de uma pessoa portadora, como quando li esse livro.

Ela é uma menina jovem que acredita ter recebido sua sentença de morte, e para fugir de tudo isso ela resolve ir para os Estados Unidos que apresentava um avanço significativo no tratamento da doença e na forma com que as pessoas no geral lidavam  com os portadores da doença. Por esse motivo o livro chama "Depois daquela viagem", porque lá ela aprende a viver - e viver bem! - com a doença, ela descobre que não está sentenciada a morte, mas que ela ainda pode viver bem e ajudar outras pessoas com a mesma doença.

Esse livro é extremamente enriquecedor, por que através dele você percebe que o aidético não é vitima de preconceito externo apenas, mas muitas vezes ele próprio se trata com preconceito. Nos ensina a olhar para o portador como uma pessoas que inicialmente está perdido, confuso e com medo devido o diagnóstico. Mas que pode viver bem se realizar o tratamento corretamente e aceitar sua condição (já que o fator psicológico interfere muito). 
"Mas vai tentar ser normal ouvindo todo dia a AIDS mata, a AIDS é o mal do século, vamos acabar com a AIDS. Até parece que as pessoas esquecem que o vírus está dentro de mim, que a AIDS só existe porque eu existo, se eu morresse, o vírus também morreria. Ou seja, de certa forma eu sou a AIDS."
No final eu fiquei muito orgulhosa da Valéria, o fato dela ter escrito esse livro com o objetivo principal de dar o testemunho do que foi sofrido e superado, para ajudar outras pessoas que passam pela mesma situação. Acredito também que quem lê o livro, muito dificilmente terá preconceito, porque através do livro você vive os medos, as dúvidas e angústias. Então você termina o livro enxergando essas pessoas de uma maneira diferente, não como pessoas dignas de pena, mas como pessoas batalhadoras, que todos os dias independente da doença lutam com todas as forças para continuarem vivendo.

Super recomendo, para quem quer saber um pouco mais do assunto ou quer entender como as pessoas lidam com um fardo tão pesado.

Bom

9 comentários

  1. Não conhecia esse livro, mas agora fiquei tentada em conhecer!
    Te indiquei um selinho lá no blog!!!
    Beijos
    http://coracaodetinta.blogspot.com.br/2013/05/selinho-one-lovely-blog-award.html

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  2. Olá ,
    Não conhecia o livro, mas ele parece ser muito bom, uma lição de vida ao que me parece , fiquei bastante curiosa para o ler. você comprou pela internet ??

    :*

    http://resenhandolivrosefilmes.blogspot.com.br/

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    1. Leia mesmo, você não vai se arrepender. Não comprei na internet não flor, a autora veio aqui na minha cidade e trouxe alguns exemplares, mas você encontra na internet para comprar sim.

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  3. Nunca ouvi falar desse livro. Parece ser muito bom. Eu me lembro de como era o preconceito. Tive um vizinho com Aids e as pessoas não chegavam nem perto com medo de pegar.

    http://blogprefacio.blogspot.com.br/

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  4. Olá
    Gostei da resenha.
    Não conhecia o livro, parece ser interessante.
    Beijos

    cocacolaecupcake.blogspot.com.br

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  5. Oi Delmara! Eu nunca ouvi falar do livro, mas achei que ele traz uma bonita mensagem, fui olhar a editora e nem sabia que ela publicava livros assim. Dica anotada para futuras leituras.

    Bjos!!
    Cida
    Moonlight Books

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  6. GEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEENTE, eu li esse livro no colégio!!!!! Meu colégio só dava livro ruim pra gente ler em literatura, era um terror. Mas lembro que eu gostei tanto desse livro que eu REALMENTE li. Porque normalmente eu enrolava =P É muito legal esse livro e, como vc mesmo disse, enriquecedor. Poxa, me deu uma super nostalgia em ver esse livro aqui. Obrigada, Del.

    beijos
    Kel
    porumaboaleitura.blogspot.com.br

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  7. Lembro que li no colégio também, assim como a Raquel, embora estudamos em colégios diferentes e em escolas diferentes! Mas que bom que as escolas estavam adotando naquela época um livro de tanta qualidade, tão enriquecedor!
    Lembro que me emocionei muito lendo esse livro, quanto mais por saber que era uma história real...
    A Valéria, autora do livro, escrevia senão me engano uma coluna pra revista Capricho ou Todateen...alguma dessas revistas de adolescentes...depois não ouvi mais falar nela...vc sabe dizer se ela morreu? Tenho muita curiosidade de saber o que aconteceu com ela depois...

    bjoos
    http://www.porumaboaleitura.blogspot.com.br

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  8. Ahh, estou seguindo seu blog!
    Como eu não estava seguindo antes?? rsrs
    bjoos
    http://www.porumaboaleitura.blogspot.com.br

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